Mato Grosso do Sul, 24 de junho de 2026
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Exportações do agronegócio recuam 2% em janeiro e somam US$ 10,8 bilhões mesmo com maior volume embarcado

Queda no preço médio internacional pressiona faturamento, mas setor mantém terceiro melhor resultado histórico para o mês
Brasil enviou 297 mil toneladas do produto ao exterior, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado
Brasil enviou 297 mil toneladas do produto ao exterior, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado

O agronegócio brasileiro iniciou o ano com retração no valor exportado, apesar do aumento no volume de produtos enviados ao exterior. Em janeiro, as exportações do setor totalizaram US$ 10,8 bilhões, resultado 2,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. O recuo foi influenciado principalmente pela queda de 8,6% no preço médio dos produtos, mesmo com avanço de 7% no volume embarcado.

Apesar da redução no faturamento, o desempenho é considerado relevante dentro da série histórica. O resultado obtido representa o terceiro maior valor já registrado para meses de janeiro, demonstrando que o setor mantém força no comércio internacional, mesmo em cenário de preços mais baixos.

Entre os segmentos que mais contribuíram para o desempenho do mês, o setor de carnes liderou as exportações, com US$ 2,58 bilhões em vendas e crescimento de 24% em comparação com janeiro do ano anterior. O complexo soja aparece na sequência, com US$ 1,66 bilhão e expressivo avanço de 49,4%, impulsionado principalmente pelo aumento do volume embarcado.

Os produtos florestais somaram US$ 1,38 bilhão, registrando queda de 8,8% frente ao mesmo mês do ano anterior. Já o segmento de cereais, farinhas e preparações alcançou US$ 1,12 bilhão, crescimento de 11,3%. O café, tradicional produto da pauta exportadora brasileira, faturou US$ 1,10 bilhão, mas apresentou recuo de 24,7%, refletindo oscilações no mercado internacional. O complexo sucroalcooleiro fechou janeiro com US$ 750 milhões em vendas externas, queda de 31,8%.

A carne bovina in natura foi o principal item individual da pauta exportadora no período, alcançando US$ 1,3 bilhão em receitas e volume embarcado de 231,8 mil toneladas, com destino a 116 países. O destaque ficou para o mercado dos Estados Unidos, que ampliou suas compras em 93% no comparativo anual, reforçando a presença do produto brasileiro naquele mercado.

No lado das importações, o Brasil adquiriu US$ 1,7 bilhão em produtos do agronegócio, redução de 11,2%. O saldo da balança comercial do setor permaneceu positivo, com superávit de US$ 9,2 bilhões, pequena variação negativa de 0,4% em relação ao ano anterior.

A China manteve a liderança como principal destino das exportações agropecuárias brasileiras, com US$ 2,1 bilhões, o que representa 20% do total vendido ao exterior. A União Europeia aparece em segundo lugar, com US$ 1,7 bilhão e participação de 11%. Os Estados Unidos ocupam a terceira posição, com US$ 705 milhões, equivalentes a 6,6% das exportações totais do setor.

Além dos grandes parceiros comerciais, alguns mercados ampliaram de forma significativa suas compras. Entre eles estão Emirados Árabes Unidos, Turquia, Filipinas, Irã, Iêmen, Iraque, Chile, Arábia Saudita, Japão e Marrocos, todos com crescimento expressivo no valor adquirido em janeiro. Esses movimentos indicam diversificação crescente dos destinos e fortalecimento da presença brasileira em regiões estratégicas do Oriente Médio, Ásia e América Latina.

O recuo no preço médio dos produtos reflete ajustes no mercado global de commodities, influenciado por oferta internacional elevada em alguns segmentos e pela desaceleração econômica em determinadas regiões consumidoras. Mesmo assim, o aumento no volume exportado demonstra que a demanda pelos produtos brasileiros segue firme.

O agronegócio continua sendo um dos principais pilares da economia nacional, responsável por parcela significativa das exportações e por forte geração de empregos ao longo da cadeia produtiva. O desempenho de janeiro indica que, embora o cenário de preços represente desafio, o Brasil mantém competitividade no mercado internacional.

A expectativa para os próximos meses depende do comportamento dos preços globais, das condições climáticas internas e do ritmo das economias importadoras. Com ampla diversidade de mercados e portfólio variado de produtos, o setor busca sustentar resultados positivos ao longo do ano, mesmo diante das oscilações naturais do comércio exterior.

O início do ano confirma a relevância do agronegócio para a balança comercial brasileira e reforça o papel estratégico do setor na entrada de divisas no país. Mesmo com leve retração no faturamento, o volume recorde para o período demonstra resiliência e capacidade de adaptação às variações do mercado global.

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