Mato Grosso do Sul, 22 de julho de 2026
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Fifa estuda Copa do Mundo com 64 seleções e proposta pode provocar uma revolução no futebol mundial

Expansão defendida por Gianni Infantino promete ampliar a participação de países no principal torneio do planeta, mas também levanta preocupações sobre impacto financeiro, calendário, eliminatórias e equilíbrio das competições internacionais
Infantino é presidente da Fifa desde 2016
FABRICE COFFRINI / AFP
Infantino é presidente da Fifa desde 2016 FABRICE COFFRINI / AFP

A possibilidade de uma Copa do Mundo com 64 seleções voltou a movimentar os bastidores do futebol internacional e pode representar uma das maiores transformações da história da modalidade. Antes mesmo da realização da primeira edição do Mundial com 48 participantes, a Federação Internacional de Futebol já admite discutir uma nova ampliação do torneio, proposta que promete mudar profundamente não apenas a competição, mas também toda a estrutura econômica que movimenta bilhões de dólares em torno do esporte.

A ideia foi mencionada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao afirmar que o assunto poderá ser analisado após a realização da Copa de 2026. Embora ainda não exista qualquer definição oficial sobre a mudança, a possibilidade já desperta reações entre dirigentes, federações e especialistas, que avaliam os impactos esportivos, financeiros e comerciais de um torneio ainda maior.

Caso a proposta avance, a Copa do Mundo passaria por uma reformulação sem precedentes. O aumento no número de seleções classificadas significaria mais partidas, mais dias de competição e uma estrutura muito mais robusta para atender às necessidades de um evento desse porte.

Na prática, uma competição com 64 equipes exigiria um número maior de estádios, centros de treinamento, hotéis, aeroportos preparados para receber milhares de delegações e torcedores, além de investimentos elevados em transporte, segurança e infraestrutura urbana nas cidades-sede.

Além dos desafios operacionais, especialistas apontam que a principal mudança poderá ocorrer na economia do futebol internacional. Com mais vagas disponíveis para o Mundial, a classificação das seleções consideradas tradicionais passaria a ser menos difícil, reduzindo parte da competitividade das eliminatórias continentais.

Esse cenário pode alterar diretamente o valor comercial das competições classificatórias. Emissoras de televisão, patrocinadores e investidores tendem a direcionar maior atenção ao torneio principal, diminuindo o interesse financeiro pelas disputas que antecedem a Copa do Mundo.

Como consequência, as confederações continentais poderão enfrentar dificuldades para manter o atual volume de receitas geradas pelas eliminatórias. Esse movimento aumentaria a dependência financeira dessas entidades em relação aos recursos distribuídos pela própria Fifa.

Na avaliação de analistas do setor esportivo, essa mudança fortaleceria ainda mais o papel da entidade máxima do futebol mundial, concentrando maior influência econômica sobre as federações espalhadas pelos diferentes continentes.

Enquanto parte dos dirigentes considera positiva a possibilidade de ampliar a participação de países menos tradicionais, importantes entidades do futebol internacional demonstram preocupação com a proposta.

Entre os principais argumentos apresentados pelos críticos está o risco de perda de qualidade técnica da competição, já que o aumento expressivo do número de seleções poderá reduzir o nível de equilíbrio esportivo em algumas fases do torneio.

Outro ponto levantado envolve o calendário internacional. Clubes, ligas nacionais e competições continentais já enfrentam dificuldades para acomodar todas as datas disponíveis ao longo da temporada. Uma Copa do Mundo maior exigiria ainda mais espaço no calendário, aumentando o desgaste físico dos atletas e provocando alterações em diversos campeonatos.

Também existe preocupação quanto ao impacto sobre os jogadores, que passariam mais tempo concentrados em competições internacionais, reduzindo o período destinado ao descanso e à preparação para as temporadas pelos clubes.

Apesar das críticas, a Fifa argumenta que ampliar o número de participantes representa uma oportunidade de democratizar ainda mais o futebol mundial. O entendimento da entidade é que países de menor tradição esportiva passariam a ter maiores possibilidades de disputar a principal competição do planeta.

Esse incentivo poderia fortalecer projetos de desenvolvimento do futebol em diversas regiões que atualmente possuem poucas chances de classificação, estimulando investimentos em categorias de base, infraestrutura esportiva e formação de atletas.

A proposta também pode ampliar significativamente o alcance comercial da Copa do Mundo. Com mais países representados, cresce o interesse de novos mercados consumidores, aumentando o potencial de venda de direitos de transmissão, publicidade, patrocínios e produtos licenciados.

Sob esse aspecto, a expansão do torneio poderá beneficiar diretamente a própria Fifa, que administra uma das maiores marcas esportivas do planeta e concentra boa parte das receitas geradas durante o Mundial.

Por outro lado, dirigentes de importantes confederações internacionais já manifestaram resistência à ideia. O entendimento de parte desses representantes é que uma nova ampliação poderia comprometer o formato competitivo da Copa do Mundo e diminuir a importância das disputas classificatórias realizadas ao longo dos quatro anos que antecedem o torneio.

Mesmo sem qualquer decisão oficial, o simples fato de a proposta estar sendo discutida demonstra que a Fifa continua avaliando alternativas para ampliar o alcance global da competição e aumentar sua capacidade de geração de receitas.

Se confirmada no futuro, a Copa do Mundo com 64 seleções poderá marcar uma nova era para o futebol internacional, modificando desde o formato da competição até a distribuição de recursos financeiros entre federações, confederações e países participantes, provocando mudanças que poderão influenciar todo o cenário esportivo mundial nas próximas décadas.

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