Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Setor do agronegócio pressionou Congresso para derrubar veto e garantir verba fixação do seguro rural em 2026

Produtores e seguros articulam maioria absoluta para restabelecer proteção orçamentária ao PSR, após corte drástico em 2025 que encolheu cobertura de trabalho pela metade e ampliou riscos no campo brasileiro.
Foto: Divulgação
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O agronegócio brasileiro inicia 2026 com mobilização intensa no Congresso Nacional para reverter o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à blindagem dos recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias. A medida aprovada pelos parlamentares, impedimentos de cortes, bloqueios ou contingenciamentos no orçamento do PSR, mas foi rejeitada pelo Executivo sob argumento de perda de flexibilidade fiscal. Seguradoras e produtores rurais agora correm para reunir 257 votos na Câmara e 41 no Senado, em sessão conjunta, e evitar novas revisões na proteção contra sinistros climáticos e produtivos.

Em 2025, o programa planejou redução de 47% no orçamento, saindo de R$ 1,06 bilhão para R$ 565,5 milhões. O impacto apareceu nos números: área segurada caiu para 3,2 milhões de hectares, contra 7 milhões no ano anterior, marcando o terceiro pior resultado desde 2007. Apenas 42 mil produtores acessaram agências subsidiadas, com importância segurada de R$ 17,7 bilhões, distante do pico de R$ 66,4 bilhões em 2021, quando o setor viveu safra recorde sem tanta exposição a riscos.

A falta de recursos fixos compromete o planejamento de safras futuras, especialmente com eventos climáticos mais frequentes, como secas no Mato Grosso, enchentes no Sul e incidentes pontuais no Paraná. Glaucio Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais, destaca que o veto gera incerteza ao mercado. Sem garantia de palavra, seguros hesitam em lançar produtos competitivos, produtores postergam renovações de apólices e resseguradores internacionais recuam de operações no Brasil.

De janeiro a outubro de 2025, o mercado de seguro rural registrou queda de 9,3% na arrecadação, para R$ 11,1 bilhões, e redução de 3,9% nas indenizações pagas, totalizando R$ 3,6 bilhões. Esse ciclo prejudica toda a cadeia: o agricultor enfrenta quebras sem amparo, bancos apertam o crédito rural e o governo gasta mais com renegociações de dívidas emergenciais, como Garantia-Safra e Pronaf, instruções ainda outros programas sociais.

Rodrigo Motroni, vice-presidente da Newe Seguros, compara o PSR a uma política de Estado indispensável. Sua empresa emitiu 1,7 mil apólices subsidiadas no ano passado, protegendo R$ 500 milhões na produção de grãos e pecuária. O seguro não só mitiga perdas individuais, mas estabiliza o fluxo de crédito, reduz o endividamento público e mantém o Brasil competitivo nas exportações, que atingiu US$ 150 bilhões em commodities agrícolas só em 2025.

A Confederação Nacional das Seguradoras aponta um paradoxo gritante: o país planta 97 milhões de hectares, mas apenas 3% têm cobertura securitária. Esse descompasso expõe o agro, responsável por 27% do PIB e 1,2 milhão de empregos diretos, a volatilidade que afeta desde o pequeno sojicultor no Centro-Oeste até o pecuarista no Matopiba. Veto semelhante ocorreu na LDO de 2025, reforçando a percepção de instabilidade crônica no programa.

O deputado Pedro Lupion, líder da Frente Parlamentar da Agropecuária, classifica o veto como retrocesso e promete articulação urgente com a bancada ruralista. A votação exige maioria absoluta em cada Casa, mas o apoio cresce entre progressistas e conservadores preocupados com o peso eleitoral do campo nas eleições legislativas deste ano.

O Ministério da Agricultura afirma que não há pendências de 2025 e planeja aplicar integralmente os R$ 1,01 bilhão da LOA 2026, ainda em análise. A meta inclui 82 mil produtores beneficiados, 130 mil apólices emitidas, 7 milhões de hectares cobertos e R$ 48 bilhões em importância segurada, números ambiciosos que dependem de execução plena.

Toyama cobra compromisso de longo prazo. Sem blindagem, o setor entra em ciclo vicioso: menos seguro leva a mais prejuízos, que geram mais pedidos de socorro público, forçando cortes em programas como o próprio PSR. As seguradoras testam políticas paramétricas, baseadas em índices climáticos, para baratear custos, mas o subsídio federal continua peça-chave para inclusão de médios e pequenos produtores.

O agro exportador, que sustenta a balança comercial com superávit de US$ 100 bilhões anuais, vê a ferramenta PSR para avançar 2026 com safras de soja, milho e algodão projetadas em 300 milhões de toneladas. A derrubada do veto definirá se o campo ganha previsibilidade ou enfrentamento mais um ano de improvisos sob céus incertos.

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