Mato Grosso do Sul, 24 de junho de 2026
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Operação da Polícia Federal apura desvios em cotas parlamentares e encontra R$ 430 mil em endereço ligado a líder do PL

Agentes cumprem sete mandados de busca contra deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy em investigação sobre fraudes em locadoras de veículos
As ações atinge o deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara
As ações atinge o deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara

Brasília (DF) – A Polícia Federal lançou na manhã desta sexta-feira (19) a Operação Galho Fraco, com foco em desvios de recursos públicos oriundos de cotas parlamentares, cumprindo sete mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal em endereços no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. As ações atingem os deputados federais Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, e Carlos Jordy, ambos do PL-RJ, além de assessores próximos, revelando um suposto esquema coordenado que envolve peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Durante as buscas, agentes encontraram R$ 430 mil em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcante, com celulares dos parlamentares apreendidos como medida cautelar, intensificando o cerco a uma rede que explora verbas destinadas ao exercício do mandato.

A operação representa um desdobramento direto da Rent a Car, deflagrada em dezembro de 2024, que já havia mirado assessores dos dois deputados por um acordo ilícito envolvendo contratos falsos com locadoras de veículos. Investigadores apontam que agentes políticos, servidores comissionados e particulares atuaram de forma articulada para desviar verbas das cotas parlamentares – valores mensais destinados a despesas do mandato, como aluguel de escritórios nos estados, passagens aéreas, locação de carros e combustíveis. Essa rede de fraudes explora a flexibilidade das cotas para inflar despesas com frotas de veículos, criando uma fachada de legitimidade que mascara o desvio sistemático de dinheiro público, com pagamentos por serviços inexistentes ou superfaturados que retornam aos envolvidos em ciclos de lavagem.

Os mandados, autorizados pelo ministro Flávio Dino, concentram-se em residências, imóveis privados e endereços de assessores, sem incursão nos gabinetes parlamentares em Brasília, preservando o exercício do mandato enquanto aprofundam as provas materiais. A descoberta dos R$ 430 mil, em espécie, eleva a gravidade do caso, sugerindo movimentações financeiras paralelas às cotas oficiais, que podem ultrapassar centenas de milhares de reais anualmente por deputado. Assessores dos deputados também foram alvos, ampliando o raio da investigação para o círculo próximo e expondo possíveis ramificações em estruturas partidárias, contratações fantasmas e fluxos de caixa ocultos.

Carlos Jordy reagiu rapidamente nas redes sociais, divulgando vídeo em que confirma ser alvo e denuncia perseguição política. Ele questiona a lógica investigativa, destacando que locadoras com frotas maiores de 20 veículos não levantaram suspeitas, enquanto a empresa por ele contratada, com apenas cinco carros, é rotulada como fachada. O deputado argumenta que o volume de contratações reflete a demanda real de seu mandato em um estado populoso como o Rio de Janeiro, mas a PF vê indícios de simulação em notas fiscais e registros de uso inconsistentes. Sóstenes Cavalcante, como líder do PL na Câmara, ainda não se pronunciou publicamente, mas fontes próximas indicam que ele prepara defesa técnica, enfatizando a legalidade de suas despesas e a ausência de provas diretas contra sua pessoa.

Esse caso insere-se em uma sequência de ações recentes da PF contra parlamentares. Na terça-feira (16), mandados semelhantes foram cumpridos contra o deputado Antônio Leocádio dos Santos, conhecido como Antônio Doido, do MDB-PA, em investigação sobre desvios via fraudes em licitações públicas. No ano passado, assessores de Sóstenes e Jordy já haviam sido alvos na Rent a Car, quando a PF identificou um padrão de “acordo ilícito para o desvio de recursos públicos” por meio de contratos fictícios. A repetição de padrões – cotas parlamentares como vetor de corrupção – levanta debates sobre reformas urgentes no sistema de auxílios, que movimentam bilhões anualmente sem controle rigoroso suficiente para coibir abusos, como a falta de comprovação física de serviços e a tolerância a notas frias.

As cotas parlamentares, instituídas para agilizar o trabalho legislativo em um país continental, tornaram-se alvos recorrentes de desvios devido à pouca transparência em contratações e à ausência de auditorias em tempo real. Locadoras fantasmas recebem pagamentos por veículos que nunca circulam, contratos são renovados sem vistoria, e frotas superfaturadas evaporam em esquemas de rodízio ou revenda clandestina. Anualmente, cada deputado dispõe de valores que variam de R$ 30 mil a R$ 45 mil, dependendo do estado, totalizando mais de R$ 500 milhões no Congresso. A Operação Galho Fraco busca desmantelar essa engrenagem, com buscas que podem revelar documentos, extratos bancários, comunicações via aplicativos e depósitos suspeitos que liguem os fios do esquema, potencialmente levando a indiciamentos, perda de imunidades e recuperação de valores desviados.

O impacto político é imediato. O PL, maior bancada da Câmara, enfrenta questionamentos internos sobre a lisura de suas lideranças, enquanto opositores cobram investigações amplas em todas as siglas. A operação ocorre em meio a discussões sobre o Orçamento da União para 2026, onde emendas parlamentares – irmãs das cotas – também sofrem escrutínio. Especialistas em direito público defendem limites mais rígidos, como geolocalização de veículos alugados, prestação de contas digital em 24 horas e sanções automáticas por irregularidades, para blindar o sistema contra explorações.

A ação reforça o papel da PF em zelar pela integridade das instituições, especialmente em ano de alta polarização política e eleições municipais. Enquanto os deputados negam irregularidades e prometem transparência total em suas prestações de contas, a sociedade cobra accountability imediata, demandando auditorias independentes, limites claros às cotas e punições exemplares. O desfecho dessa operação pode redefinir padrões de conduta parlamentar, pressionando por legislação que vede brechas exploráveis, fortaleça mecanismos de controle e restaure a confiança no uso responsável do dinheiro dos contribuintes, evitando que verbas públicas sirvam a interesses privados.

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