Mato Grosso do Sul, 25 de junho de 2026
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Corpos de jovens são encontrados no Rio Sucuriú após tentativa de salvamento em Paraíso das Águas

Buscas mobilizaram bombeiros, mergulhadores e familiares durante dois dias; tragédia expõe riscos crescentes de afogamentos em áreas de lazer no interior de Mato Grosso do Sul
Barcos no rio e imagem dos homens que morreram afogados. Foto: Reprodução / BNC Notícias
Barcos no rio e imagem dos homens que morreram afogados. Foto: Reprodução / BNC Notícias

A tranquilidade de um domingo de lazer em Paraíso das Águas, município localizado a 277 quilômetros de Campo Grande, foi substituída por desespero e dor após um acidente trágico no Rio Sucuriú. Os corpos de Igor Pereira Rosa Paniago, de 32 anos, e Tiago Andrade Rezende, de 18, foram encontrados nesta segunda-feira, 27 de outubro, por equipes de mergulhadores do Corpo de Bombeiros. Ambos desapareceram nas águas do rio após tentarem resgatar uma amiga que se afogava em um trecho conhecido como prainha.

Segundo informações preliminares, o grupo de amigos aproveitava a tarde ensolarada quando o tempo mudou repentinamente. Ventos fortes e a elevação súbita do nível da água criaram um cenário de risco que surpreendeu os banhistas. Em meio à confusão, uma jovem começou a se afogar, e Igor, conhecido entre os amigos como “Ferrinho”, acompanhado de Tiago, entrou no rio para socorrê-la. A garota conseguiu retornar à margem com ajuda de outros presentes, mas os dois jovens foram arrastados pela força da correnteza e desapareceram diante do olhar desesperado dos colegas.

As equipes do Corpo de Bombeiros de Chapadão do Sul iniciaram as buscas ainda no domingo, logo após o desaparecimento. O trabalho se estendeu pela noite e foi reforçado na manhã seguinte por mergulhadores especializados vindos de Campo Grande. Um dos corpos foi localizado a cerca de dois quilômetros do ponto inicial do afogamento, e o outro, aproximadamente quatro quilômetros abaixo, em uma área de maior profundidade.

A comoção tomou conta dos moradores de Paraíso das Águas, que acompanharam com angústia o trabalho das equipes. Familiares e amigos das vítimas permaneceram às margens do rio durante as buscas, em meio a orações e esperança de um desfecho diferente. O resgate, apesar de bem-sucedido na localização dos corpos, evidenciou mais uma vez os perigos de banhos em rios sem estrutura adequada de segurança.

O Rio Sucuriú, conhecido por suas águas cristalinas e trechos de correnteza forte, é um ponto frequente de lazer para moradores da região, mas também tem histórico de acidentes semelhantes. Em períodos de calor intenso, o aumento no número de visitantes se soma à ausência de sinalização, de salva-vidas e de fiscalização permanente, criando condições propícias a tragédias.

O caso de Igor e Tiago chama atenção pela bravura dos dois jovens, que agiram instintivamente em defesa de uma amiga, mas acabaram vítimas da própria coragem. Episódios como este têm se tornado recorrentes em Mato Grosso do Sul, especialmente em regiões de rios, cachoeiras e represas usadas para recreação sem a devida estrutura de segurança.

As autoridades locais estudam reforçar campanhas de conscientização sobre os riscos do banho em locais naturais, alertando para as variações repentinas de correnteza e as condições meteorológicas imprevisíveis que podem transformar momentos de lazer em tragédias. Especialistas em segurança aquática alertam que o impulso de resgatar alguém em afogamento, quando não há treinamento adequado, frequentemente resulta em mais vítimas.

A morte de Igor e Tiago deixa um vazio profundo em suas famílias e na comunidade. O ato de bravura que marcou os últimos momentos de suas vidas é lembrado com tristeza e admiração por quem os conhecia. O município decretou luto oficial e prepara uma homenagem simbólica às vítimas, reconhecendo o gesto de solidariedade que custou a vida de dois jovens.

O episódio no Rio Sucuriú reforça a necessidade de medidas urgentes de prevenção e educação sobre segurança em ambientes aquáticos, especialmente em regiões de grande fluxo turístico e lazer rural. O Estado registra anualmente dezenas de casos de afogamento, muitos deles evitáveis com simples medidas de precaução e sinalização.

A tragédia, que começou com um ato de heroísmo, termina como um alerta para toda a sociedade: o respeito à força da natureza e a prudência diante dos riscos são tão fundamentais quanto o impulso de ajudar. O Rio Sucuriú, silencioso após a tragédia, guarda agora a lembrança de dois jovens que perderam a vida tentando salvar outra.

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