Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
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Inmetro realiza operação nacional e identifica 948 irregularidades em postos de combustíveis e produtos da cesta básica

Ação integrada mobiliza órgãos federais, revela falhas em bombas de abastecimento e identifica produtos com peso abaixo do indicado nas embalagens
Imagem - Hugo Barreto
Imagem - Hugo Barreto

Uma grande operação de fiscalização realizada em diversas regiões do Brasil identificou 948 irregularidades em postos de combustíveis e em produtos da cesta básica comercializados no país. A ação ocorreu entre os dias 10 e 12 de março e mobilizou equipes técnicas que realizaram inspeções em equipamentos de abastecimento, verificaram a qualidade dos combustíveis e analisaram o peso de alimentos vendidos em supermercados e estabelecimentos comerciais.

A operação foi conduzida pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia em conjunto com órgãos da Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade do Inmetro, além da participação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e da Secretaria Nacional do Consumidor. A coordenação das atividades ocorreu no âmbito do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A mobilização concentrou esforços na verificação de possíveis fraudes eletrônicas em bombas de combustíveis e na medição do volume efetivamente entregue ao consumidor durante o abastecimento. Técnicos especializados analisaram o funcionamento dos equipamentos, avaliaram os sistemas eletrônicos das bombas e conferiram a precisão das medições.

Durante as inspeções foram avaliados 3.651 bicos de abastecimento em postos espalhados pelo território nacional. Desse total, 831 apresentaram irregularidades e foram reprovados pelos fiscais, índice que corresponde a aproximadamente 23% dos equipamentos analisados. Os problemas encontrados indicam falhas que podem resultar em prejuízo direto ao consumidor no momento do abastecimento.

Entre as irregularidades mais frequentes identificadas durante a fiscalização estão indícios de adulteração nas placas eletrônicas das bombas medidoras, defeitos de conservação nos equipamentos, vazamentos de combustível, erros no volume entregue ao consumidor e lacres de segurança rompidos. Esses elementos levantam suspeitas de manipulação ou funcionamento inadequado das bombas.

Paralelamente à verificação técnica dos equipamentos, equipes de fiscalização também realizaram inspeções em postos de combustíveis para avaliar a qualidade do produto comercializado. Ao todo, 123 estabelecimentos foram fiscalizados e 32 autos de infração foram emitidos após constatação de irregularidades relacionadas ao armazenamento, comercialização ou qualidade dos combustíveis.

Os resultados da operação também revelaram diferenças significativas entre os estados brasileiros no índice de reprovação dos equipamentos analisados. O Rio Grande do Norte registrou o maior percentual de irregularidades entre os bicos de abastecimento fiscalizados, com todos os equipamentos avaliados apresentando problemas.

Na sequência aparecem o Ceará com 43% de reprovação, o Mato Grosso do Sul com 34% e Santa Catarina com 28% de irregularidades nos locais vistoriados. Esses números indicam a necessidade de reforço nas ações de fiscalização e manutenção dos equipamentos de abastecimento.

Outras unidades da federação apresentaram índices menores de reprovação. O Alagoas registrou 20%, enquanto o Distrito Federal apresentou 18% de equipamentos com problemas. Já o São Paulo apresentou 9% de reprovação e o Acre registrou 4%.

Entre os estados com melhor resultado aparecem a Paraíba com 2% de irregularidades e Roraima, onde não foram encontrados bicos de abastecimento reprovados durante as fiscalizações realizadas.

Além da fiscalização em postos de combustíveis, a operação também verificou produtos da cesta básica vendidos já embalados ao consumidor. Foram analisados alimentos como arroz, açúcar, farinha, feijão e macarrão, itens essenciais presentes na rotina de consumo das famílias brasileiras.

Durante essa etapa da operação foram visitados 111 estabelecimentos comerciais. As equipes técnicas analisaram 4.558 produtos pré-medidos, verificando se o peso indicado nas embalagens correspondia à quantidade real de produto presente no interior dos pacotes.

O resultado das análises apontou que 85 itens apresentavam peso inferior ao informado no rótulo da embalagem. Esses produtos foram recolhidos e encaminhados para análises laboratoriais, que irão determinar com precisão as diferenças encontradas entre o peso declarado e o conteúdo real.

A fiscalização busca assegurar que o consumidor receba exatamente aquilo pelo qual está pagando. O controle metrológico e a verificação de qualidade são considerados instrumentos fundamentais para garantir relações de consumo equilibradas e evitar prejuízos à população.

A legislação brasileira estabelece que os estabelecimentos autuados têm prazo de até dez dias para apresentar defesa administrativa junto ao órgão responsável pela fiscalização. Após análise dos argumentos apresentados, poderão ser aplicadas penalidades previstas na legislação vigente.

As multas podem alcançar valores de até um milhão e quinhentos mil reais, dependendo do porte da empresa, da reincidência na prática da irregularidade e da gravidade das infrações constatadas durante a fiscalização.

As autoridades também orientam os consumidores a adotarem alguns cuidados simples no momento do abastecimento e na compra de produtos embalados. Verificar a presença do selo de verificação nas bombas de combustível, observar as condições dos equipamentos e desconfiar de preços muito abaixo da média de mercado são atitudes recomendadas.

No caso da compra de alimentos, o consumidor deve conferir o peso indicado na embalagem, observar a integridade do pacote e comparar diferentes marcas para identificar possíveis divergências entre peso e quantidade.

Caso haja suspeita de irregularidade, o consumidor pode registrar denúncia por meio da plataforma Fala.Br ou procurar os canais de atendimento da ouvidoria do Inmetro e dos órgãos estaduais de metrologia. As denúncias são consideradas importantes ferramentas para reforçar o controle e ampliar a fiscalização no comércio brasileiro.

A operação nacional demonstra a dimensão dos desafios enfrentados na fiscalização de produtos e serviços essenciais no país. Ao mesmo tempo, reforça a importância da presença constante de órgãos de controle para assegurar transparência nas relações comerciais e proteger os direitos do consumidor.

Denúncias

Em caso de suspeita de irregularidades, o consumidor pode registrar manifestação no Fala.Br, entrar em contato com a Ouvidoria do Inmetro pelo telefone 0800 285 1818 (de segunda a sexta-feira, das 8 h às 16 h 30 min) ou pelo endereço gov.br/inmetro/ouvidoria, além de procurar o órgão da RBMLQ-I em seu estado.

Também é possível acionar a ANP pelo telefone 0800 970 0267.

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