A condenação de João Augusto Borges de Almeida, de 22 anos, encerrou nesta quarta-feira (27) um dos julgamentos mais impactantes e revoltantes registrados nos últimos anos em Campo Grande. Acusado de matar a companheira, Vanessa Eugênio Medeiros, de 23 anos, e a própria filha, Sophie Eugênio Borges, de apenas 10 meses de vida, o réu foi sentenciado a mais de 67 anos de prisão em regime fechado pela 2ª Vara do Tribunal do Júri.
O caso chocou Mato Grosso do Sul pela extrema violência, pela frieza demonstrada durante as investigações e pela brutalidade cometida contra uma mulher jovem e uma bebê indefesa. A sentença colocou fim a uma longa expectativa por justiça diante de um crime que abalou familiares, moradores da Capital e até mesmo investigadores acostumados com ocorrências graves.
Durante o julgamento, João Augusto permaneceu praticamente sem reação enquanto acompanhava os depoimentos, os detalhes apresentados pela acusação e a leitura da sentença. O réu foi condenado a 31 anos de prisão pelo feminicídio da companheira, 31 anos e três meses pelo assassinato da filha e mais cinco anos pela ocultação de cadáver, totalizando 67 anos e três meses de prisão.
O crime aconteceu em maio do ano passado dentro da residência onde a família morava. Conforme as investigações, João Augusto chamou Vanessa para uma conversa no quarto da casa enquanto a bebê permanecia próxima. Em seguida, aplicou um golpe conhecido como “mata-leão” na companheira até matá-la. Logo depois, matou a própria filha por esganadura.
Os detalhes revelados pela Polícia Civil durante as investigações provocaram forte comoção pela crueldade empregada no assassinato da bebê. Segundo os relatos apresentados no processo, a criança estava indefesa dentro do quarto quando foi atacada pelo próprio pai logo após o feminicídio da mãe.
Mesmo após cometer os crimes, João Augusto demonstrou comportamento considerado frio pelos investigadores. De acordo com a apuração policial, ele saiu da residência e foi trabalhar normalmente no mesmo dia, acreditando que os assassinatos demorariam para ser descobertos.
Horas depois, o acusado comprou gasolina em um posto de combustíveis e retornou para casa. Em seguida, enrolou os corpos da companheira e da filha em cobertores, colocou ambos no porta-malas de um veículo Gol preto e dirigiu até uma região isolada do Indubrasil.
No local, João Augusto ateou fogo nos corpos de Vanessa e Sophie numa tentativa de ocultar os crimes. Imagens de câmeras de segurança ajudaram a reconstruir o trajeto feito pelo acusado e mostraram momentos importantes da movimentação dele após os assassinatos.

A tentativa de esconder os corpos aumentou ainda mais a revolta em torno do caso. Para investigadores, a sequência dos atos demonstrou planejamento após os assassinatos e uma tentativa clara de dificultar a descoberta dos fatos.
No dia seguinte ao crime, João Augusto procurou a polícia para registrar um falso desaparecimento da companheira e da filha. A atitude levantou suspeitas imediatas diante das contradições apresentadas no depoimento. A DHPP passou então a investigar o caso e encontrou inconsistências que levaram ao interrogatório do acusado.
Segundo os investigadores, João confessou os assassinatos durante o depoimento inicial e detalhou a dinâmica dos crimes com frieza. A brutalidade das informações chamou atenção até mesmo dos policiais responsáveis pelo caso.
Durante o julgamento desta quarta-feira, a defesa tentou afastar a qualificadora de feminicídio e buscou transformar o caso em homicídio comum. Também alegou que o acusado teria perdido o controle emocional após uma discussão dentro da residência.
Em depoimento ao Tribunal do Júri, João Augusto afirmou que teria ficado “fora de controle” após receber um tapa da companheira durante uma discussão. A declaração provocou indignação entre familiares da vítima e pessoas que acompanharam o julgamento, já que o crime envolveu também o assassinato da bebê de apenas 10 meses.
O Ministério Público sustentou que o acusado agiu de forma consciente, cruel e sem qualquer possibilidade de defesa para as vítimas. A acusação destacou ainda a violência praticada dentro do ambiente familiar, o que reforçou a caracterização do feminicídio.
A sentença assinada pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos reconheceu a gravidade extrema dos crimes e determinou o cumprimento da pena em regime fechado. A decisão também reforçou a necessidade de resposta rigorosa do Judiciário diante de crimes de feminicídio e violência doméstica.
O caso voltou a gerar debates sobre violência contra a mulher, proteção de crianças e sinais de comportamento agressivo dentro das relações familiares. Para muitas pessoas que acompanharam o julgamento, a condenação representa um passo importante diante de uma tragédia que marcou profundamente Campo Grande.
Familiares e amigos das vítimas acompanharam a decisão com forte emoção e defenderam que a pena aplicada representa uma resposta necessária diante da dimensão da barbárie cometida. O crime deixou marcas profundas entre pessoas próximas da família e também entre profissionais da segurança pública que atuaram nas investigações.
A condenação de João Augusto encerra uma etapa judicial, mas mantém viva a lembrança de um dos episódios mais violentos registrados recentemente em Mato Grosso do Sul, marcado pela morte brutal de uma jovem mãe e de uma bebê que sequer teve a chance de viver a própria infância.
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