Mato Grosso do Sul, 19 de julho de 2026
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Gerente de funerária é executado em série de crimes que reacende violência na fronteira

Quatro assassinatos em 24 horas expõem atuação de pistoleiros e ampliam clima de insegurança em Ponta Porã
Funcionário de funerária morto dentro de carro da empresa (Foto: Direto das Ruas)
Funcionário de funerária morto dentro de carro da empresa (Foto: Direto das Ruas)

Ponta Porã voltou a viver momentos de forte tensão após uma sequência de homicídios registrados em menos de 24 horas, rompendo um período recente de relativa tranquilidade na cidade localizada na linha internacional com o Paraguai. A escalada da violência deixou quatro homens mortos e reforçou o temor da retomada da atuação de pistoleiros na região de fronteira com Pedro Juan Caballero.

O crime mais recente vitimou um gerente de funerária conhecido como Miro, funcionário da empresa Pax Primavera, tradicional prestadora de serviços funerários que atua tanto em território brasileiro quanto paraguaio. Ele foi executado a tiros enquanto dirigia um veículo da empresa pela Rua Jorge Roberto Salomão, nas proximidades do Cemitério Cristo Rei, em área urbana movimentada.

De acordo com as informações apuradas no local, Miro seguia no automóvel acompanhado do filho, uma criança de oito anos. Durante o ataque, o menino foi atingido na perna e precisou ser socorrido com urgência para atendimento médico. Após os disparos, o carro perdeu o controle, subiu na calçada e só parou ao colidir contra o muro de uma residência, o que aumentou o impacto da cena para moradores da região.

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas ao chegarem constataram que o gerente da funerária já estava sem vida. Até o momento, o nome completo da vítima não foi oficialmente divulgado e não há informações sobre suspeitos identificados ou prisões relacionadas ao caso. O modo de agir reforça a suspeita de execução, prática recorrente em ações de grupos criminosos na fronteira.

Horas antes, outro homicídio já havia sido registrado na cidade. O operador de máquinas Emerson Rodrigo Lemes, de 34 anos, foi morto a tiros enquanto trabalhava na região do Grande Marambaia. Ele operava uma retroescavadeira a serviço de uma empresa terceirizada quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta, que efetuaram os disparos pelas costas e fugiram rapidamente.

Ainda na mesma noite, a violência se repetiu com mais dois assassinatos. Wendrei Ferrer Alvarenga e Wellington Souza de Jesus estavam dentro de um carro, estacionado em frente a uma residência, conversando, quando foram atacados por pistoleiros que se aproximaram em uma motocicleta e abriram fogo. Ambos foram socorridos ao Hospital Regional de Ponta Porã, mas um deles chegou sem vida e o outro não resistiu aos ferimentos, morrendo durante a madrugada.

A sequência de crimes, todos com características semelhantes, reforça a suspeita de atuação de sicários, como são conhecidos os matadores profissionais que operam na região de fronteira. O uso de motocicletas, a rapidez das ações e a escolha precisa das vítimas são elementos recorrentes nesse tipo de crime e dificultam a identificação dos autores.

Apesar da gravidade dos acontecimentos, as autoridades policiais ainda não divulgaram informações oficiais detalhadas sobre as investigações. O silêncio inicial aumenta a apreensão da população, que convive com o histórico de disputas criminosas ligadas a atividades ilícitas que atravessam a fronteira internacional.

A nova onda de assassinatos reacende o debate sobre segurança pública em Ponta Porã, cidade estratégica pela localização geográfica e frequentemente impactada por conflitos entre grupos criminosos. Moradores relatam medo, mudanças na rotina e expectativa por reforço no policiamento e ações mais firmes para conter a violência e garantir a segurança da população.

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