Mato Grosso do Sul, 17 de julho de 2026
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Técnico de enfermagem é preso acusado de torturar adolescente com deficiência durante atendimento domiciliar em Campo Grande

Investigação revelou agressões físicas, maus-tratos e condutas que colocavam em risco a vida de um jovem que necessita de cuidados permanentes e não consegue se comunicar verbalmente
(Foto: Adilson Domingos)
(Foto: Adilson Domingos)

Um técnico de enfermagem, de 28 anos, foi preso preventivamente em Campo Grande após investigação apontar que ele teria submetido um adolescente de 14 anos, portador de deficiência severa, a repetidos episódios de tortura e maus-tratos durante o período em que prestava atendimento domiciliar. A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), que apura o caso como crime de extrema gravidade contra uma vítima totalmente dependente de cuidados especializados.

A investigação teve início após familiares perceberem mudanças preocupantes no comportamento do adolescente, que sofre de encefalopatia crônica, possui limitações severas e necessita de assistência integral durante todo o dia. Como o jovem não consegue se comunicar verbalmente, ele não tinha condições de relatar o que acontecia enquanto permanecia sob os cuidados do profissional contratado por uma empresa especializada em atendimento domiciliar.

Os pais começaram a notar alterações significativas no estado de saúde e no comportamento do filho. O adolescente passou a apresentar dificuldades para dormir, episódios frequentes de terror noturno, agitação intensa e um aumento expressivo das crises convulsivas, situação que despertou preocupação entre familiares e outros profissionais responsáveis pelo acompanhamento médico e terapêutico.

Diante das mudanças inesperadas, a família decidiu verificar as imagens registradas pelas câmeras de segurança instaladas na residência. Foi nesse momento que surgiram as primeiras evidências das agressões que, segundo a investigação, vinham sendo praticadas de forma recorrente durante os atendimentos.

As gravações mostraram o técnico de enfermagem realizando procedimentos considerados extremamente perigosos para a condição clínica do adolescente. Em diversos momentos, ele posicionava a cadeira de rodas da vítima de forma invertida, deixando a cabeça voltada para baixo e expondo o jovem ao risco de broncoaspiração, complicação que poderia provocar graves consequências respiratórias e até colocar sua vida em perigo.

Além dessa conduta, as imagens também registraram episódios em que o investigado desferia tapas na cabeça e no rosto do adolescente, mesmo sabendo que a vítima não tinha qualquer possibilidade de reagir ou pedir ajuda.

As investigações apontaram ainda outra situação considerada alarmante. Apesar de conhecer o histórico médico do adolescente, que apresenta sérios problemas pulmonares e necessita de cuidados constantes para preservar sua capacidade respiratória, o técnico de enfermagem fumava nas proximidades da vítima durante o atendimento, expondo o jovem à fumaça do cigarro e agravando ainda mais os riscos à sua saúde.

Após a análise do conjunto de provas reunidas durante a investigação, a DEPCA representou pela prisão preventiva do investigado. O pedido foi analisado pelo Poder Judiciário, que considerou a gravidade dos fatos, os indícios apresentados e autorizou a expedição do mandado de prisão.

O suspeito foi localizado, preso e conduzido para a delegacia, onde prestou depoimento aos investigadores. Após ser interrogado, permaneceu à disposição da Justiça para os procedimentos legais e para a realização da audiência de custódia.

A Polícia Civil continua apurando todos os detalhes do caso para verificar se houve outros episódios de violência durante o período em que o profissional atuava no atendimento domiciliar da vítima. Também serão analisadas todas as imagens disponíveis e demais elementos que possam reforçar a responsabilização criminal do investigado.

O caso provocou forte repercussão pela vulnerabilidade da vítima, que depende integralmente de terceiros para alimentação, locomoção, higiene e demais cuidados diários. As investigações destacam que justamente essa condição de extrema fragilidade tornou o adolescente ainda mais exposto às agressões praticadas por quem tinha a obrigação de protegê-lo e garantir sua segurança.

A apuração também deverá avaliar se houve falhas na fiscalização dos serviços prestados pela empresa responsável pela contratação do profissional e se outras medidas administrativas poderão ser adotadas durante o andamento do processo.

A Polícia Civil reforça que crimes cometidos contra crianças, adolescentes e pessoas com deficiência recebem tratamento prioritário e que denúncias de maus-tratos ou qualquer forma de violência devem ser comunicadas imediatamente às autoridades para que as medidas legais sejam adotadas e novas vítimas sejam protegidas.

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