Mato Grosso do Sul, 24 de junho de 2026
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VÍDEO: Cibalena arrasta multidão e confirma força histórica no carnaval de Corumbá

Bloco tradicional reúne gerações, mantém irreverência dos sujos e homenageia fundadores em noite marcada por emoção e identidade cultural
Imagem Capa - Clovis Neto
Imagem Capa - Clovis Neto

O tradicional bloco Cibalena voltou a ocupar as ruas de Corumbá na noite de sexta-feira e reafirmou sua posição como uma das maiores expressões populares do carnaval da região pantaneira. Com quase cinquenta anos de história, o bloco reuniu milhares de foliões vindos de bairros da cidade, de municípios vizinhos, de outros estados e também da Bolívia, fortalecendo o caráter cultural e fronteiriço da festa.

A concentração começou na rua Frei Mariano, entre as vias Porto Carrero e Joaquim Murtinho. Em pouco tempo, o espaço ficou completamente tomado por um mar de gente fantasiada, mantendo viva a principal marca do bloco: homens vestidos de mulher e mulheres vestidos de homem. A tradição, seguida à risca desde a década de 1970, transforma a noite em um espetáculo de cores, criatividade e bom humor.

Fantasias elaboradas dividiam espaço com figurinos improvisados. Tecidos brilhantes, perucas chamativas, maquiagem exagerada e acessórios inusitados reforçavam o espírito irreverente que consagrou o Cibalena como símbolo da alegria popular. Ao som de marchinhas, sucessos da música brasileira e do hino oficial composto por Ruyzinho, os foliões cantaram em coro durante toda a concentração e no trajeto até o centro da cidade.

Participantes antigos destacavam a importância da tradição. Helena Oliveira, que há mais de duas décadas integra o bloco, reforçou que sair no Cibalena é quase um ritual de abertura do carnaval corumbaense. Para muitos moradores, a festa só começa de fato quando o bloco ganha as ruas.

O clima também era de descontração. Jorge Mendes Aguero contou que precisou recorrer ao guarda-roupa da irmã para montar sua fantasia neste ano. Entre risos e brincadeiras, ele destacou que o mais importante é manter viva a tradição e reunir diferentes gerações na mesma celebração. Crianças acompanhadas pelos pais, jovens fantasiados em grupo e idosos que participam desde os primeiros anos do bloco caminharam lado a lado.

Um dos momentos mais simbólicos foi conduzido por Elias Alencar, de 65 anos, responsável por carregar o mastro do bloco. Mesmo tendo recebido uma nova bandeira, ele optou por manter a que carrega há mais de sete anos, em respeito à história construída ao longo das décadas. Para ele, o Cibalena representa parte essencial da identidade cultural da cidade.

O desfile deste ano teve caráter especial ao prestar homenagem aos fundadores Valério e Manduca, criadores do bloco na década de 1970. Segundo relatos históricos, o nome surgiu de forma curiosa, quando Valério, dono de um bar, ofereceu o comprimido Cibalena a Manduca, que reclamava de dor de cabeça. A brincadeira deu origem a um dos blocos mais conhecidos do carnaval sul-mato-grossense. Ao grupo inicial juntaram-se Edinho Rachid e o radialista Jonas Lima, que saíram pelas ruas com um carrinho de mão equipado com som, dando início a uma tradição que atravessa gerações.

Outro ponto alto foi a escolha da Rainha do Cibalena. Cinco candidatos participaram da disputa, avaliados nos quesitos irreverência, criatividade e animação. Com 39 pontos, Lua, a dama da noite, conquistou o título pela segunda vez. O segundo lugar ficou com Noiva Abandonada, seguido por Maromba Baby. A premiação foi marcada por entusiasmo e forte participação do público.

Após o concurso, trio elétrico e carros de som conduziram a multidão pela Frei Mariano até a passarela do samba, encerrando mais uma edição histórica do bloco. O trajeto foi acompanhado por equipes de segurança e apoio, garantindo organização e tranquilidade durante todo o percurso.

O Cibalena demonstra que o carnaval de Corumbá vai além da folia. Ele representa resistência cultural, união de gerações e valorização da identidade local. Em meio à música e à irreverência, o bloco reafirma seu papel como patrimônio afetivo da cidade e símbolo da tradição popular que se renova a cada ano.

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