Uma personal trainer de Campo Grande denunciou um aluno de 40 anos por perseguição que começou em junho de 2022 e só parou na segunda-feira (23), quando ela registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. O homem transformou treinos na academia do bairro Tiradentes em cantadas insistentes, passou para redes sociais com mensagens pessoais e, nos últimos meses, mandou textos de cunho sexual e deboches que assustaram a vítima.
Tudo começou na academia do Tiradentes, bairro residencial de classe média com ruas arborizadas e várias unidades de musculação. A personal, profissional experiente que monta planos de treino para clientes fixos, notou o aluno se aproximando além do normal. Ele puxava papo sobre assuntos pessoais, perguntava da vida dela e tentava marcar saídas fora do horário de trabalho, mesmo com respostas curtas e claras rejeições.
Ela mantinha postura profissional, focando nos exercícios de hipertrofia e emagrecimento que ensinava. Mas o homem não desistia. Em 2023, a personal deixou a academia por motivos profissionais e achou que o caso acabara. Só que o aluno achou o perfil dela numa rede social, começou a curtir fotos antigas e mandar mensagens diretas. Ela ignorava tudo, mas ele voltava com frequência.
A coisa apertou em 4 de fevereiro deste ano. O suspeito perguntou se ela morava num bairro específico da cidade, convidou para cinema e disse querer “se conhecerem melhor”. Sem resposta, ele sumiu por semanas. Voltou na semana passada com força total. Reagiu a uma foto da personal mostrando o físico trabalhado com frase pejorativa. Quando ela reclamou, ele debochou: “Senta que lá vem história. Nossa, está muito nervosinha”.
As mensagens de baixo calão continuaram. Ele insistiu que falava “brincando”, negou vulgaridade e mandou mais textos dizendo que ela precisava “relaxar”. Na segunda-feira (23), reagiu a um story dela exibindo resultado de treino com outra provocação. A personal respondeu firme: não admitia desrespeito e sugeriu que ele parasse de seguir se não soubesse valorizar o trabalho profissional.
O homem manteve o tom de deboche, alegando inocência e repetindo que ela estava exagerando. Cansada e com medo de piora, a vítima bloqueou o perfil dele e correu para a Deam. No boletim, manifestou vontade de processo criminal por perseguição e pediu medidas protetivas de urgência, como proibição de contato e afastamento.
O bairro Tiradentes fica na região central de Campo Grande, perto de comércios e escolas, mas casos assim mostram que academias e redes sociais viraram campo minado para mulheres no trabalho. A personal, que atende clientes homens e mulheres há anos, nunca enfrentou insistência tão pesada. Colegas de profissão contam histórias parecidas: alunos que confundem treino com paquera e extrapolam limites.
Autoridades explicam que perseguição começa sutil e vira ameaça real. Mensagens ignoradas evoluem para invasão de privacidade, aparecimento no endereço ou pior. A Lei 14.132/2021 tipifica o crime com pena de 6 meses a 2 anos, mais se houver violência. Medidas protetivas saem rápido pelo juiz e valem por meses.
Mulheres em profissões de contato físico, como personal trainers, enfrentam isso direto. Denunciar cedo impede escalada. Salve prints, bloqueie contatos e acione polícia ou Deam sem medo de retaliação. Aplicativos de denúncia anônima e botões de bloqueio ajudam, mas atitude firme salva. Academias devem treinar funcionários para identificar e afastar clientes abusivos.
Vizinhos do Tiradentes comentam que o caso assusta frequentadores de gyms locais. A personal segue trabalhando, mas com mais cautela e apoio de amigas no ramo. O inquérito investiga histórico do suspeito e pode envolver psicólogos forenses. Campo Grande registra dezenas de perseguições por ano, muitas não denunciadas por vergonha.
O caso reforça: respeito profissional vale mais que cantada barata. Ninguém merece pavor no emprego por causa de insistência doentia. Justiça protege vítimas que falam alto.
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