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Mato Grosso do Sul, 3 de março de 2024
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Acusado de lavagem para o PCC, operador de mercado financeiro dá mentoria por R$ 500 diz MPSP

Diego é irmão da esposa de Dezinho e acabou na mira do Ministério Público de São Paulo (MPSP) porque o traficante, segundo investigadores, usa seus parentes como laranjas em empresas e bens
Créditos - DALLE-3
Créditos - DALLE-3

Acusado de operar para um chefão do PCC, o operador de mercado financeiro Diego Mazzi de Aquino dá palestras sobre “liderança” em sua área e oferece mentoria por R$ 500.

No currículo, ele tem passagens por bancos e uma famosa corretora da Faria Lima. Além disso, Aquino possui larga experiência no mercado. Ele e sua família acreditam que sua carreira desandou depois de ser citado nas investigações sobre a facção.

Diego Mazzi de Aquino, de 36 anos, é cunhado de Odair Lopes Mazzi Junior, o Dezinho, integrante do PCC há mais de 20 anos conhecido por sua ascensão rápida ao alto escalão da facção em sua área financeira. Ele é acusado de coordenar remessas de R$ 1,2 bilhão ao exterior e foi preso em julho.

Diego é irmão da esposa de Dezinho e acabou na mira do Ministério Público de São Paulo (MPSP) porque o traficante, segundo investigadores, usa seus parentes como laranjas em empresas e bens. Promotores acusam o operador do mercado financeiro de ceder seu nome para o uso de um carro e cartão de crédito.

Ele também é acusado de dar orientações sobre como driblar alertas do sistema financeiro sobre operações suspeitas. Outro tipo de orientação de Diego custa R$ 500. Esse é o preço de uma sessão de mentoria dele disponível em uma plataforma sobre investimentos e educação financeira na internet.

Na mesma empresa, ele aparece como palestrante. “O que nunca te contaram sobre se tornar líder no mercado financeiro”, diz o anúncio de uma de suas apresentações. Após a publicação da reportagem do Metrópoles nesta quarta-feira (6/12), Mazzi excluiu sua conta no Linkedin e suas fotos sumiram do site de mentorias.

Desde que as investigações começaram, sua vida profissional começou a desandar. Quando sua família começou a ser alvo de buscas e apreensões, ele foi demitido do banco para o qual trabalhava. Em depoimento, sua irmã e seu irmão, disseram que ficou subentendido que os inquéritos foram o motivo da dispensa.

Mulher de Dezinho e irmã de Diego, Carolina Mazzi de Aquino disse que ele ficou emocionalmente abalado e tem resistido para cuidar de seu filho.

O carro do “faria limer” usado por chefão do PCC

Segundo o MPSP, uma Kia Sportage comprada por Diego em 2013 era usada por sua irmã e Dezinho. Em trocas de mensagens, ele mesmo admite emprestar seu nome para a titularidade do carro. “A Sportage está no meu nome”, afirma.

Em áudio enviado à irmã, ele reclama das multas em seu nome e pede que o carro seja transferido para uma empresa de bronzeamento em nome de Carolina. “Não, Carol, o que eu estou fazendo agora é assinando o recibo de compra e venda da Sportage e passando para o nome do bronze. Eu preciso que alguém venha aqui ao banco.”

“Se chegar mais alguma multa e eu não vir ou der algum problema, não conseguir transferir, eu fico dois anos sem dirigir. Tive que pagar R$ 100 a um cara para ele fazer um esquema e tirar essa multa aí que te mandei; já tinha passado o prazo, porque a mãe me mandou só hoje”, disse.

Gastos de cartão de crédito

De acordo com o MPSP, somente no cartão de crédito de Diego, foram debitados R$ 64,8 mil “no interesse” de Carolina e de Dezinho. Em diversas conversas com Carolina, ele também menciona o pagamento de faturas de “Marcelo” apelido dado a Dezinho. Há até mesmo pagamentos de viagens internacionais do casal no cartão de Diego.

“Carol, segue lançamento do cartão desse mês do Marcelo”, diz uma das mensagens. Em outra, ele admite, inclusive, que o cartão em seu nome não está em sua posse. “Está com vocês”. Em uma das faturas que ele manda para a irmã, atribui a “Marcelo” a cobrança de R$ 8,4 mil. Em outros diálogos, ela diz que Dezinho vai pagar o valor cobrado.

Depósito de R$ 100 mil

Em um dos episódios identificados por investigadores, Carolina precisava pagar parte de um apartamento em dinheiro vivo. Em uma das conversas com outra investigada, ela menciona, em mensagem de áudio, que o proprietário não aceitou o pagamento de R$ 100 mil em dinheiro, porque, “mesmo que ele leve segurança”, quando ele fosse fazer o depósito, vão “acionar sobre a origem do dinheiro e tudo mais, por causa do valor”.

O dilema sobre o pagamento aconteceu em 2019. Ela recorreu a Diego. Perguntou ao irmão se poderia fazer o depósito de R$ 100 mil em espécie. Ele, inicialmente, diz à irmã para tentar entregar diretamente ao vendedor. Depois, sugere que ela use outra conta do banco “para chamar menos atenção”, porque ela pertencia a uma das empresas de Carolina e teria mais movimentação.

Irmã informante

Durante as investigações, Caroline prestou depoimento na condição de informante do MPSP. Ela disse que havia pedido divórcio de Dezinho e não tinha mais contato com ele. Ela disse a investigadores que conhece o traficante desde 2014. A informação contrasta com a versão de que o carro em nome de seu irmão seria objeto de lavagem de dinheiro, já que foi comprado no ano anterior.

Ela afirma que já tinha uma clínica de bronzeamento quando conheceu Dezinho e que ele nunca a ajudou financeiramente. Segundo ela, sua clínica faturava R$ 100 mil mensais e que foi ele que “cresceu muito financeiramente com ela, e não o contrário”.

A versão dela, mais uma vez, contradiz a das investigações. Como mostrou o Metrópoles, mensagens interceptadas pelo MPSP mostram Carolina destacando que o capital de negócios como o salão de beleza vem de Dezinho. “Agora, o dinheiro é teu. Você que tem que saber o que vai fazer, né?”, disse em uma das mensagens enviadas ao chefão do PCC preso em julho.

Caroline afirmou ainda em depoimento que seu irmão foi duramente atingido pelas investigações. Segundo ela, Diego ganhava R$ 50 mil mensais no banco e acabou “demitido por ter o seu nome vinculado, de algum modo, ao processo criminal”.

Procurada, a defesa de Diego Mazzi de Aquino não retornou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

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