Mato Grosso do Sul, 19 de julho de 2026
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Anvisa emite alerta sobre riscos graves do uso indiscriminado da tadalafila e outros medicamentos para disfunção erétil

Agência reforça que substâncias só devem ser utilizadas com prescrição médica e alerta para efeitos colaterais que vão de infartos e AVC a perda de visão, audição e ereção dolorosa
Dificuldade de ereção atinge uma grande parcela dos homens e prejudica a vida sexual
Dificuldade de ereção atinge uma grande parcela dos homens e prejudica a vida sexual

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta sexta-feira, 5 de setembro, um comunicado oficial chamando atenção para os perigos do uso indiscriminado de medicamentos destinados ao tratamento da disfunção erétil, com destaque para a tadalafila, popularmente chamada de “tadala”. O alerta ocorre em meio ao aumento expressivo no consumo desses fármacos no Brasil, que cada vez mais extrapolam o campo clínico e são utilizados de forma recreativa.

Segundo dados da agência, a tadalafila ocupou no último ano a quinta posição entre os medicamentos mais vendidos no país, resultado que reflete não apenas a demanda de pacientes diagnosticados com disfunção erétil, mas também a adesão de jovens e adultos que buscam um suposto incremento no desempenho sexual, sem qualquer acompanhamento médico.

No comunicado, a Anvisa incluiu ainda outras substâncias da mesma classe farmacológica, como a sildenafila (princípio ativo do Viagra), a vardenafila, a udenafila e a lodenafila. Todas, quando utilizadas fora das indicações da bula ou combinadas com outros medicamentos e drogas ilícitas, oferecem riscos clínicos e psicológicos graves.

Entre os principais efeitos adversos listados pela agência estão eventos cardiovasculares como infarto do miocárdio, morte súbita cardíaca, acidente vascular cerebral, taquicardia e palpitações. Alterações na pressão arterial também foram destacadas: pacientes podem apresentar queda brusca da pressão (hipotensão) quando fazem uso simultâneo de anti-hipertensivos, ou episódios de hipertensão acompanhados de desmaios. Outro risco relevante é o priapismo, caracterizado por ereções dolorosas e prolongadas que ultrapassam quatro horas e podem gerar danos irreversíveis à função erétil.

Há ainda os efeitos sensoriais, que incluem a perda súbita ou diminuição da visão e audição, frequentemente acompanhada de tontura e zumbido nos ouvidos. Essas complicações, embora raras, são potencialmente incapacitantes e exigem atenção imediata.

A Anvisa reforçou que o consumo dessas substâncias deve ocorrer apenas sob prescrição médica e proibiu sua comercialização em formatos alternativos, como suplementos ou gomas. Em 2025, a agência identificou e interditou a venda da goma “Metbala”, que continha tadalafila em sua composição e era distribuída como produto recreativo, expondo consumidores a riscos sem qualquer controle sanitário.

Especialistas alertam que a banalização do uso desses medicamentos também pode mascarar problemas de saúde mais sérios. A disfunção erétil, quando persistente, pode ser um sinal de doenças cardiovasculares, diabetes ou alterações hormonais. Ao optar pela automedicação, o paciente adia o diagnóstico e o tratamento adequado dessas condições, aumentando o risco de complicações futuras.

O comunicado da Anvisa também reforça o papel do sistema de farmacovigilância. Casos de reações adversas devem ser informados não apenas ao médico responsável, mas também registrados no sistema VigiMed, ferramenta oficial que permite monitorar a segurança de medicamentos no Brasil e adotar medidas corretivas quando necessário.

Outro ponto levantado por especialistas é a comercialização irregular desses medicamentos em plataformas digitais. Muitos consumidores adquirem os fármacos em sites não autorizados, redes sociais ou até mesmo no comércio informal, sem garantia de procedência. O risco, nesse caso, é ainda maior, já que não há controle sobre a composição ou a dosagem do produto adquirido.

Além da preocupação com a saúde individual, o uso recreativo da tadalafila e de similares desperta debate no campo da saúde pública. O crescimento desse consumo expõe a necessidade de campanhas de conscientização que abordem não apenas os riscos da automedicação, mas também os impactos sociais e econômicos gerados pela banalização do uso de fármacos de alto impacto fisiológico.

Ao emitir o alerta, a Anvisa cumpre sua função de zelar pela segurança da população e chama atenção para a responsabilidade coletiva em torno do tema: médicos devem orientar seus pacientes com clareza, farmacêuticos devem respeitar as normas de prescrição obrigatória e consumidores precisam compreender que medicamentos com efeitos tão potentes não podem ser tratados como simples estimulantes recreativos.

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