Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Operação expurgo desarticula rota internacional de cocaína e atinge núcleo do PCC na fronteira com a Bolívia

Polícia Federal mira organização criminosa que usava pessoas como mulas humanas e tinha base logística em Corumbá
Imagem - Polícia Federal/Divulgação
Imagem - Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, 20, uma operação de grande alcance contra uma organização criminosa especializada no tráfico transnacional de drogas, com atuação direta na fronteira entre Brasil e Bolívia. A ação, denominada Operação Expurgo, teve como um de seus principais alvos o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, ponto estratégico utilizado pelo grupo para a entrada de cocaína em território brasileiro.

A ofensiva cumpre mandados de prisão, além de ordens de busca e apreensão, contra integrantes da quadrilha, parte deles já recolhida ao sistema prisional. As investigações apontam que membros do Primeiro Comando da Capital integravam a estrutura criminosa, fornecendo apoio logístico, financiamento e articulação para a distribuição da droga em larga escala no interior paulista e em outras regiões do país.

As apurações tiveram início em janeiro de 2025, a partir de uma prisão em flagrante ocorrida no interior de São Paulo, que revelou um método extremo e altamente arriscado de transporte da cocaína. Na ocasião, quinze pessoas foram detidas e cerca de dezessete quilos da droga foram apreendidos. Entre os envolvidos estavam dois adolescentes portando documentos falsos e uma mulher grávida, o que reforçou a suspeita de aliciamento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

O esquema consistia no transporte da cocaína por meio da ingestão de cápsulas, prática conhecida no meio criminoso como uso de mulas humanas. A droga era trazida da Bolívia até a região de fronteira e, em seguida, os integrantes engoliam dezenas de cápsulas antes de embarcar em ônibus interestaduais. Após longas viagens, o material era expelido em chácaras localizadas no interior de São Paulo, locais escolhidos para reduzir o risco de fiscalização e facilitar a recomposição da droga para venda.

Com a cocaína recuperada, a organização dava início à etapa final do esquema, distribuindo o entorpecente para pontos de venda controlados pela facção criminosa. A investigação identificou uma cadeia estruturada, com divisão de tarefas, responsáveis pelo recrutamento das mulas, pela logística do transporte, pela guarda da droga e pela comercialização no varejo.

Nesta fase da operação, os mandados são cumpridos em diversas cidades paulistas, como Piracicaba, Limeira, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Botucatu e a capital São Paulo, além de Corumbá. A presença da cidade sul-mato-grossense na lista de alvos reforça seu papel estratégico na rota internacional da cocaína, explorada por organizações criminosas devido à extensa faixa de fronteira e à intensa circulação de pessoas e mercadorias.

A Operação Expurgo busca não apenas responsabilizar os executores diretos do tráfico, mas também atingir os núcleos de comando e financiamento da quadrilha. Ao aprofundar as investigações sobre a ligação com o PCC, a Polícia Federal pretende enfraquecer a capacidade operacional da facção e interromper o fluxo de drogas que abastece o mercado interno.

A ação representa mais um esforço das forças de segurança para conter o avanço do tráfico internacional e o uso de métodos cada vez mais violentos e degradantes, que colocam em risco a vida dos próprios integrantes do esquema. Ao atingir a base logística, os responsáveis pelo recrutamento e os canais de distribuição, a operação amplia o cerco contra o crime organizado e reforça a vigilância na fronteira oeste do país.

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