Mato Grosso do Sul, 24 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Quilombo Tia Eva em Campo Grande será o primeiro do Brasil reconhecido e tombado como patrimônio histórico pelo Iphan

Comunidade fundada por Eva Maria de Jesus no século XIX inaugura novo livro de registro nacional dedicado a territórios quilombolas e marca reconhecimento oficial da memória e resistência negra
Igreja São Benedito vai ser restaurada na Comunidade Tia Eva - Imagem - Bruno Rezende/Secom
Igreja São Benedito vai ser restaurada na Comunidade Tia Eva - Imagem - Bruno Rezende/Secom

Um importante capítulo da história cultural brasileira será registrado oficialmente em Mato Grosso do Sul. A Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, localizada em Campo Grande, será o primeiro território quilombola do país a receber o reconhecimento formal de tombamento como patrimônio histórico nacional.

A declaração oficial ocorrerá durante reunião do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O reconhecimento marca também a estreia de um novo instrumento de registro criado especialmente para preservar a memória histórica de comunidades quilombolas no Brasil.

Com essa medida, o quilombo conhecido popularmente como Comunidade Tia Eva passará a integrar o Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, um registro criado para reconhecer e proteger territórios que guardam importantes marcos da resistência da população negra no país.

A iniciativa representa um passo relevante na preservação da história de comunidades formadas por descendentes de pessoas escravizadas que lutaram por liberdade e autonomia ao longo da história brasileira.

Localizada na capital sul-mato-grossense, a comunidade carrega um legado histórico que atravessa gerações. O território foi fundado pela líder comunitária Eva Maria de Jesus, conhecida como Tia Eva, uma mulher negra que viveu entre os anos de 1848 e 1929.

Liberta da escravidão ainda no século XIX, Tia Eva chegou à região que hoje corresponde ao sul do antigo estado de Mato Grosso e iniciou ali a construção de uma comunidade baseada na fé, na solidariedade e na resistência cultural. Com o passar do tempo, o local se consolidou como um espaço de convivência e identidade para famílias negras que buscavam reconstruir suas vidas após o período de escravidão.

A história de Tia Eva se tornou referência para os moradores da região e para a preservação da memória afro-brasileira no estado. Reconhecida como benzedeira e líder espiritual, ela desempenhou papel fundamental na organização da comunidade que se formou ao redor de sua residência.

Com o crescimento urbano de Campo Grande ao longo das décadas, a antiga comunidade rural acabou sendo incorporada ao espaço urbano da capital, mas manteve suas tradições culturais, religiosas e familiares preservadas entre seus moradores.

Atualmente, descendentes diretos da fundadora continuam vivendo no território, mantendo viva a história que começou há mais de um século. Entre eles estão familiares que carregam o legado cultural transmitido de geração em geração.

Para moradores da comunidade, o tombamento representa um reconhecimento histórico da importância do território e da trajetória de seus antepassados. Além de valorizar a memória da fundadora, a medida também fortalece o sentimento de pertencimento entre as novas gerações que vivem no local.

O processo de reconhecimento começou a ser desenvolvido recentemente, quando técnicos especializados iniciaram estudos sobre a relevância histórica da comunidade e sua contribuição para a preservação da cultura afro-brasileira em Mato Grosso do Sul.

Durante o processo, foram realizadas conversas com moradores, levantamento de documentos históricos e análise das características culturais e sociais do território. Esse trabalho permitiu reunir informações que comprovaram a importância histórica da comunidade para o patrimônio cultural brasileiro.

O reconhecimento do quilombo também inaugura uma nova política de preservação cultural voltada especificamente para territórios quilombolas. Um regulamento nacional passou a orientar o registro desses locais, estabelecendo critérios para a proteção de espaços que preservam memórias da resistência negra no país.

Entre os princípios adotados nesse processo estão o respeito à autodeterminação das comunidades quilombolas e a participação direta dos moradores nas decisões relacionadas ao reconhecimento de seus territórios.

O novo livro de registro também busca valorizar as histórias de luta pela liberdade que marcaram a formação dos quilombos no Brasil, reconhecendo esses territórios como símbolos de resistência contra a escravidão e a discriminação racial.

A expectativa é que o reconhecimento do Quilombo Tia Eva abra caminho para que outros territórios quilombolas espalhados pelo país também sejam oficialmente reconhecidos como patrimônio histórico.

Além da valorização cultural, o tombamento pode contribuir para fortalecer projetos de preservação, incentivar atividades educativas e ampliar o interesse de pesquisadores e visitantes pela história da comunidade.

Para os moradores, o reconhecimento nacional representa não apenas a preservação de um território histórico, mas também o registro permanente de uma trajetória construída por pessoas que transformaram dificuldades em resistência e identidade cultural.

Assim, a comunidade fundada por Tia Eva passa a ocupar um lugar de destaque na história brasileira, tornando-se símbolo de memória, tradição e continuidade cultural dentro do cenário urbano de Campo Grande.

#Cultura #PatrimonioHistorico #Quilombo #CampoGrande #MatoGrossoDoSul #HistoriaDoBrasil #CulturaAfroBrasileira #Memoria #PatrimonioCultural #ComunidadeQuilombola #IdentidadeCultural #Brasil

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.