A investigação da Operação Gutenberg ganhou novos desdobramentos ao revelar a presença de 29 prefeituras de Mato Grosso do Sul em documentos, contratos, planilhas, conversas e registros financeiros analisados durante o procedimento investigatório criminal. A apuração busca esclarecer a suspeita de um esquema envolvendo contratos para fornecimento de livros paradidáticos, que, segundo os investigadores, poderia ter sido utilizado para o desvio de recursos públicos e pagamento de vantagens indevidas. As movimentações investigadas ultrapassam R$ 27 milhões.
Os documentos reunidos ao longo da investigação mostram que a atuação da Editora Avante alcançou diversos municípios sul-mato-grossenses, com referências que envolvem contratos efetivados, propostas comerciais, negociações, pagamentos, trocas de mensagens e tentativas de aproximação com administrações municipais. O material analisado também demonstra que o período de maior movimentação ocorreu em 2022, quando a maior parte das negociações foi registrada.
Entre os municípios que aparecem com contratos detalhados estão Miranda, onde foi firmado contrato superior a R$ 1 milhão para aquisição de livros paradidáticos por meio de inexigibilidade de licitação, além de Ivinhema, cujo contrato inicial recebeu posteriormente um aditivo que elevou significativamente o valor contratado. Ladário também figura entre os contratos analisados pela investigação.
Campo Grande aparece mencionada em razão de uma investigação anterior envolvendo outra empresa do mesmo segmento editorial, utilizada como referência durante o aprofundamento das apurações relacionadas à Editora Avante.
Além desses municípios, também aparecem nas análises financeiras e documentais cidades como Bonito, Angélica, Douradina, Itaporã, Inocência e Dourados, entre outras. Em alguns casos, os registros fazem referência a pagamentos realizados, enquanto em outros surgem apenas propostas comerciais, tratativas ou contatos estabelecidos entre representantes da empresa e agentes públicos.
O procedimento deixa claro que a simples presença dos municípios na documentação não significa que todas as administrações municipais estejam sendo investigadas ou que seus gestores tenham participado de irregularidades. Cada referência possui contexto próprio e está sendo analisada individualmente pelos responsáveis pela investigação.
O levantamento também identifica quem ocupava o cargo de prefeito durante o período das negociações registradas. Em Amambai, a administração estava sob responsabilidade de Edinaldo Luiz de Melo Bandeira. Angélica era comandada por Aparecido Geraldo Rodrigues, conhecido como Edinho Cassuci, enquanto Anaurilândia tinha Edson Stefano Takazono como prefeito.
Em Bonito, o chefe do Executivo era Josmail Rodrigues. Batayporã estava sob gestão de Germino Roz, enquanto Bela Vista era administrada por Reinaldo Miranda Benites.
No município de Caarapó, durante o período citado na investigação, a administração era conduzida por André Luís Nezzi. Cassilândia tinha Valdecy Pereira da Costa como prefeito.
Em Campo Grande ocorreu mudança administrativa durante o período analisado. Após a saída de Marquinhos Trad do comando do Executivo Municipal, Adriane Lopes assumiu a Prefeitura e passou a administrar o município justamente durante a fase em que ocorreram parte das negociações mencionadas na investigação.
Também aparecem na relação Douradina, administrada por Jean Sérgio Clavisso; Dourados, sob comando de Alan Guedes; Dois Irmãos do Buriti, administrado por Wlademir de Souza Volk, conhecido como Japão; e Deodápolis, onde Jean Gomes da Silva ocupava o cargo de prefeito.
Fátima do Sul tinha como prefeita Ilda Salgado Machado. Itaporã era administrada por Marcos Pacco. Em Ivinhema, o prefeito era Juliano Ferro, enquanto Inocência era comandada por Antônio Ângelo Garcia dos Santos, conhecido como Toninho da Cofapi.
Também aparecem Iguatemi, administrada por Lídio Ledesma; Jardim, sob responsabilidade de Clediane Matzenbacher Lopes; Japorã, comandada por Paulo César Franjotti; Ladário, administrada por Iranil Soares; Miranda, sob gestão de Fábio Florença; Nova Alvorada do Sul, comandada por José Paulo Paleari; Rio Negro, administrada por Beto Faria; Rochedo, sob responsabilidade de Francisco de Paula Ribeiro Júnior, conhecido como Juninho; Santa Rita do Pardo, administrada por Lúcio Costa; São Gabriel do Oeste, comandada por Jeferson Tomazoni; Porto Murtinho, sob gestão de Nelson Cintra Ribeiro; e Três Lagoas, administrada por Angelo Guerreiro.
As investigações apontam que o contrato firmado pela Prefeitura de Miranda foi um dos principais elementos que impulsionaram a abertura das apurações. A contratação para aquisição de livros paradidáticos despertou atenção dos órgãos responsáveis, dando início ao aprofundamento das investigações sobre a atuação da empresa em diversos municípios do Estado.
Outro ponto que chamou atenção durante o levantamento foi a existência de conversas entre investigados mencionando lideranças políticas estaduais durante negociações envolvendo a comercialização dos materiais didáticos.
Os diálogos reproduzidos no procedimento investigatório incluem referências ao vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, ao deputado federal Dagoberto Nogueira e aos deputados estaduais Paulo Corrêa, Mara Caseiro, Jamilson Name e Lidio Lopes, além do vereador Herculano Borges.
Segundo os registros analisados, algumas mensagens tratam de possíveis reuniões, pedidos de apoio político, articulações para facilitar contatos com administrações municipais e estratégias para ampliar o alcance comercial da editora em diferentes cidades sul-mato-grossenses.
Em um dos trechos mencionados na investigação, há referência à intenção de realizar reuniões com assessores políticos para apresentação dos materiais da empresa. Em outro momento, aparecem mensagens nas quais investigados discutem aproximações com parlamentares estaduais visando fortalecer negociações em municípios do interior.
Também há registros de conversas que citam viagens, encontros políticos e tratativas relacionadas à expansão dos contratos envolvendo a comercialização dos livros paradidáticos.
Os investigadores continuam analisando o vasto conjunto de documentos, registros bancários, movimentações financeiras, contratos, planilhas e mensagens apreendidas durante a operação. O objetivo é esclarecer o papel desempenhado por cada pessoa mencionada, identificar eventuais responsabilidades individuais e verificar se houve prática de crimes contra a administração pública.
Enquanto a apuração avança, o procedimento segue reunindo novas informações que poderão ampliar o alcance das investigações e definir os próximos desdobramentos da Operação Gutenberg em Mato Grosso do Sul.
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