Mato Grosso do Sul, 25 de junho de 2026
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Traficante foragido morre em acidente na fronteira de Mato Grosso do Sul após anos de envolvimento com o tráfico universitário

Uesnei Cabral Silveira, conhecido por atuar no comércio de drogas entre universitários brasileiros que estudam no Paraguai, perdeu a vida em colisão entre Aral Moreira e Sanga Puitã, encerrando trajetória marcada por fugas, mandado de prisão
Fotos: Divulgação
Fotos: Divulgação

A noite de quinta-feira, 30 de outubro, terminou com um episódio trágico e emblemático na fronteira de Mato Grosso do Sul. O homem identificado como Uesnei Cabral Silveira, de 31 anos, morreu em um grave acidente de trânsito entre Aral Moreira e o distrito de Sanga Puitã, região que faz divisa com o Paraguai. Foragido da Justiça e apontado pelas autoridades como integrante de uma rede de tráfico de drogas voltada a universitários, ele encerrou sua trajetória em circunstâncias ainda cercadas de dúvidas.

De acordo com o registro policial, o acidente ocorreu por volta das 18h. A esposa de Uesnei tentou contatá-lo por telefone, mas quem atendeu foi um bombeiro militar, que informou que o homem havia se envolvido em uma colisão e seria levado em estado grave ao Hospital Regional de Ponta Porã. Minutos depois, a mulher recebeu a notícia da morte do marido, que não resistiu a uma parada cardiorrespiratória.

O veículo envolvido no acidente era uma caminhonete Toyota Hilux, cuja origem ainda é investigada. A esposa informou às autoridades que o automóvel não pertencia ao casal, o que levantou suspeitas sobre o motivo de Uesnei estar conduzindo o veículo e sobre o seu deslocamento na região fronteiriça.

Após o registro da ocorrência, a Polícia Rodoviária Militar compareceu à delegacia para entregar os pertences encontrados com o homem. Durante a checagem, os agentes constataram que ele portava documentos falsos em nome de outra pessoa, com a própria fotografia trocada, uma estratégia utilizada para despistar eventuais fiscalizações e dificultar o cumprimento do mandado de prisão que havia contra ele.

As investigações foram assumidas pela Polícia Civil, que apura as causas do acidente e busca identificar a real origem do veículo, além de esclarecer o que o foragido fazia na região no momento da tragédia.

A morte de Uesnei marca o fim de um histórico de envolvimento com o tráfico na fronteira, uma área há muito conhecida pela intensa movimentação de drogas, contrabando e armas. Em julho de 2021, ele havia sido preso pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira, durante uma operação que desarticulou um grupo acusado de abastecer estudantes universitários com drogas como maconha e skunk, a chamada “supermaconha”, de origem paraguaia.

Na ocasião, os agentes localizaram Uesnei e dois comparsas em uma residência no Bairro Jóquei Clube, em Ponta Porã. No local, foram apreendidos 55 quilos de maconha e 11 quilos de skunk, além de veículos utilizados para transportar e distribuir o entorpecente em áreas próximas a instituições de ensino frequentadas por brasileiros matriculados em universidades do país vizinho.

Segundo investigações da época, o trio atuava de forma organizada, mantendo uma rede de contatos com fornecedores paraguaios e distribuindo drogas em festas e repúblicas estudantis. O lucro obtido com as vendas era reinvestido na aquisição de novos carregamentos, consolidando o esquema de tráfico voltado a jovens universitários que cruzavam diariamente a fronteira.

Mesmo após a prisão, Uesnei conseguiu benefícios processuais e acabou fugindo, tornando-se alvo de um mandado de prisão expedido pela Justiça. Desde então, manteve-se em fuga, utilizando identidades falsas e circulando entre pequenas cidades da fronteira, onde o trânsito livre entre Brasil e Paraguai facilita a mobilidade de criminosos.

O acidente que tirou sua vida reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade das regiões fronteiriças de Mato Grosso do Sul, constantemente utilizadas como rota para o tráfico de drogas e refúgio para foragidos. A facilidade de travessia, a presença de rotas vicinais e o grande número de estradas sem fiscalização efetiva contribuem para a manutenção de redes criminosas que se fortalecem à sombra da impunidade.

Com a morte de Uesnei, encerra-se uma trajetória marcada por fugas, prisões e envolvimento direto com o tráfico universitário. O caso reforça a necessidade de uma presença mais constante das forças de segurança na fronteira e de medidas de inteligência integradas entre Brasil e Paraguai para conter a expansão do crime organizado na região.

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