Mato Grosso do Sul, 3 de julho de 2026
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Operação da PF revela esquema bilionário de lavagem de dinheiro e mira grupo investigado por ligação com o PCC

Investigação aponta movimentação superior a R$ 10 bilhões, cumpre mandados em cidades paulistas, prende suspeita apontada como operadora financeira e mantém empresário entre os foragidos
Imagem - Reprodução/GloboNews
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A Polícia Federal desencadeou, nesta sexta-feira, a Operação Exchange para desarticular uma complexa estrutura financeira investigada por supostamente atuar na lavagem de dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ofensiva ocorre após o avanço das investigações que identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 10 bilhões atribuídas aos investigados, valor considerado um dos maiores já apurados em operações voltadas ao combate ao crime organizado no país.

As investigações apontam que o grupo teria desenvolvido um sofisticado sistema destinado a ocultar a origem de recursos provenientes de atividades criminosas, utilizando mecanismos financeiros variados para dificultar o rastreamento das operações e dar aparência de legalidade aos valores movimentados.

De acordo com os elementos reunidos durante a investigação, o esquema funcionava por meio de uma ampla rede de operadores responsáveis pela circulação de grandes quantias de dinheiro. Entre as estratégias identificadas estão movimentações bancárias de elevado valor, utilização de empresas, repasses entre pessoas físicas e jurídicas, transporte de dinheiro em espécie e operações envolvendo criptoativos, consideradas pelos investigadores como parte da estrutura utilizada para ocultação patrimonial.

As análises financeiras realizadas ao longo da investigação permitiram identificar movimentações que ultrapassam R$ 10 bilhões, números que ainda poderão ser ampliados à medida que novas informações forem incorporadas ao inquérito policial.

Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

Além das medidas de prisão e busca, a Justiça autorizou o sequestro de bens, contas bancárias, aplicações financeiras e criptoativos pertencentes aos investigados até o limite aproximado de R$ 10,4 bilhões. A medida busca impedir eventual ocultação de patrimônio e preservar recursos que poderão ser objeto de futuras decisões judiciais.

Mais de cinquenta policiais federais participaram da ação, que integra um conjunto de medidas voltadas ao enfrentamento das estruturas financeiras utilizadas por organizações criminosas para movimentar recursos em larga escala.

Entre os principais investigados está o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como um dos integrantes considerados estratégicos dentro da estrutura financeira investigada. Segundo as autoridades responsáveis pela apuração, ele seria um dos responsáveis pela articulação de operações financeiras utilizadas para movimentação de recursos ligados ao grupo criminoso.

As investigações também indicam que Victor Shimada figura entre as pessoas recentemente sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Conforme o comunicado divulgado pelas autoridades norte-americanas, ele seria considerado um elo importante na estrutura financeira investigada e teria participado da lavagem de valores milionários em diferentes cidades norte-americanas.

Até o momento da divulgação da operação, Victor Shimada permanecia foragido, sendo procurado pelas autoridades responsáveis pelo cumprimento das ordens judiciais.

Outra investigada de destaque é Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como integrante da estrutura responsável pela logística financeira da organização. Segundo as investigações, ela teria desempenhado papel relevante na coleta e movimentação de grandes quantias de dinheiro utilizadas pelo esquema investigado.

A suspeita foi presa durante o cumprimento dos mandados expedidos pela Justiça. Conforme as apurações, sua atuação consistiria na organização de serviços considerados essenciais para o funcionamento da rede responsável pela circulação dos recursos investigados.

A Polícia Federal apura se outros integrantes desempenhavam funções específicas dentro da estrutura financeira, incluindo transporte de valores, administração de empresas utilizadas nas operações e coordenação das movimentações bancárias realizadas em diferentes localidades.

O bloqueio patrimonial determinado pela Justiça representa uma das principais medidas adotadas durante a operação. O objetivo é impedir a dissipação dos recursos considerados suspeitos enquanto prosseguem as investigações sobre a origem do patrimônio e sua possível ligação com atividades criminosas.

As autoridades também analisam documentos, equipamentos eletrônicos, registros bancários, contratos empresariais e arquivos digitais apreendidos durante o cumprimento dos mandados. Esse material deverá auxiliar na identificação de novos envolvidos e no aprofundamento das investigações financeiras.

Em nota, a defesa de Victor Henrique de Oliveira Shimada informou que, até o início da operação, ainda não havia tido acesso às decisões judiciais nem ao conteúdo completo da investigação.

Segundo o advogado responsável, qualquer manifestação detalhada sobre os fatos seria prematura antes da análise técnica dos autos. A defesa afirmou que adotará todas as medidas jurídicas cabíveis após conhecer integralmente o processo.

Em posicionamento anterior, apresentado após a divulgação das sanções internacionais, a defesa reiterou que Victor Shimada nega qualquer participação em organização criminosa ou em práticas de lavagem de dinheiro.

Até o momento da divulgação da operação, os representantes legais de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira não haviam sido localizados para manifestação.

As investigações prosseguem com o objetivo de identificar toda a estrutura financeira utilizada pelo grupo, rastrear o destino dos recursos movimentados e verificar a possível participação de outras pessoas físicas e jurídicas nas operações investigadas.

A Operação Exchange representa mais uma ofensiva das autoridades contra os mecanismos financeiros utilizados pelo crime organizado para movimentar grandes volumes de dinheiro, ocultar patrimônio e sustentar atividades ilícitas em diferentes regiões do país e no exterior.

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