A fuga de três detentos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, mobilizou as forças de segurança de Mato Grosso do Sul e colocou novamente nas ruas criminosos considerados de alta periculosidade. Entre os foragidos está um homem apontado pelas investigações como integrante de uma organização especializada em ataques a bancos e explosões de caixas eletrônicos, além de dois condenados por tráfico de drogas que já haviam sido presos em grandes operações policiais realizadas na Capital.
A ausência dos internos foi descoberta durante uma conferência de rotina realizada por agentes penitenciários. A partir da constatação da fuga, equipes das forças de segurança iniciaram buscas na tentativa de localizar os três condenados, enquanto procedimentos internos passaram a apurar como a evasão ocorreu.
Os fugitivos foram identificados como Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa. Todos cumpriam pena por crimes graves e possuem histórico de envolvimento com organizações criminosas, tráfico de drogas e roubos de grande impacto.
Entre os três, o nome que mais chama a atenção das autoridades é o de Ítalo de Moraes. Ele é sobrinho de José Cláudio Arantes, conhecido nacionalmente como “Tio Arantes”, apontado pelas investigações policiais como um dos maiores assaltantes de bancos do Brasil e responsável por diversas ações criminosas envolvendo explosões de caixas eletrônicos e ataques a instituições financeiras em vários estados.
Ítalo ganhou notoriedade durante as investigações relacionadas ao ataque contra caixas eletrônicos instalados no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. Conforme os levantamentos policiais realizados na época, ele ocupava posição estratégica dentro da organização criminosa comandada pelo tio.
Segundo as investigações, sua função não era apenas participar das ações criminosas. Ele também seria responsável pela articulação logística dos ataques, mantendo contato entre integrantes da quadrilha, organizando deslocamentos e oferecendo apoio para criminosos especializados em roubos a bancos que vinham de outros estados para atuar em Mato Grosso do Sul.
Os investigadores chegaram a classificá-lo como um dos principais homens de confiança do líder da organização. Após a operação policial que desarticulou parte da quadrilha, Ítalo permaneceu foragido por um período até ser localizado utilizando documentos falsos para tentar esconder sua verdadeira identidade.
Além das acusações relacionadas aos ataques contra instituições financeiras, ele também responde por tráfico de drogas, associação criminosa e outros delitos investigados ao longo dos últimos anos.
Outro integrante da fuga é Bruno Araújo da Silva, condenado por tráfico de drogas após ser preso durante uma operação da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico.
Na época da prisão, a investigação apontava que Bruno fazia parte de um grupo criminoso conhecido como “Bonde do VP”, suspeito de abastecer diversos pontos de venda de entorpecentes em Campo Grande.
Durante o cumprimento dos mandados, policiais localizaram cocaína, dinheiro em espécie, aparelhos celulares e outros materiais utilizados na atividade criminosa. Em um dos celulares apreendidos foram encontradas fotografias do investigado exibindo arma de fogo, além de mensagens e músicas exaltando a atuação do grupo criminoso.
Apesar da referência ao nome “VP”, as investigações não identificaram qualquer ligação direta entre esse grupo e organizações criminosas sediadas no Rio de Janeiro. Ainda assim, Bruno acabou condenado pelo envolvimento com o tráfico de drogas.
O terceiro fugitivo é Thiago Pereira Costa, condenado por tráfico e associação para o tráfico após ser preso em flagrante durante uma operação realizada pela Denar.
Na ocasião, os investigadores localizaram uma residência utilizada exclusivamente para armazenamento e distribuição de drogas no Jardim Nova Jerusalém, em Campo Grande.
Dentro do imóvel foram encontrados aproximadamente 3,44 quilos de cocaína e pouco mais de 1,5 quilo de maconha. Parte da droga já estava fracionada em pequenas porções prontas para comercialização, enquanto outra quantidade permanecia escondida dentro de um forno da residência para dificultar sua localização.
Segundo a investigação, o grupo utilizava o imóvel como centro de distribuição de entorpecentes destinados a usuários e pequenos traficantes, principalmente na região das Moreninhas e bairros vizinhos. Após a conclusão do processo criminal, Thiago foi condenado a seis anos de prisão.
A fuga dos três internos rapidamente gerou informações desencontradas sobre uma possível invasão ao presídio por homens armados. No entanto, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário informou que essa versão não corresponde aos fatos apurados até o momento.
De acordo com o órgão responsável pela administração das unidades prisionais, não houve registro de invasão, confronto ou entrada de pessoas armadas no estabelecimento penal. A ausência dos presos foi percebida apenas durante a conferência diária dos custodiados realizada pelos servidores da unidade.
Após a confirmação da fuga, foi instaurado procedimento administrativo para investigar todas as circunstâncias da evasão, identificar eventuais falhas de segurança e esclarecer de que forma os três detentos conseguiram deixar o presídio.
Enquanto a investigação administrativa avança, policiais civis, militares e equipes especializadas continuam realizando diligências em Campo Grande e em outras regiões do Estado para tentar localizar os fugitivos.
As forças de segurança também reforçaram o alerta para que qualquer informação sobre o paradeiro dos três condenados seja comunicada imediatamente às autoridades policiais, já que todos possuem antecedentes por crimes considerados de elevada gravidade e representam risco à segurança pública.
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