Mato Grosso do Sul, 22 de julho de 2026
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Exército lança megaoperação a partir de Mato Grosso do Sul para reforçar combate ao tráfico e ao crime organizado na fronteira

Operação Jaguaretê será coordenada pelo Comando Militar do Oeste e mobilizará tropas de Santa Catarina a Rondônia em ações integradas de fiscalização, inteligência e patrulhamento nas regiões de fronteira com Paraguai, Bolívia e Argentina
CMO (Comando Militar do Oeste). (Divulgação)
CMO (Comando Militar do Oeste). (Divulgação)

O Exército Brasileiro prepara uma das maiores operações de segurança já planejadas para a faixa de fronteira do País. Coordenada a partir de Mato Grosso do Sul pelo Comando Militar do Oeste (CMO), a Operação Jaguaretê reunirá tropas distribuídas desde Santa Catarina até Rondônia com o objetivo de ampliar o combate ao tráfico de drogas, contrabando, descaminho, organizações criminosas e outros delitos praticados nas regiões de fronteira.

A ofensiva faz parte de uma estratégia nacional voltada ao fortalecimento da presença militar em áreas consideradas sensíveis para a segurança pública e para a soberania nacional. A operação concentrará esforços principalmente nos limites territoriais com Paraguai, Bolívia e Argentina, locais frequentemente utilizados por organizações criminosas para o transporte de drogas, armas, mercadorias ilegais e produtos oriundos de crimes ambientais.

Segundo o planejamento militar, a Operação Jaguaretê foi estruturada ao longo dos últimos meses e já está pronta para ser colocada em prática. A ação utilizará recursos próprios do Exército Brasileiro, característica que, dentro da estrutura da Força Terrestre, classifica a missão como uma operação singular, executada sem necessidade de apoio operacional externo.

A coordenação ficará sob responsabilidade do Comando Militar do Oeste, sediado em Campo Grande, unidade considerada estratégica devido à posição geográfica de Mato Grosso do Sul, que possui uma das maiores extensões de fronteira terrestre do Brasil.

A nova operação não terá atuação isolada. Um dos principais diferenciais será a integração permanente entre o Exército e diversos órgãos responsáveis pela segurança pública e fiscalização nas áreas de fronteira.

Antes mesmo do início das atividades, equipes do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Oeste realizaram reuniões técnicas com representantes de diferentes instituições para alinhar estratégias, compartilhar informações e evitar sobreposição de operações policiais em andamento.

Esse planejamento conjunto busca garantir que cada instituição atue dentro de sua competência, preservando investigações sigilosas e aumentando a eficiência das ações de combate ao crime organizado.

Outro aspecto considerado fundamental pelos militares é o controle das informações operacionais. Em regiões de fronteira, onde existe intenso fluxo de pessoas, mercadorias e comunicação entre diferentes países, o sigilo das operações torna-se indispensável para impedir vazamentos que possam favorecer criminosos.

Por esse motivo, o planejamento da Operação Jaguaretê foi desenvolvido com protocolos rigorosos de segurança e compartilhamento restrito de informações entre os órgãos envolvidos.

Mato Grosso do Sul terá papel central durante toda a execução da operação. O Estado é considerado um dos principais corredores utilizados por organizações criminosas para entrada de drogas provenientes da Bolívia e do Paraguai.

Além disso, a extensa faixa de fronteira seca facilita o deslocamento de grupos criminosos que utilizam estradas vicinais, propriedades rurais e rotas alternativas para tentar escapar da fiscalização.

Dentro do território sul-mato-grossense, as ações terão participação direta da 4ª Brigada de Infantaria Motorizada, instalada em Dourados, da 18ª Brigada de Infantaria do Pantanal e da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada.

Essas unidades contam com apoio tecnológico do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, conhecido como Sisfron, considerado um dos mais modernos programas brasileiros de vigilância terrestre.

O sistema reúne radares, sensores eletrônicos, câmeras de alta definição, equipamentos de comunicação, centros de inteligência e monitoramento em tempo real, permitindo identificar movimentações suspeitas em áreas de difícil acesso e apoiar rapidamente as equipes em campo.

Na região de Dourados, onde a implantação do Sisfron já alcançou estágio avançado, a tecnologia deverá desempenhar papel decisivo na localização de veículos, embarcações e pessoas suspeitas de envolvimento com atividades criminosas.

A Operação Jaguaretê também será desenvolvida em outros estados brasileiros que possuem áreas de fronteira internacional. Em Cascavel, no Paraná, por exemplo, militares da 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada já intensificaram patrulhamentos, bloqueios rodoviários, fiscalizações de veículos e monitoramento de áreas consideradas estratégicas.

As ações incluem patrulhamento terrestre e fluvial, instalação de postos de bloqueio, fiscalização de embarcações, inspeção de cargas, abordagem de veículos e verificação de pessoas que circulam nas regiões de fronteira.

O objetivo é dificultar a atuação das organizações criminosas e impedir o transporte de drogas, armas, cigarros contrabandeados, produtos ilegais, mercadorias sem documentação fiscal e materiais ligados a crimes ambientais.

O trabalho contará com apoio permanente de diversos órgãos federais e estaduais, entre eles Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, polícias Civil e Militar, além do Departamento de Operações de Fronteira, referência nacional no enfrentamento aos crimes transfronteiriços em Mato Grosso do Sul.

A integração entre inteligência, fiscalização e patrulhamento tem sido considerada um dos principais fatores para o aumento das apreensões registradas nos últimos anos na região de fronteira.

Uma das operações que demonstrou a importância desse trabalho conjunto ocorreu durante a apreensão de uma gigantesca carga de madeira proveniente da Bolívia. Durante a fiscalização realizada nas cidades de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e Cáceres, em Mato Grosso, surgiram suspeitas de que aproximadamente 260 toneladas de madeira poderiam estar sendo utilizadas para ocultar até 50 toneladas de cocaína destinadas ao mercado internacional.

Casos como esse reforçam a necessidade de operações permanentes para impedir que organizações criminosas utilizem o território brasileiro como corredor para o tráfico internacional.

Além do combate ao narcotráfico, a Operação Jaguaretê deverá ampliar o enfrentamento ao contrabando, descaminho, transporte ilegal de armas, munições, combustíveis, produtos agrícolas, cargas sem documentação fiscal e crimes ambientais praticados ao longo da extensa faixa de fronteira brasileira.

A expectativa é que a presença intensificada das tropas contribua para reduzir a circulação de organizações criminosas, fortalecer o controle territorial e ampliar a cooperação entre as instituições responsáveis pela segurança pública, consolidando Mato Grosso do Sul como centro estratégico das ações de proteção das fronteiras nacionais.

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