Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Denúncia explosiva: Senador Ciro Nogueira é acusado de receber propina de chefes do PCC em Brasília

Testemunha afirma que Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva enviaram sacola com dinheiro ao parlamentar em 2024, em esquema bilionário envolvendo combustíveis, fundos de investimento e lavagem de dinheiro
Imagem - Divulgação/Senado Federal
Imagem - Divulgação/Senado Federal

Uma denúncia inédita e de grande repercussão envolve o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido, em suposto recebimento de propina de dois líderes de um esquema criminoso vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com depoimento de uma testemunha preservada à Polícia Federal, Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, teriam enviado uma sacola de papelão contendo dinheiro vivo ao senador, entregue em Brasília, no gabinete parlamentar, em agosto de 2024. A quantia não foi detalhada, mas segundo a testemunha, o volume de cédulas indicaria valores bilionários.

O caso está diretamente ligado à Operação Carbono Oculto, deflagrada recentemente pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público paulista. A operação investiga um sofisticado esquema de fraudes fiscais no setor de combustíveis, lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimentos localizados na Faria Lima – principal polo financeiro de São Paulo – e a interligação dessas operações com empresas ligadas ao crime organizado, como Copape e Aster. As investigações apontam que Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva controlavam parte significativa do patrimônio do PCC por meio dessas empresas e utilizavam bancos e fintechs, como Reag e BK Bank, para movimentações financeiras não rastreáveis, conhecidas como “contas bolsão”.

Segundo informações obtidas pela reportagem, a propina enviada ao senador estaria vinculada à defesa dos interesses das empresas junto à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e à influência em projetos de lei que tramitavam no Senado. O objetivo seria garantir a manutenção de licenças e autorizações estratégicas, incluindo a reversão de decisões desfavoráveis à Copape e Aster, e favorecer um ambiente regulatório favorável ao grupo criminoso.

O senador Ciro Nogueira respondeu formalmente às acusações por meio de ofício enviado ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Na comunicação, classificou a denúncia como “absolutamente mentirosa”, negou qualquer contato com os suspeitos e disponibilizou todos os seus sigilos, incluindo telefone, bancário e de gabinete, para comprovar sua inocência. O parlamentar ressaltou que nunca recebeu Mohamad Hussein Mourad ou Roberto Augusto Leme da Silva em seu gabinete e solicitou que a Polícia Federal investigue com urgência registros de entrada e imagens de câmeras de segurança do período indicado.

Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva permanecem foragidos desde a deflagração da Operação Carbono Oculto, o que levanta suspeitas de possível vazamento de informações sobre a operação. Os dois são apontados pela Polícia Federal como os verdadeiros donos da Copape e da Aster, principais empresas do esquema, e estariam por trás da movimentação de grandes volumes de dinheiro envolvendo fundos de investimento e usinas no setor de combustíveis.

O caso coloca em evidência a atuação política de Ciro Nogueira, figura central do Centrão e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (2021-2022), conhecido por sua influência na indicação de cargos regulatórios e defesa de interesses do setor financeiro no Congresso Nacional. A acusação sugere que a intermediação de parlamentares pode ter sido utilizada para blindar atividades ilícitas e garantir vantagens para o esquema criminoso.

Analistas apontam que a denúncia, se confirmada, terá repercussões políticas, jurídicas e econômicas significativas. Do ponto de vista político, questiona a integridade de líderes do Centrão e a segurança institucional no controle de licenças regulatórias. Já do ponto de vista econômico, evidencia como o crime organizado pode infiltrar-se em setores estratégicos como o de combustíveis e fundos de investimento, afetando a competitividade do mercado e a confiança de investidores.

A Operação Carbono Oculto, que envolveu mandados de prisão, busca rastrear não apenas os foragidos, mas também outros colaboradores que atuaram na lavagem de dinheiro e na manutenção do esquema. Investigadores utilizam dados bancários, registros de movimentação de fundos, câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas para mapear toda a rede criminosa. O avanço da investigação poderá resultar em novas prisões e no bloqueio de bens e contas vinculadas aos suspeitos.

A denúncia lança luz sobre a complexidade das conexões entre política, crime organizado e setor financeiro, indicando a necessidade de maior fiscalização e transparência em setores estratégicos. O caso segue em investigação e poderá ser decisivo para a forma como crimes financeiros e corrupção política serão tratados no país.

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