A justiça de Mato Grosso do Sul deu um passo definitivo nesta sexta-feira, dezesseis de janeiro de dois mil e vinte e seis, com o cumprimento do mandado de prisão de Cristhiano Luna de Almeida, condenado pela morte do segurança Jefferson Bruno Escobar, conhecido como Brunão. O crime, ocorrido em uma confusão na extinta boate Valley em Campo Grande, no ano de dois mil e onze, completava quinze anos de impunidade e espera por parte da família da vítima. A prisão ocorre após o caso transitar em julgado, ou seja, sem mais chances de recursos para a defesa, que tentou reverter a sentença de dez anos de prisão em regime fechado.
A condenação definitiva havia sido proferida em dezembro de dois mil e vinte e um, mas uma série de recursos apresentados pela defesa protelaram o início do cumprimento da pena. Com o esgotamento de todas as tentativas jurídicas na última quinta-feira, quinze de janeiro, a justiça expediu o mandado de prisão. Cristhiano, que respondia em liberdade enquanto aguardava o julgamento do último recurso, apresentou-se espontaneamente às autoridades nesta sexta-feira, conforme confirmado por seu advogado, José Belga Trad, que garantiu que a defesa continuará trabalhando nos requerimentos cabíveis dentro da execução penal.
Para a família da vítima, a prisão representa o encerramento de um ciclo de espera doloroso e a sensação de que a justiça, mesmo que tardia, foi feita. Edcelma Gomes Vieira, mãe de Brunão, desabafou sobre o alívio. Ela afirmou que nada trará seu filho de volta, mas a certeza de que o responsável está pagando pelo crime traz um conforto. A prima da vítima, Mayara Hortência Cardoso Gonçalves, que sempre esteve à frente do caso, comentou sobre a luta que durou uma década e meia, ressaltando que, no tempo certo, as coisas acontecem e a luta não foi em vão.
O crime tornou-se um caso emblemático na capital sul-mato-grossense. Jefferson Escobar, segurança da casa noturna Valley, localizada na Avenida Afonso Pena, tinha vinte e nove anos quando morreu na madrugada de dezenove de março de dois mil e onze. Segundo a reconstituição dos fatos e o processo judicial, o crime ocorreu quando Brunão retirava Cristhiano do estabelecimento por este estar importunando um garçom. A discussão evoluiu para uma agressão física e a vítima foi golpeada com um soco fatal, que causou hemorragia interna e a morte por insuficiência respiratória.
Cristhiano, que praticava jiu-jitsu na época, sempre alegou legítima defesa e ausência de intenção de matar, afirmando não ter aplicado golpes marciais durante a briga. A primeira condenação só ocorreu seis anos após o crime, em vinte e nove de novembro de dois mil e dezessete, a dezessete anos e seis meses de prisão por homicídio duplamente qualificado, com motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima. A pena foi reduzida para catorze anos e onze meses em recurso, e após a anulação do julgamento, um novo júri em dois mil e vinte e um impôs a condenação definitiva de dez anos de prisão em regime fechado.
O histórico do condenado revela ainda um caso anterior de agressão em dois mil e nove, no Parque de Exposições, onde Rafael Mecchi foi agredido por um grupo de rapazes, incluindo Cristhiano. Esse passado de violência foi considerado durante o processo. Agora, com a prisão, e descontado o período em que já havia ficado detido preventivamente, restam oito anos e seis meses de pena a serem cumpridos, pondo um ponto final na saga judicial que mobilizou a opinião pública de Mato Grosso do Sul por tantos anos.
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