Mato Grosso do Sul, 1 de julho de 2026
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Megaoperação nacional da Polícia Federal mira facções, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em 16 estados

Força integrada mobiliza centenas de agentes, cumpre dezenas de prisões e amplia ofensiva contra organizações criminosas que atuam dentro e fora dos presídios brasileiros
Polícia Federal/Divulgação
Polícia Federal/Divulgação

O combate ao crime organizado entrou em uma nova fase no Brasil com a deflagração de uma das maiores operações integradas de segurança pública dos últimos anos. A Polícia Federal mobilizou forças estaduais e federais em uma megaoperação simultânea realizada em 16 estados brasileiros para atingir facções criminosas envolvidas com tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, crimes violentos e estruturas clandestinas utilizadas para movimentação de recursos ilícitos.

A ofensiva nacional ocorreu poucas horas antes do anúncio de novos investimentos bilionários do Governo Federal para a área da Segurança Pública, ampliando o cenário de endurecimento contra organizações criminosas que vêm expandindo atuação dentro e fora do sistema prisional brasileiro.

Batizada de Força Integrada II, a operação mobilizou as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, conhecidas como FICCOs, além da atuação conjunta da Polícia Federal, polícias civis, militares, penais, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais, secretarias estaduais de segurança pública e equipes especializadas em inteligência financeira e monitoramento de facções.

Ao todo, foram expedidos 71 mandados de prisão e 165 mandados de busca e apreensão em diversos estados brasileiros. As ações ocorreram no Espírito Santo, Ceará, Amapá, Minas Gerais, Rondônia, Acre, Sergipe, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Paraná, Paraíba, Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro.

As investigações apontam que muitas das organizações criminosas monitoradas possuem estrutura interestadual altamente organizada, com atuação em logística aérea clandestina, ocultação patrimonial, uso de empresas de fachada, comércio ilegal de armas e coordenação de atividades criminosas a partir de presídios.

A megaoperação também evidenciou o crescimento das facções fora dos grandes centros urbanos, principalmente em regiões de fronteira, corredores logísticos e cidades estratégicas utilizadas para armazenamento de drogas e distribuição de armamentos.

No Maranhão, a Operação Descenso III teve como alvo uma estrutura financeira ligada a organização criminosa na cidade de Chapadinha. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão relacionados à movimentação de dinheiro supostamente oriundo do tráfico e de outras atividades ilícitas.

Em Alagoas, a Operação Assíncrono II investigou um esquema que envolvia receptação de equipamentos da Caixa Econômica Federal, falsificação de documentos, crimes ambientais e armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. A investigação ampliou o foco para atividades criminosas paralelas mantidas por integrantes do grupo investigado.

No Amapá, a Operação Reincidência concentrou esforços no combate ao tráfico de drogas em Macapá. Já em Sergipe, a Operação Occultum identificou suspeitos ligados ao transporte de uma carga de aproximadamente uma tonelada de maconha apreendida anteriormente pelas forças de segurança.

Uma das ações de maior impacto ocorreu na Paraíba e em Minas Gerais. A Operação Trapiche teve como foco uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de capitais. As investigações apontaram que o grupo mantinha comando das atividades criminosas mesmo com lideranças recolhidas ao sistema prisional.

Durante a ofensiva, foram cumpridos 20 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão, além de bloqueios de bens, imóveis, veículos e valores financeiros. O grupo movimentava milhões de reais em patrimônio suspeito de origem criminosa.

Em Minas Gerais, a Operação Guardiões do Fogo investigou fraudes na obtenção ilegal de registros de CACs, categoria voltada a colecionadores, atiradores desportivos e caçadores. As autoridades apuram possível uso irregular de documentação para acesso facilitado a armamentos.

Outra frente considerada estratégica foi a Operação Paper Stone e Rota Andina, que investigam tráfico interestadual e internacional de drogas, lavagem de dinheiro e utilização de aeronaves para transporte clandestino de entorpecentes. Segundo as apurações, os grupos utilizavam empresas de fachada e terceiros para ocultar patrimônio e movimentar recursos ilícitos.

As ações ocorreram em cidades de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Amazonas e Maranhão. Somente nessa operação houve determinação judicial para sequestro patrimonial estimado em aproximadamente R$ 98 milhões.

No Paraná, a Operação Blue Sky II avançou contra integrantes de uma facção criminosa envolvidos no tráfico de drogas em cidades do interior do estado. Em Santa Catarina, a Operação Impedimento cumpriu prisões preventivas contra suspeitos de integrar grupos criminosos ligados ao tráfico na região da Grande Florianópolis.

Já no Rio Grande do Sul, a Operação Cerco Integrado ampliou investigações sobre lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. As ações ocorreram em diversos municípios gaúchos e também em cidades catarinenses, atingindo estruturas utilizadas para movimentação financeira das organizações criminosas.

No Ceará, a Operação Custos Legis teve foco em ameaças direcionadas a autoridades da área de segurança pública. As investigações apuram possíveis tentativas de intimidação promovidas por integrantes de facções criminosas.

No Acre, a Operação Alerta concentrou esforços na localização de foragidos da Justiça envolvidos em crimes violentos e tráfico de drogas. Em Tocantins, a Operação Estoque Oculto teve como alvo estruturas utilizadas para apoio logístico ao tráfico internacional, incluindo abastecimento clandestino de aeronaves.

No Espírito Santo, a Operação Alçapão buscou desmontar uma estrutura ligada ao armazenamento de armas, munições e explosivos utilizados por facções criminosas. As investigações apontam que os imóveis serviam como pontos estratégicos para abastecimento de grupos armados.

Outra investigação de destaque foi a Operação Rota Paralela, realizada em Minas Gerais, que apura crimes ligados à promoção de migração ilegal e crimes conexos. As autoridades suspeitam da existência de estruturas clandestinas voltadas ao transporte irregular de pessoas para outros países mediante pagamento.

As ações reforçam o avanço do modelo de integração entre forças estaduais e federais no combate ao crime organizado. Nos bastidores da segurança pública, autoridades consideram que o fortalecimento das facções nos últimos anos exigiu atuação conjunta mais intensa, principalmente após o crescimento das organizações criminosas em rotas internacionais de drogas e armamentos.

As investigações também revelaram um padrão recorrente entre as facções: utilização de empresas de fachada, lavagem de dinheiro por meio do comércio, compra de imóveis, aquisição de veículos de luxo e infiltração em atividades econômicas formais para ocultar recursos provenientes do crime.

Outro ponto que chama atenção das autoridades é o fortalecimento das organizações criminosas dentro dos presídios brasileiros. Diversas operações apontaram que líderes continuam comandando ações criminosas mesmo recolhidos ao sistema penitenciário, utilizando celulares clandestinos, intermediários e redes financeiras complexas.

A megaoperação também ocorreu em meio ao aumento das discussões sobre endurecimento das leis penais, fortalecimento das fronteiras, modernização dos sistemas de inteligência policial e ampliação dos investimentos em tecnologia para rastreamento financeiro e monitoramento de facções.

A ofensiva nacional representa uma das maiores mobilizações simultâneas das forças de segurança brasileiras nos últimos anos e demonstra o tamanho da estrutura montada pelas organizações criminosas que atuam em diferentes regiões do país.

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