Mato Grosso do Sul, 25 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Acusado de atropelar ex e amiga é preso ao tentar internação em clínica psiquiátrica

Mulher afirma que tentou queimar mochila para impedir viagem a Brasília
Mulher afirma que tentou queimar mochila para impedir viagem a Brasília

Na madrugada do dia 1º de outubro, Rio Brilhante foi palco de uma cena de violência que chocou a comunidade: câmeras de segurança flagraram um homem dirigindo uma Volkswagen Saveiro em alta velocidade contra sua ex-namorada, de 35 anos, e uma amiga dela, de 41, que aguardavam numa via pública. O veículo invadiu o acostamento e se dirigiu de forma intencional às vítimas, lançando uma motocicleta sob ele e arremessando uma das mulheres a cerca de dois metros de distância.

A vítima de 41 anos, amiga da ex-namorada, foi a mais atingida e sofreu ferimentos significativos na cabeça e no corpo. A ex-companheira conseguiu escapar do impacto. Logo após o atropelamento, o autor desceu do veículo, profere insultos, alegou “ter perdido o controle do carro” e fugiu sem prestar socorro deixando as vítimas em situação crítica e gerando imediata mobilização policial.

As imagens de videomonitoramento revelam detalhes dramáticos: o agressor que vinha pela faixa esquerda invadiu estacionamento e guiou o carro contra as mulheres, ignorando obstáculos e demonstrando premeditação no ato. A motocicleta ficou presa sob a Saveiro, evidenciando a intensidade da colisão.

Desde então, equipes da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, contando com apoio da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Campo Grande e da Delegacia de Rio Brilhante, iniciaram buscas ininterruptas. O acusado permaneceu foragido por dois dias até ser localizado em Campo Grande momento em que tentou internar-se em uma clínica psiquiátrica presumidamente para evitar prisão. Sua provisória internação acabaria por denunciar sua localização.

Na quinta-feira (16), foi efetuada a prisão do suspeito, que foi levado à delegacia e permanecerá à disposição da Justiça. O crime encontra classificação de tentativa de feminicídio, dada a natureza dirigida do ataque e o vínculo de violência doméstica latente no relacionamento anterior entre agressor e vítima.

O contexto do relacionamento é parte central do caso: o casal havia mantido união por cerca de dois anos e havia se separado recentemente. O rompimento teria motivado disputas emocionais intensas, que culminaram na tragédia ocorrida. Após fugir, ele adotou uma estratégia de camuflagem emocional ao procurar abrigo em unidade psiquiátrica, provavelmente com a intenção de configurar entendimento de instabilidade mental que retardasse sua responsabilização.

As autoridades investigam agora o grau de planejamento e agravantes envolvidos: a premeditação, a velocidade empregada, o uso de veículo como arma e a fuga são elementos que tendem a agravar a pena pretendida. Perícias técnicas já foram requisitadas para confirmar velocidade, trajetória, eventuais falhas mecânicas e a condição física do autor no momento do fato. Também serão avaliados os relatos das vítimas, testemunhas e documentos médicos que possam embasar defesa ou acusação sobre saúde mental.

O desfecho deste caso é simbólico de muitos desafios que o Brasil enfrenta no combate à violência contra a mulher: o uso de automóveis como instrumentos de agressão, a busca por fugas jurídicas via “confusão de saúde mental” e a importância da rapidez policial para evitar impunidade. A prisão agora restaura em parte a confiança social de que atos violentos mesmo planejados devem ser respondidos com firmeza.

À medida que o processo avança, caberá ao Ministério Público formular denúncia precisa e ao Poder Judiciário garantir que a pessoa acusada não se utilize de subterfúgios para escapar das consequências penais. Para as vítimas, haverá também expectativas de amparo institucional, medidas protetivas e acompanhamento psicológico.

Esse episódio grave chama atenção da sociedade para a urgência de políticas públicas preventivas, acompanhamento psicológico pós-ruptura de relacionamentos violentos, fortalecimento de redes de apoio à mulher e capacitação das instituições de segurança para responder rapidamente a situações de risco elevado.

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