Mato Grosso do Sul, 19 de julho de 2026
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Foragido por romper tornozeleira é recapturado e volta à prisão por latrocínio que marcou Campo Grande

Condenado pela participação no assassinato dos jovens Breno Luigi Silvestrini de Araújo e Leonardo Batista Fernandes, integrante da quadrilha foi localizado pela Polícia Militar e deverá cumprir o restante da pena em regime fechado
Edson Natalício de Oliveira Gomes, conhecido como "Corumbá", foi localizado no Jardim Vida Nova
Edson Natalício de Oliveira Gomes, conhecido como "Corumbá", foi localizado no Jardim Vida Nova

Um dos condenados pelo latrocínio que tirou a vida dos jovens Breno Luigi Silvestrini de Araújo, de 18 anos, e Leonardo Batista Fernandes, de 19 anos, voltou para a prisão após ser localizado pelas forças de segurança. O crime, considerado um dos mais violentos da história recente de Campo Grande, permanece na memória da população pela extrema crueldade empregada pelos integrantes da organização criminosa.

Edson Natalício de Oliveira Gomes, de 35 anos, foi preso depois de descumprir as condições impostas pela Justiça durante o cumprimento da pena em regime semiaberto. Conforme as investigações, ele rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava para monitoramento e passou a ser considerado foragido.

A captura foi realizada por uma equipe da Força Tática da 11ª Companhia Independente da Polícia Militar, que cumpriu o mandado de prisão expedido contra o condenado. Após ser localizado, Edson foi encaminhado novamente ao sistema prisional, onde deverá permanecer para cumprir o restante da condenação, estimada em mais de 13 anos.

O condenado havia obtido progressão de regime e passou a cumprir pena no semiaberto, benefício concedido conforme previsto na legislação penal. Entretanto, ao romper o equipamento de monitoramento eletrônico, perdeu o direito ao benefício e voltou à condição de foragido da Justiça, sendo alvo de buscas até sua localização.

O caso reacende a lembrança de um dos crimes que mais provocaram indignação em Mato Grosso do Sul. O latrocínio ocorreu durante um plano elaborado por uma quadrilha especializada no roubo de veículos de alto valor comercial destinados ao tráfico internacional.

As investigações revelaram que o grupo criminoso havia se organizado meses antes do crime com o objetivo de furtar caminhonetes e utilitários esportivos que posteriormente seriam levados para cidades da fronteira e, em seguida, atravessados para a Bolívia.

Na noite da ação criminosa, os integrantes da quadrilha foram até um estabelecimento comercial localizado em Campo Grande já determinados a encontrar uma vítima que estivesse utilizando um veículo de luxo.

Após algum tempo observando a movimentação, os criminosos escolheram uma caminhonete Mitsubishi Pajero pertencente aos amigos Breno e Leonardo. O veículo era avaliado, na época, em aproximadamente R$ 60 mil.

Quando os dois jovens deixaram o estabelecimento e seguiram em direção ao automóvel, foram surpreendidos pelos criminosos armados. Sob forte ameaça, Breno e Leonardo foram obrigados a entrar novamente na caminhonete, iniciando um sequestro que teria um desfecho trágico poucas horas depois.

Enquanto parte da quadrilha seguia com as vítimas na Pajero, outros integrantes acompanhavam a ação utilizando um Fiat Uno que dava apoio ao grupo durante toda a operação.

Durante o trajeto, os criminosos conduziram os jovens até uma região isolada nas proximidades do Indubrasil. No local, Breno e Leonardo foram retirados do veículo e executados com disparos de arma de fogo na cabeça, sem qualquer possibilidade de defesa.

Após o duplo homicídio, os criminosos seguiram viagem levando a caminhonete em direção à região de fronteira, onde o plano consistia em entregar o veículo para integrantes da organização que atuavam no esquema de receptação e transporte para fora do país.

As investigações também apontaram que Edson Natalício desempenhou papel importante na estrutura criminosa. Segundo a apuração policial, ele foi responsável por fornecer informações sobre quem receberia a caminhonete em Corumbá antes que o veículo fosse levado até a Bolívia.

Como pagamento pelo serviço prestado ao grupo, ele teria recebido cerca de 60 gramas de cocaína, reforçando a ligação entre o esquema de roubo de veículos e o tráfico de drogas.

A rápida atuação das forças de segurança permitiu que toda a organização fosse identificada em poucas horas. Durante a fuga, equipes do Departamento de Operações de Fronteira localizaram a Pajero próximo de Corumbá.

Ao perceberem a aproximação policial, os criminosos tentaram escapar, mas a perseguição possibilitou o avanço das investigações e a identificação dos participantes.

Paralelamente, uma equipe da Polícia Rodoviária Federal abordou um caminhão onde uma das integrantes da quadrilha viajava como passageira. Inicialmente ela tentou esconder seu envolvimento no crime, mas acabou presa após entrar em contradição durante os depoimentos.

Com base nas informações obtidas, policiais especializados conseguiram localizar o local onde os corpos das vítimas haviam sido abandonados e reconstruíram toda a dinâmica do crime.

As investigações também identificaram Raul de Andrade Pinto como financiador do esquema criminoso, além de apontarem Rafael da Costa Silva, Weverson Gonçalves Feitosa, conhecido como “Japa”, Dayani Aguirre Clarindo e um adolescente como participantes diretos da ação.

Após o encerramento do processo criminal, todos os envolvidos receberam condenações elevadas pelos crimes praticados.

Rafael da Costa Silva foi condenado a 62 anos e 8 meses de prisão. Weverson Gonçalves Feitosa recebeu pena de 60 anos de reclusão. Dayani Aguirre Clarindo foi condenada a 50 anos e 2 meses. Raul de Andrade Pinto recebeu pena de 36 anos e 4 meses. Já Edson Natalício foi condenado a 29 anos e 4 meses de prisão.

Com a nova prisão de Edson, o sistema de Justiça retoma a execução integral da pena imposta ao condenado, encerrando o período em que permaneceu foragido após romper o monitoramento eletrônico.

O caso permanece como um dos episódios criminais mais marcantes da história de Campo Grande, tanto pela violência empregada contra as vítimas quanto pela rapidez com que a investigação conseguiu identificar todos os integrantes da organização responsável pelo latrocínio.

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