Mato Grosso do Sul, 24 de julho de 2026
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Mãe cobra prisão de condenado a 60 anos por estuprar as próprias filhas em Campo Grande

Foragido há quase um mês após condenação definitiva a 60 anos de prisão, homem de 69 anos é procurado pela Justiça enquanto familiares afirmam que as vítimas ainda enfrentam profundas consequências psicológicas e vivem com medo
Imagem - PCDF/Divulgação
Imagem - PCDF/Divulgação

A mãe de duas vítimas de estupro de vulnerável cobra a prisão de Gecias da Silva Feitosa, de 69 anos, condenado definitivamente a 60 anos de prisão e considerado foragido da Justiça em Campo Grande. Enquanto o homem não é localizado, a família afirma viver uma rotina de angústia, medo e revolta, acompanhando a tentativa das vítimas de reconstruir a própria vida depois dos abusos sofridos.

O mandado de prisão foi expedido em 24 de junho, após o trânsito em julgado da condenação. Com o fim da possibilidade de novos recursos, a ordem judicial determina que o condenado seja preso e encaminhado a uma unidade prisional para cumprir a pena em regime fechado.

A ordem de prisão tem validade até maio de 2046 e está relacionada aos crimes previstos no artigo 217-A do Código Penal, que trata do estupro de vulnerável.

Mesmo com a condenação definitiva, o homem ainda não foi localizado. A situação aumentou a preocupação da família, que afirma não ter informações concretas sobre o paradeiro do condenado e teme que ele continue vivendo normalmente enquanto as vítimas enfrentam as consequências dos crimes.

Segundo a mãe de duas das vítimas, a denúncia começou em 2021, quando a filha mais nova revelou os abusos que teria sofrido. O relato abriu caminho para que outra filha também contasse que havia sido vítima.

Durante o andamento das investigações, uma terceira criança também teria revelado abusos atribuídos ao mesmo homem. A família passou, então, a acompanhar o caso na Justiça e a esperar que o condenado fosse responsabilizado.

“Minha filha caçula denunciou durante a pandemia. Depois, minha outra filha também contou o que havia acontecido e, em seguida, a filha de uma pessoa próxima revelou que também sofreu abusos. Desde então, venho lutando para vê-lo preso”, afirmou a mãe.

Anos depois da denúncia, as marcas deixadas pelos abusos ainda fazem parte da rotina das vítimas. A mãe relata que a filha mais nova precisa de acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial, utiliza medicamentos para tratar a depressão e enfrenta dificuldades de convivência social.

O isolamento e os problemas emocionais, segundo o relato, continuam afetando a vida da jovem. A família afirma que a recuperação tem sido lenta e exige acompanhamento constante.

A filha mais velha também enfrentou um longo período de sofrimento. Conforme o relato da mãe, ela passou cerca de dez anos envolvida com a dependência química antes de conseguir revelar os abusos.

A mãe afirma que o momento em que a filha conseguiu contar o que havia acontecido foi decisivo para que ela começasse a buscar ajuda e enfrentar o trauma.

“Ela só conseguiu sair das drogas quando conseguiu contar esse segredo. Hoje está há cinco anos sem usar drogas, mas ainda enfrenta graves consequências psicológicas. É uma guerreira”, disse.

A terceira vítima, de acordo com a família, também enfrenta as consequências do que teria acontecido. A mãe afirma que a jovem permaneceu em silêncio por um longo período e que os efeitos dos abusos continuam presentes.

A preocupação da família aumentou depois que o condenado deixou de ser localizado após a expedição do mandado de prisão.

“Eu não tenho paz sabendo que, depois de tudo o que fez, ele pode estar vivendo normalmente enquanto essas meninas tentam reconstruir a vida”, afirmou a mãe.

A mulher também questiona o fato de o condenado ter respondido parte do processo em liberdade, submetido a medidas cautelares. Para ela, a ausência de um monitoramento mais rígido pode ter facilitado o desaparecimento antes do cumprimento definitivo da pena.

“Quando ele foi condenado em primeira instância, pôde recorrer em liberdade. Eu nunca soube quais eram essas medidas cautelares. Não colocaram tornozeleira eletrônica, não houve monitoramento. Agora ele simplesmente desapareceu”, relatou.

Após a expedição do mandado de prisão, equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros estiveram na residência do condenado para cumprir a ordem judicial. O homem, porém, não foi encontrado no endereço.

Desde então, conforme a mãe, não houve novas diligências que tenham chegado ao conhecimento da família. A mulher afirma que continua acompanhando o caso e mantendo contato com a Polícia Civil.

Ela também passou a buscar informações por conta própria e a repassar às autoridades qualquer dado que possa ajudar na localização do foragido.

Nesta semana, a mãe informou que o número de WhatsApp utilizado pelo condenado continuava ativo. Segundo ela, o chip do telefone aparecia desligado, mas a conta do aplicativo permanecia funcionando.

“Hoje mesmo entrei em contato para informar que o WhatsApp dele está funcionando e perguntei se havia como localizá-lo por isso. O chip do telefone aparece desligado, mas o WhatsApp continua ativo. Todas as informações sou eu quem procura e repassa”, afirmou.

A família também passou a divulgar nas redes sociais um cartaz com a fotografia do condenado. A iniciativa tem o objetivo de ampliar a possibilidade de que alguém reconheça o homem e forneça informações sobre seu paradeiro.

A divulgação ocorre enquanto as autoridades continuam responsáveis pela localização e cumprimento do mandado de prisão.

A mãe afirma que a situação prolonga o sofrimento das vítimas. Para a família, a condenação representou uma etapa importante, mas a sensação de justiça incompleta permanece enquanto o condenado continuar fora do sistema prisional.

As vítimas, segundo o relato da mãe, tentam seguir em frente e reconstruir suas vidas. Uma delas enfrenta problemas emocionais e faz acompanhamento especializado. Outra conseguiu superar um longo período de dependência química, mas ainda convive com consequências psicológicas relacionadas ao trauma.

A família também precisa lidar com o medo de que o condenado possa ser encontrado pelas vítimas ou voltar a aparecer em locais conhecidos. Por isso, a prisão é considerada pelos familiares uma medida necessária para garantir o cumprimento da sentença e dar segurança às vítimas.

A identidade das vítimas é preservada por determinação legal. A divulgação de informações sobre crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes deve respeitar as regras de proteção previstas na legislação brasileira.

Informações que possam ajudar na localização do condenado podem ser repassadas às forças de segurança pelos canais oficiais de denúncia. A identidade do denunciante pode ser mantida em sigilo.

Enquanto o homem continua sendo procurado, a família mantém a cobrança pela prisão e acompanha as medidas necessárias para que a condenação definitiva seja cumprida.

O caso permanece sob responsabilidade das autoridades competentes, que deverão localizar o condenado e cumprir a ordem judicial. Para a mãe, cada dia sem a prisão aumenta a angústia e prolonga uma história marcada por abusos, medo e consequências que ainda fazem parte da vida das vítimas.

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