A apuração do Carnaval de São Paulo registrou um fato inédito na história da folia paulistana. Campeã no ano passado, a Rosas de Ouro terminou entre as últimas colocadas e acabou rebaixada para o Grupo de Acesso no ano seguinte à conquista do título. A queda foi confirmada após a soma final das notas e marcou um episódio raro na principal disputa das escolas de samba da capital.
A agremiação não conseguiu superar a penalidade sofrida por não ter entregue a documentação exigida dentro do prazo estabelecido pelo regulamento. A perda de pontos comprometeu o desempenho na tabela e dificultou qualquer reação ao longo da leitura das notas. Mesmo com um desfile considerado consistente por parte da torcida, o impacto administrativo pesou de forma decisiva no resultado final.
Com o enredo Escrito nas Estrelas, a Rosas de Ouro levou para a avenida uma narrativa sobre a criação do universo, explorando elementos visuais ligados ao espaço, à origem da vida e à força dos astros. O samba foi interpretado por Carlos Jr., que conduziu a escola ao longo do percurso. A proposta apostou em alegorias grandiosas e figurinos que buscavam representar o nascimento do cosmos. Ainda assim, as notas não foram suficientes para compensar a penalidade.
Além da Rosas, a Águia de Ouro também terminou nas últimas posições e disputará o Acesso em 2027. A escola apresentou o enredo Mokum Amsterdã: o voo da Águia à cidade libertária, destacando a ligação cultural entre brasileiros e holandeses. Com 268,4 pontos para a Rosas de Ouro e 268,2 para a Águia de Ouro, as duas agremiações ficaram na parte inferior da tabela e confirmaram o rebaixamento.
O sistema de avaliação do Carnaval de São Paulo prevê notas que variam de 8 a 10, com possibilidade de frações em décimos. Cada quesito é analisado por quatro jurados, e a menor nota atribuída a cada escola é descartada, permanecendo apenas as três maiores para a soma final. Em caso de empate, são utilizados critérios de desempate previamente definidos no regulamento. Neste ano, o segundo critério foi o quesito fantasia.
Os julgadores seguem um manual técnico oficial e avaliam a coerência entre o desfile apresentado e o material entregue previamente pelas escolas, que inclui sinopse do enredo, projeto artístico e detalhes técnicos. Cada décimo retirado precisa ser justificado por escrito, o que dá transparência ao processo e permite que as agremiações compreendam os pontos em que perderam avaliação.
A apuração foi marcada por tensão e expectativa. Integrantes da Rosas de Ouro acompanharam a leitura das notas com apreensão, especialmente após a confirmação da penalidade que já havia sido aplicada antes mesmo da disputa das notas artísticas. A soma final consolidou o resultado e confirmou a queda.
O rebaixamento representa um duro golpe para a escola, que vinha de uma celebração recente pelo título. A mudança de cenário exige reestruturação interna, revisão de processos administrativos e planejamento para a disputa no Grupo de Acesso, onde a competição é igualmente acirrada e apenas as melhores retornam ao Grupo Especial.
Para o Carnaval de São Paulo, o episódio entra para os registros como um marco histórico. Nunca antes uma campeã havia sido rebaixada na edição seguinte. A situação evidencia o peso das regras e a importância do cumprimento rigoroso dos prazos e exigências formais, que podem ser tão determinantes quanto o desempenho artístico na avenida.
Agora, a Rosas de Ouro terá pela frente o desafio de reorganizar a casa, recuperar a confiança da comunidade e buscar o retorno à elite do samba paulistano. A Águia de Ouro também inicia um novo ciclo, com foco na reconstrução e na busca por melhores resultados na próxima temporada.
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