Mato Grosso do Sul, 3 de julho de 2026
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Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Will Bank e encerra operações da instituição digital

Medida extrema ocorre após fracasso em tentativas de venda e interrupção de pagamentos que comprometeram a estabilidade do sistema financeiro
Foto: Divulgação/will bank
Foto: Divulgação/will bank

O Banco Central do Brasil formalizou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, a decretação de liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição financeira digital pertencente ao grupo Master. A decisão marca o encerramento definitivo das atividades da entidade, que já se encontrava sob intervenção estatal por meio de um regime de administração especial temporária desde novembro do ano passado. A medida foi adotada após a autoridade monetária constatar a impossibilidade de recuperação da saúde financeira do banco, resultando em sua retirada imediata do sistema financeiro nacional e na indisponibilidade dos bens de seus controladores e ex-administradores para assegurar o ressarcimento de credores.

A trajetória que culminou na falência da instituição foi marcada por tentativas infrutíferas de reestruturação. Em novembro de 2025, quando a liquidação do Banco Master foi anunciada, o Will Bank havia sido poupado em uma estratégia que visava atrair novos investidores capazes de assumir a operação e sanar suas dívidas. Entretanto, o interesse de potenciais compradores não se converteu em propostas concretas dentro do prazo legal de cento e vinte dias estabelecido pelo Banco Central. Sem o aporte de capital externo e com a deterioração contínua de seus indicadores, a autarquia federal avaliou que a situação se tornou irrecuperável, restando apenas a interrupção total das atividades.

Um sinal crítico da insolvência ocorreu pouco antes do anúncio oficial, quando a bandeira Mastercard decidiu suspender a aceitação de transações feitas com cartões emitidos pela instituição. A decisão da operadora foi motivada pelo descumprimento de obrigações financeiras, uma vez que o Will Bank deixou de honrar pagamentos devidos aos participantes do arranjo de liquidação das compras efetuadas pelos consumidores. Em decorrência desse calote operacional, garantias ligadas ao banco foram executadas, resultando na transferência de participações relevantes em outras empresas para a bandeira de cartões, evidenciando o colapso do fluxo de caixa da entidade digital.

O balanço financeiro do Will Bank, referente ao primeiro semestre, já apresentava dados alarmantes que sinalizavam a gravidade da crise. A instituição acumulava ativos na ordem de quatorze bilhões e quatrocentos milhões de reais, porém registrava um prejuízo de duzentos e quarenta e quatro milhões de reais, com um patrimônio líquido de apenas trezentos milhões de reais. Com o fechamento das operações, o impacto financeiro recai sobre o Fundo Garantidor de Créditos, que deverá arcar com o pagamento de indenizações aos investidores de títulos como o Certificado de Depósito Bancário. O montante total de ressarcimentos ligados ao grupo Master representa o maior desembolso já realizado na história do fundo.

Fundado em dois mil e dezessete e adquirido pelo grupo Master em dois mil e vinte e quatro, o Will Bank mantinha um volume expressivo de depósitos a prazo, que somavam seis bilhões e quinhentos milhões de reais até o final de setembro. A ausência de depósitos à vista em contas-correntes simplifica parte do processo de liquidação, mas não diminui a magnitude do impacto no mercado bancário digital. A partir de agora, o liquidante nomeado pelo Banco Central assume o controle total para realizar o levantamento de ativos e passivos, enquanto os clientes e investidores devem aguardar os trâmites legais para o acionamento das garantias previstas na legislação bancária brasileira.

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