O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou, nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador, na Bahia. O evento reuniu milhares de militantes e marcou um avanço concreto na reforma agrária brasileira. O governo federal apresentou o Programa Terra da Gente, com R$ 2,7 bilhões em investimentos para comprar terras, desapropriar imóveis e criar novos assentamentos. Essas medidas visam assentar famílias sem terra, reduzir desigualdades regionais e impulsionar a produção de alimentos no campo.
Lula enfatizou, em seu discurso, o compromisso com uma distribuição mais justa da terra em todo o país. Logo após tomar posse em 2023, ele determinou ao ministro da Reforma Agrária e à presidência do Incra um levantamento completo de áreas disponíveis, incluindo terras em conflito, adjudicadas ou prontas para desapropriação e acordos. “Quero o máximo possível de assentamentos”, declarou o presidente, destacando o papel do MST na luta por melhores condições de vida. Ele saudou as crianças do movimento, que o receberam no evento, e expressou fé em um futuro com mais educação e respeito para as novas gerações. Sem o MST, disse Lula, o Brasil não teria avançado tanto na conquista de direitos rurais.
Entre as ações imediatas, o governo anunciou a compra de fazendas em São Paulo, Pernambuco, Pará, Bahia, Maranhão e Sergipe, totalizando milhares de hectares para abrigar famílias sem terra. Desapropriações foram planejadas em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, ampliando o alcance da reforma em regiões chave da produção agrícola. Um marco foi o acordo judicial no Paraná, com R$ 584 milhões para regularizar 32.378 hectares e beneficiar 1.900 famílias, resolvendo disputas antigas e abrindo caminho para a produtividade sustentável.
Dez novos assentamentos federais ganharão forma, com ênfase em áreas do Pará, Paraíba, Goiás e Sergipe, onde a concentração de terras griladas ainda trava o desenvolvimento local. Essas iniciativas não param na terra: incluem infraestrutura básica, como estradas e energia, para que as famílias produzam e vendam colheitas sem depender de intermediários. O foco é transformar assentados em produtores autônomos, fortalecendo a economia familiar e reduzindo a migração forçada para cidades superlotadas.
O ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, celebrou a recriação da pasta em 2023, com a contratação de 700 servidores para o Incra e a retomada plena da reforma agrária. Nos últimos três anos, o país registrou deflação nos preços de alimentos, graças à soberania alimentar promovida pelo governo. “Reforma agrária significa terra, mas vai além: é produção sadia, agroecologia, cooperativas, máquinas modernas e escoamento direto para o mercado”, afirmou Teixeira. Mais assentamentos equivalem a menos fome e desigualdade, especialmente no Nordeste e Norte, onde a terra fértil pode mudar vidas inteiras.
Créditos habitacionais avançaram com contrato de R$ 1,015 bilhão junto à Caixa Econômica Federal, beneficiando cerca de 10 mil famílias assentadas na construção de moradias dignas. O Orçamento Geral da União destinou R$ 717 milhões para créditos de instalação do Incra, alcançando 60 mil famílias em todo o Brasil com recursos para sementes, ferramentas e gado inicial. Na educação, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) ganhou 25% a mais no orçamento, somando R$ 61,9 milhões para 33 mil famílias, com quatro novos cursos abertos na Bahia para formar técnicos em agroecologia e cooperativismo.
Um destaque foi a ordem de pagamento de R$ 49,9 milhões para o Projeto de Retomada Econômica e Agroecológica dos Assentamentos do Rio Doce, em 52 áreas afetadas pelo desastre ambiental de 2015. O plano atende 3.645 famílias com mecanização, agroindústria e recuperação de solos, transformando tragédia em oportunidade de produção orgânica e sustentável.
O encontro celebrou os 42 anos do MST, completados em 22 de janeiro, após 17 anos sem um evento nacional dessa escala – o último foi no Rio Grande do Sul. Mais de 3 mil militantes debateram normas internas, estrutura organizativa, agricultura familiar e o papel político do movimento na conjuntura brasileira. A Carta do 14º Encontro, lida pela deputada estadual de Pernambuco Rosa Amorim e pelo dirigente nacional do MST Marcio Santos, atualizou o Programa de Reforma Agrária Popular e reformulou a organização para dar mais voz à base. Débora Nunes, da Direção Nacional, defendeu parcerias com o governo para produzir bioinsumos em massa e superar o baixo acesso à mecanização no Nordeste, onde só 3% dos agricultores contam com máquinas adequadas.
Esse pacote bilionário sinaliza um renascimento da reforma agrária no Brasil, unindo governo e movimentos sociais para zerar o déficit de terras e promover paz no campo. Com foco em famílias, produção e equidade, as medidas prometem colher frutos em forma de alimentos baratos nas mesas dos brasileiros e prosperidade nas áreas rurais esquecidas.
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