A Companhia Nacional de Abastecimento revisou para cima a estimativa da safra de grãos 2025/26 e manteve a perspectiva de recorde histórico com 353,4 milhões de toneladas, 0,3% acima da temporada passada. O quinto levantamento, divulgado nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, mostra soja como motor do crescimento, com 178 milhões de toneladas previstas, salto de 6,5 milhões sobre 2024/25. A área plantada expande para 83,3 milhões de hectares, alta de 1,9%, enquanto colheita de primeira safra já alcança 17,4% da soja em Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.
Fabiano Vasconcellos, gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, explica que chuvas irregulares atrasaram plantio em outubro, mas lavouras evoluíram bem na maioria dos estados. Milho total recua 1,9% para 138,4 milhões de toneladas, arroz cai 11,6% na área mas segura 10,9 milhões de toneladas para consumo interno. Feijão mantém 3 milhões de toneladas nas três safras, e algodão perde 3,2% da área mas colhe 3,8 milhões de pluma. Edegar Pretto, presidente da Conab, destaca troca de culturas por preços baixos no arroz.
O Brasil reforça posição de celeiro mundial, exportando soja para China e milho para Ásia em momento de seca nos EUA e guerra na Ucrânia.
Soja bate recorde com 178 milhões de toneladas e 17% já colhido no Centro-Oeste
A soja lidera a safra com 178 milhões de toneladas, 3,7% acima de janeiro e novo marco histórico. Mato Grosso colhe 45 milhões de sacas em Lucas do Rio Verde e Sorriso, Paraná avança em Cascavel, Rio Grande do Sul planta recorde em 20 milhões de hectares. Chuvas de novembro recuperaram atraso, com produtividade média de 3.400 quilos por hectare. Produtores fixam R$ 180 a saca, mas câmbio forte pressiona margens.
Colheita chega a 17,4% da área de 47 milhões de hectares, com caminhões lotando BR-163 e BR-153 rumo a terminais de Miritituba e Santos. Exportação deve bater 100 milhões de toneladas, enchendo cofres com US$ 60 bilhões. Pequenos produtores de Cândido Godói (RS) e Querência (MT) celebram safras acima de 60 sacas, enquanto cooperativas como Coplacana e Lar aceleram escoamento.
Clima preocupa no final do ciclo: La Niña pode reduzir chuvas em março, afetando enchimento de grãos no Matopiba.
Milho de primeira safra cresce 7% mas safrinha enfrenta risco climático
Milho de primeira safra registra 26,7 milhões de toneladas em 4 milhões de hectares, alta de 7,1%. Bahia e Maranhão colhem em Luís Eduardo Magalhães e Balsas, com silos cheios para exportação. Safrinha, plantada em 21,6% dos 17,9 milhões de hectares, projeta 109,3 milhões de toneladas, mas seca no Centro-Oeste ameaça produtividade. Segundo milho representa 79% da colheita total, plantado entre feijão e soja no Paraná e Goiás.
Produtores de Rio Verde (GO) e Dourados (MS) semeiam com trator GPS, mas reservatórios baixos geram preocupação. Preço da saca gira em R$ 65, pressionado por safra americana. Conab alerta para janela apertada: soja atrasada comprime plantio de milho até 15 de março.
Arroz, feijão e algodão ajustam área por preços e clima desafiador
Arroz reduz para 1,6 milhão de hectares e 10,9 milhões de toneladas, queda de 11,6% na área por preço mínimo desestimulante. Rio Grande do Sul, que produz 70% do arroz nacional, troca cultura por soja em Vacaria. Volume garante feijão carioca e agulhinha nas prateleiras, com estoques de 2025 cobrindo até maio.
Feijão estabiliza em 3 milhões de toneladas nas três safras, com Minas Gerais colhendo preto em Patos de Minas e safra das águas no Piauí. Algodão perde 3,2% da área para 2 milhões de hectares, mas rende 3,8 milhões de pluma em Mato Grosso e Bahia, com pluma a R$ 4,50 a libra para exportação à Ásia.
Edegar Pretto explica migração para soja rentável, enquanto irrigação salva arroz em Rio Grande do Sul.
Safra impulsiona PIB agro com 27% do total nacional e US$ 170 bilhões em exportações
A projeção de 353,4 milhões de toneladas reforça agro como pilar do PIB, respondendo por 27% da economia e 40% das exportações. Soja sozinha gera US$ 60 bilhões, milho US$ 15 bilhões, algodão US$ 4 bilhões. Trator novo em fazendas de Querência (MT), caminhão Volvo na BR-364, fertilizante importado de Rússia: cadeia gira com força.
Mato Grosso lidera com 70 milhões de toneladas, Paraná e Rio Grande do Sul empatam em 40 milhões. Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia) cresce 15% na soja. Conab monitora clima com satélite e campo, ajustando números mensais até julho.
Produtores respiram com safra robusta em ano eleitoral. China renova compras de 70% da soja brasileira, Europa busca milho sem OGM. Clima e câmbio definem se recorde vira festa ou aperto nas margens.
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