Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
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Filhos presos em Coxim e outras cidades são suspeitos de arquitetar assassinato de fazendeiro para obter herança bilionária

Operação interestadual desvela trama familiar e financeira que resultou na morte de Jefferson Cury, um dia antes da assinatura de testamento, e reforça a atuação policial em Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul
Jefferson Cury foi atingindo por um disparo e morreu no local (Foto: reprodução / PCGO)
Jefferson Cury foi atingindo por um disparo e morreu no local (Foto: reprodução / PCGO)

O assassinato do fazendeiro e empresário Jefferson Cury, de 83 anos em novembro de 2023, em Quirinópolis, Goiás, revelou uma trama complexa e calculada, envolvendo filhos, corretores de imóveis e funcionários próximos. O crime, motivado pela disputa por um patrimônio estimado em R$ 1 bilhão, aconteceu um dia antes da assinatura de um novo testamento, que transferiria os bens para uma holding e excluiria os filhos da linha sucessória. A morte do empresário expôs os limites da ambição familiar e a intensidade com que interesses financeiros podem interferir em relações familiares.

Nos últimos dias, a Polícia Civil deflagrou uma operação interestadual, denominada Testamento, que culminou na prisão de suspeitos em Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com destaque para a detenção de um dos filhos em um rancho em Coxim, norte do Estado. O local, segundo as investigações, era usado como base para organizar e coordenar parte da ação criminosa, reforçando o caráter planejado do assassinato. Outras prisões envolveram um corretor de imóveis que teria lucrado milhões com a revenda de propriedades herdadas e funcionários da fazenda que auxiliaram na logística, monitorando horários e rotinas da vítima.

O crime ocorreu por volta das 22h20, quando Jefferson e seu advogado foram abordados em uma estrada rural às margens da GO-206. O fazendeiro foi morto com um disparo no rosto, enquanto o advogado sobreviveu após ser baleado na cabeça, mandíbula e mão. Relatos da investigação indicam que um dos suspeitos teria afirmado, logo após os disparos: “Agora a dívida está paga”, em referência a débitos envolvendo familiares de empregados da fazenda com a vítima.

As prisões realizadas em Coxim e demais municípios do Mato Grosso do Sul evidenciam a dimensão interestadual da ação criminosa. O rancho em Coxim funcionava como ponto estratégico para esconder evidências e coordenar movimentações, enquanto outros suspeitos atuavam em São Paulo e Goiás, articulando vendas de imóveis e transferências financeiras que favoreciam a rede de envolvidos.

Segundo as investigações, os filhos de Jefferson não mantinham vínculo afetivo com o pai, mas demonstravam ansiedade pelo patrimônio. Dois meses antes do crime, eles chegaram a ajuizar ação de interdição, na tentativa de obter controle sobre os bens. A morte do empresário, planejada um dia antes da assinatura do testamento que consolidaria a transferência para a holding, evidencia a frieza e premeditação da ação.

O corretor de imóveis preso teria lucrado, segundo a polícia, pelo menos R$ 50 milhões com revendas de fazendas herdadas pelos filhos, tendo recebido adiantamentos de R$ 12 milhões apenas em transações iniciais. Além disso, o casal de caseiros e seu filho auxiliaram na execução do crime, fornecendo informações sobre a rotina do empresário e logística de deslocamento, demonstrando o grau de organização e cumplicidade entre os envolvidos.

A operação em Coxim e nos demais estados reforça a atuação coordenada da polícia na investigação de homicídios ligados a disputas patrimoniais. O caso expõe não apenas a ambição financeira que motivou o crime, mas também a complexidade de ações que se estendem por diferentes estados e envolvem múltiplos agentes, cada um desempenhando um papel estratégico no planejamento e execução do assassinato.

Especialistas apontam que a conjunção de planejamento meticuloso, interesses financeiros bilionários e ausência de laços afetivos resulta em crimes de alta gravidade, muitas vezes comparáveis a homicídios familiares emblemáticos, mas com maior sofisticação e motivação econômica. A coordenação da operação Testamento buscou desarticular toda a rede, cumprindo 14 mandados de busca e apreensão, rastreando imóveis, contas e empresas ligadas aos suspeitos.

O inquérito, com prazo de conclusão estimado em 30 dias, deverá consolidar provas documentais, rastrear fluxos financeiros e estabelecer responsabilidades legais. A repercussão das prisões em Coxim e em outros municípios reforça a mensagem de que crimes motivados por herança e interesses patrimoniais serão investigados com rigor, e que ações coordenadas da polícia podem desmantelar estruturas criminosas complexas.

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