Na noite desta terça-feira, 30 de setembro, um crime brutal marcou o bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, com a execução de duas pessoas em circunstâncias que apontam para uma rede de desentendimentos, negócios obscuros e rivalidades mal resolvidas. O proprietário de um lava-jato, Ariel Guilherme, de 26 anos, e o cliente Alysson Ortiz, de 35 anos, foram mortos a tiros dentro do estabelecimento. A investigação da Polícia Civil trata o caso como um duplo homicídio com características de execução, descartando, em um primeiro momento, a hipótese de assalto comum.
De acordo com relatos colhidos no local, Ariel já havia manifestado preocupação com sua própria segurança e alertado os funcionários para que permanecessem atentos. As suspeitas decorriam de sua atuação paralela como agiota, prática que teria lhe rendido ameaças. Além disso, o empresário rompeu meses antes uma sociedade conturbada, que deu origem a acusações mútuas e a uma possível rixa com o ex-parceiro de negócios.
As informações do boletim de ocorrência apontam que o lava-jato funcionava também como ponto de compra e venda de veículos usados. Alysson, que trabalhava no ramo de joias, havia comparecido ao local para negociar um carro utilizando peças como moeda de troca. O encontro, porém, foi interrompido pela chegada de dois homens em uma motocicleta. O garupa sacou uma arma de fogo calibre .40 e, sob o pretexto de assalto, abriu fogo contra Alysson, que morreu na entrada do estabelecimento. Em seguida, o atirador avançou para o interior e executou Ariel, que ainda tentou se proteger atrás de um veículo, mas não resistiu aos disparos.
Os funcionários relataram que também foram alvejados, mas conseguiram escapar ilesos ao se esconderem no pátio do lava-jato. A companheira de Alysson, que havia ido ao local acompanhada do filho, permaneceu dentro do carro estacionado enquanto o marido fazia a negociação. Após presenciar o ataque, conseguiu fugir com a criança e pediu socorro aos moradores da região.
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas as vítimas já estavam sem vida. A cena do crime foi preservada para o trabalho da Perícia Técnica, que recolheu oito estojos deflagrados de munição .40. A Polícia Civil e o GOI (Grupo de Operações e Investigações) iniciaram os levantamentos preliminares e trabalham com a hipótese de execução motivada por conflitos pessoais e financeiros.
No decorrer das apurações, o ex-sócio de Ariel se apresentou à delegacia para prestar esclarecimentos. Ele relatou que a sociedade havia sido desfeita em agosto do ano passado em razão de divergências financeiras e afirmou ter sido vítima de um atentado em novembro. Segundo o depoimento, passou a desconfiar que Ariel buscava adquirir uma arma, mas o empresário negou envolvimento no crime contra o antigo parceiro. Ainda assim, a relação entre ambos terminou de forma conflituosa. O ex-sócio negou participação no duplo homicídio e disse que estava em um estúdio de tatuagem durante o horário da execução.
A polícia investiga se a morte de Ariel e Alysson está diretamente relacionada à disputa empresarial, às atividades de agiotagem ou a outros negócios paralelos mantidos no lava-jato. A hipótese de latrocínio perdeu força devido à precisão dos disparos e à ausência de subtração de bens. As autoridades trabalham agora para identificar os executores e possíveis mandantes, enquanto a comunidade local reage com medo diante da violência registrada em plena área urbana.
O caso amplia o debate sobre a escalada dos homicídios em Campo Grande e a vulnerabilidade de empresários envolvidos em atividades financeiras à margem da lei. O desfecho das investigações poderá revelar não apenas os responsáveis pelo ataque, mas também os vínculos existentes entre negócios ilegais, disputas pessoais e a crescente sensação de insegurança que atinge moradores da capital sul-mato-grossense.
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