Mato Grosso do Sul, 14 de julho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Operação prende quatro suspeitos e avança nas investigações sobre assassinato de mulher encontrada na região do Inferninho

Prisões realizadas em Campo Grande representam novo desdobramento da apuração da morte de Giovana Castura Werner, cujo corpo foi localizado às margens da estrada com marca de disparo na cabeça
Policiais no local onde o corpo da vítima foi encontrado(Foto: Fábio Rodrigues)
Policiais no local onde o corpo da vítima foi encontrado(Foto: Fábio Rodrigues)

A investigação sobre a morte de Giovana Castura Werner, de 51 anos, ganhou um novo capítulo na manhã desta terça-feira (14), quando uma operação policial resultou na prisão de quatro homens suspeitos de envolvimento no crime. A ação foi realizada em diferentes pontos de Campo Grande e integra o conjunto de diligências desenvolvidas pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela apuração do caso desde o fim de março.

Além das prisões, outras pessoas foram intimadas a prestar depoimento para esclarecer circunstâncias que ainda permanecem sob investigação. Os investigadores buscam reunir novos elementos que permitam esclarecer a dinâmica do homicídio, identificar a participação de cada envolvido e concluir todas as etapas do inquérito policial.

Giovana foi encontrada morta na manhã de 24 de março, em uma área próxima à Cachoeira do Inferninho, região bastante conhecida de Campo Grande. O corpo estava às margens da estrada de acesso ao local, apresentando uma perfuração provocada por disparo de arma de fogo na cabeça.

Segundo as investigações, a vítima foi localizada seminua. Ela vestia um short e uma peça de roupa cobria parcialmente o tronco. Durante a identificação, chamou a atenção uma tatuagem na região da costela com a frase “Que seja infinito tudo aquilo que nos faz bem”, característica que auxiliou na confirmação de sua identidade.

Equipes do Corpo de Bombeiros foram as primeiras a chegar ao local e confirmaram o óbito. Logo depois, a Polícia Militar isolou a área para o trabalho da perícia criminal e da Polícia Civil, que iniciaram os levantamentos técnicos.

Os primeiros exames realizados na cena do crime apontaram um detalhe considerado importante pelos investigadores. Como não havia quantidade significativa de sangue no local onde o corpo foi encontrado, surgiu a suspeita de que o homicídio possa ter ocorrido em outro endereço e que a vítima tenha sido levada posteriormente até a região do Inferninho, onde o corpo teria sido abandonado para dificultar as investigações.

Após a identificação da vítima, a Polícia Civil constatou que uma amiga de Giovana já havia registrado seu desaparecimento. Segundo o relato, ela não era vista desde a noite de 23 de março, poucas horas antes de seu corpo ser localizado.

As informações prestadas por familiares e pessoas próximas contribuíram para a continuidade das diligências. Durante as buscas, os investigadores conseguiram localizar o veículo utilizado por Giovana no Jardim Colúmbia, na região norte da Capital, fato considerado importante para reconstruir seus últimos deslocamentos antes do crime.

Conforme explicou o delegado Caio Macedo, responsável pela investigação, uma das linhas de apuração indica que o homicídio pode estar relacionado à atividade de agiotagem que, segundo as investigações, seria exercida pela vítima.

Entre as hipóteses analisadas pela Polícia Civil está a possibilidade de que os suspeitos soubessem que Giovana transportava dinheiro em razão dessa atividade. A partir dessa informação, conforme a linha investigativa, teria sido organizada uma emboscada com o objetivo de roubar os valores que ela estaria levando.

As autoridades ressaltam, entretanto, que essa hipótese ainda faz parte da investigação e dependerá da análise de provas técnicas, depoimentos, perícias e demais elementos reunidos durante o inquérito policial.

Com as prisões realizadas nesta terça-feira, a expectativa dos investigadores é aprofundar os interrogatórios e confrontar as versões apresentadas pelos suspeitos com as provas já produzidas ao longo dos últimos meses.

A investigação também busca identificar se outras pessoas participaram direta ou indiretamente do planejamento, da execução ou da ocultação do crime, motivo pelo qual novas oitivas continuam sendo realizadas pela equipe responsável pelo caso.

Inicialmente, o desaparecimento de Giovana foi registrado e acompanhado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). No entanto, diante das circunstâncias constatadas após a localização do corpo e dos indícios de execução, o procedimento foi encaminhado à DHPP, que assumiu integralmente as investigações como homicídio.

Desde então, policiais civis realizaram diversas diligências, analisaram imagens, ouviram testemunhas, rastrearam movimentações da vítima e reuniram informações que levaram às prisões efetuadas nesta semana.

Mesmo com o avanço das investigações, a Polícia Civil informa que o trabalho continua e novas diligências poderão ser realizadas para esclarecer completamente a motivação do crime, identificar todos os envolvidos e consolidar as provas que serão encaminhadas ao Poder Judiciário.

Os quatro presos permanecerão à disposição da Justiça durante a continuidade da investigação. Até o encerramento do processo, todos têm assegurados os direitos constitucionais à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

O assassinato de Giovana Castura Werner causou grande repercussão em Campo Grande desde março, principalmente pelas circunstâncias em que o corpo foi encontrado. Com as prisões realizadas nesta terça-feira, a Polícia Civil considera que a investigação entrou em uma nova fase, voltada ao esclarecimento definitivo da execução e da participação de cada investigado no caso.

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