Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Damares divulga nomes de igrejas e pastores investigados na CPMI do INSS e enfrenta reação de lideranças religiosas

Após ser chamada de linguaruda por Silas Malafaia, senadora torna pública lista de investigados e reforça dever constitucional da comissão

A senadora Damares Alves tornou pública a relação de igrejas e pastores que aparecem como investigados ou citados em requerimentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. A divulgação ocorreu após dias de pressão pública e declarações duras do pastor Silas Malafaia, que acusou a parlamentar de expor a ligação de líderes religiosos com o esquema sem apresentar nomes.

A iniciativa da senadora marca um dos momentos mais tensos da CPMI do INSS. Desde que afirmou, em entrevistas, que grandes igrejas e grandes pastores estariam sendo identificados em investigações envolvendo desvios contra aposentados e pensionistas, Damares passou a ser alvo de cobranças diretas, sobretudo de setores do meio evangélico, que exigiam maior clareza e responsabilidade nas denúncias.

No centro da controvérsia está a afirmação de que instituições religiosas e lideranças espirituais teriam sido utilizadas como parte da engrenagem de fraudes ligadas ao sistema previdenciário. Segundo a senadora, tornar pública a lista não foi um gesto político, mas uma medida de transparência diante da repercussão do caso e das cobranças feitas de forma pública.

Damares ressaltou que foi autora do requerimento que deu origem à CPMI, instalada em 2025, e que participa ativamente dos trabalhos como membro titular desde o início. De acordo com a parlamentar, os dados divulgados não são sigilosos, constam em documentos oficiais da comissão e já foram aprovados pelos parlamentares que integram o colegiado.

Na lista apresentada estão igrejas que tiveram pedidos de quebra de sigilo aprovados e líderes religiosos convidados a prestar esclarecimentos. Entre as instituições mencionadas aparecem a Adoração Church, a Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church e a Igreja Evangélica Campo de Anatote. Já entre os pastores citados estão nomes convocados ou incluídos em requerimentos da CPMI, como Cesar Belucci, André Machado Valadão, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes.

A senadora afirmou que a possível participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude causa tristeza e desconforto pessoal, mas destacou que a comissão não pode se omitir. Para ela, a CPMI tem obrigação constitucional de investigar com imparcialidade, responsabilidade e base documental, independentemente do peso político, econômico ou religioso dos citados.

O embate público ganhou força após Silas Malafaia divulgar vídeos e mensagens acusando Damares de generalizar acusações e atingir de forma ampla a Igreja Evangélica. Em suas manifestações, o pastor classificou as declarações anteriores da senadora como levianas, afirmando que o uso de termos no plural, sem a apresentação imediata de nomes, mancharia a imagem de fiéis e instituições que nada teriam a ver com o esquema.

Malafaia chegou a afirmar que, se a senadora possuía informações concretas, deveria apresentá-las publicamente, e, caso contrário, deveria se retratar. A troca de declarações elevou o tom do debate e expôs a sensibilidade do tema, que envolve fé, política e um dos maiores escândalos recentes ligados à Previdência Social.

Damares, por sua vez, afirmou que a CPMI tem enfrentado pressões constantes para que determinadas linhas de investigação não avancem. Segundo ela, há tentativas de minimizar os fatos sob o argumento de que a apuração poderia entristecer fiéis ou gerar desgaste institucional. Para a senadora, esse tipo de argumento não pode servir de barreira para a busca da verdade e a responsabilização dos envolvidos.

Os trabalhos da comissão avançaram ao longo do último ano com a realização de dezenas de reuniões, oitivas e análise de milhares de documentos. A investigação revelou a atuação de empresas suspeitas e a existência de um esquema nacional que teria explorado aposentados e pensionistas por meio de empréstimos consignados e outras operações irregulares.

Para 2026, a presidência da CPMI informou que será apresentado um balanço preliminar dos trabalhos, com a consolidação de dados, depoimentos e movimentações financeiras analisadas até o momento. A expectativa é de que o prazo final da comissão seja prorrogado, diante da dimensão do material reunido e da quantidade de pessoas que ainda precisam ser ouvidas.

O presidente do colegiado defendeu publicamente a ampliação do prazo para garantir a profundidade das apurações, identificar patrimônios ocultos e assegurar que todos os responsáveis sejam alcançados. Segundo ele, encerrar os trabalhos sem essa prorrogação poderia comprometer a efetividade do relatório final e frustrar as vítimas do esquema.

A divulgação da lista por Damares reforça o clima de tensão em torno da CPMI e amplia o debate sobre a relação entre instituições religiosas e práticas ilícitas. O episódio também evidencia o desafio do Parlamento em conduzir investigações sensíveis sem ceder a pressões políticas, religiosas ou econômicas, mantendo o foco na proteção dos aposentados e no interesse público.

Enquanto isso, o confronto verbal entre a senadora e lideranças religiosas segue repercutindo, revelando um cenário em que fé, poder e responsabilidade pública se cruzam em um dos capítulos mais delicados da investigação sobre fraudes no INSS.

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