A possível mudança na administração do transporte coletivo de Campo Grande passou a ser acompanhada com novas exigências por parte da Câmara Municipal. Parlamentares defendem que qualquer transferência no comando da empresa responsável pelo serviço somente aconteça mediante o compromisso de renovação imediata da frota de ônibus, além da implantação de melhorias estruturais capazes de oferecer um serviço mais eficiente, confortável e seguro à população.
O posicionamento surgiu após a divulgação das negociações envolvendo a venda do Consórcio Guaicurus para um grupo empresarial de outro estado. Apesar da possibilidade de alteração na administração do sistema, o entendimento predominante é de que apenas a troca dos controladores não resolverá os problemas históricos enfrentados diariamente pelos usuários do transporte coletivo.
Para os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou o funcionamento do serviço, a prioridade deve ser garantir que a população perceba mudanças concretas no atendimento, na qualidade dos veículos e na regularidade das viagens. O foco principal permanece na recuperação do sistema, independentemente de quem venha a assumir sua administração.
Entre as principais exigências apresentadas está a substituição imediata de 235 ônibus considerados ultrapassados para atender às necessidades atuais da Capital. Esse número supera, inclusive, a recomendação inicial da comissão de investigação, que já havia apontado a necessidade urgente de renovação de pelo menos 197 veículos.
Os parlamentares defendem que o transporte coletivo precisa passar por uma transformação completa, oferecendo maior conforto aos passageiros, melhor acessibilidade, mais segurança durante as viagens e redução dos constantes problemas mecânicos registrados nos veículos atualmente em circulação.
Outro ponto considerado essencial é que qualquer investimento necessário para modernizar o sistema não seja repassado ao bolso da população. A Câmara reforça que a renovação da frota e as melhorias estruturais devem ocorrer sem aumento da tarifa cobrada dos usuários.
Além da troca dos veículos, o Legislativo entende que o sistema precisa receber investimentos em diferentes áreas para garantir um transporte mais eficiente. Entre as medidas consideradas prioritárias estão a execução do Plano de Mobilidade Urbana, a ampliação e recuperação dos corredores exclusivos para ônibus, o recapeamento das vias utilizadas pelas linhas, a modernização dos terminais de integração e a melhoria dos pontos de embarque e desembarque espalhados pela cidade.
A avaliação é de que essas intervenções podem reduzir atrasos, proporcionar viagens mais rápidas e melhorar significativamente as condições enfrentadas diariamente pelos milhares de passageiros que dependem do transporte coletivo para trabalhar, estudar e realizar outras atividades.
A Câmara também destacou que continuará acompanhando todas as etapas da possível negociação envolvendo a empresa responsável pelo sistema. O objetivo é garantir que qualquer mudança administrativa resulte em benefícios concretos para os usuários e não represente apenas uma alteração empresarial sem reflexos na prestação do serviço.
Durante a investigação realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito, um dos principais problemas identificados foi o envelhecimento da frota atualmente em circulação. Os levantamentos mostraram que os ônibus operavam com idade média superior ao limite estabelecido contratualmente, situação que contribuiu para o aumento de falhas mecânicas, interrupções de viagens e dificuldades enfrentadas pelos passageiros.
As inspeções também identificaram dezenas de veículos fora de operação por problemas de manutenção, reduzindo a capacidade do sistema e afetando diretamente a frequência das linhas em diferentes regiões da cidade.
Ao longo dos trabalhos da comissão, foram analisados documentos técnicos, contratos, relatórios financeiros e realizadas diversas vistorias em empresas, garagens e pontos de embarque. Também foram promovidas dezenas de horas de oitivas com representantes do sistema, técnicos, usuários e especialistas na área de mobilidade urbana.
Durante a apuração, ficou constatado que havia capacidade financeira para realização de investimentos na renovação da frota ao longo dos últimos anos. No entanto, segundo o relatório produzido pela comissão, a substituição dos veículos não ocorreu na proporção prevista contratualmente, contribuindo para o atual cenário de desgaste do sistema.
Com a possível mudança na administração do transporte coletivo ainda em análise, cresce a expectativa para que a próxima etapa seja marcada pelo cumprimento das obrigações contratuais e pela implantação efetiva das melhorias aguardadas pela população há vários anos.
A Câmara reforça que continuará fiscalizando todo o processo para assegurar que os investimentos prometidos sejam realmente executados e que o transporte coletivo de Campo Grande ofereça um serviço compatível com as necessidades de uma capital em constante crescimento, proporcionando mais qualidade, segurança, conforto e eficiência para todos os usuários.
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