A Polícia Federal desarticulou uma organização criminosa internacional que utilizava cargas comerciais e contêineres marítimos para enviar grandes quantidades de cocaína para outros países. A investigação aponta que o grupo escondia a droga em sacas de café, cimento e argamassa, utilizando produtos comuns do comércio exterior para tentar enganar os sistemas de fiscalização nos portos brasileiros.
A operação, denominada Commodity, foi deflagrada nesta quinta-feira, 23, e revelou uma estrutura criminosa com atuação no Brasil e conexões em diferentes países da América do Sul, da Europa e da Ásia. Segundo as investigações, o grupo teria enviado cerca de 6,5 toneladas de cocaína para países europeus desde 2021.
A organização utilizava portos brasileiros como pontos de saída da droga. Os carregamentos eram colocados em contêineres de embarcações de carga e seguiam para destinos internacionais, onde a cocaína seria recebida por integrantes da rede criminosa.
A operação também revelou que a estrutura possuía vínculos operacionais com o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e com o Comando Vermelho, o CV. As duas organizações criminosas possuem atuação em diferentes regiões do país e mantêm conexões com redes de tráfico que ultrapassam as fronteiras brasileiras.
A ramificação internacional investigada alcançava a Bolívia e o Paraguai, na América do Sul. Na Europa, a rede mantinha conexões com Alemanha, Espanha, Bélgica, Eslovênia e França. Na Ásia, a investigação identificou ligação com a Tailândia.
O caminho utilizado pelo grupo era baseado principalmente no transporte marítimo. A cocaína era escondida em cargas que, à primeira vista, pareciam fazer parte do comércio regular de produtos agrícolas e materiais utilizados na construção civil.
A utilização de sacas de café, cimento e argamassa permitia que os criminosos misturassem os carregamentos ilícitos a produtos de circulação comercial. A estratégia tinha como objetivo dificultar a identificação da droga durante as inspeções e reduzir as chances de que os contêineres fossem escolhidos para uma fiscalização mais detalhada.
Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu 13 mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão em quatro estados brasileiros. As ações ocorreram em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina.
Um dos alvos da operação morreu durante um confronto com agentes em Igaratá, no interior de São Paulo. Outras nove pessoas foram presas durante o cumprimento das ordens judiciais.
Além das prisões e das buscas, a Justiça determinou medidas para atingir o patrimônio da organização. Os investigadores conseguiram o sequestro de ativos e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 1 bilhão.
A medida tem como objetivo impedir que os integrantes do grupo continuem movimentando recursos e utilizando bens adquiridos com dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
Uma das principais apreensões que ajudaram a investigação ocorreu em setembro de 2025. Na ocasião, aproximadamente meia tonelada de cocaína foi encontrada escondida em sacas de café no Porto do Rio de Janeiro.
A carga tinha como destino a Eslovênia. A descoberta permitiu que os investigadores aprofundassem o trabalho e identificassem novas conexões entre os responsáveis pela remessa, empresas utilizadas na operação e outros integrantes da rede internacional.
A investigação também revelou que os criminosos utilizavam métodos químicos para tentar dificultar a identificação da droga. Em algumas situações, a cocaína era diluída ou alterada para ser transportada de maneira menos evidente.
Uma das formas identificadas envolvia a dissolução da droga em garrafas de refrigerante. Esse tipo de método demonstra a variedade de estratégias utilizadas pela organização para tentar escapar da fiscalização e movimentar o entorpecente por diferentes rotas.
A estrutura criminosa não se limitava ao transporte e à exportação da cocaína. A investigação também identificou um complexo sistema financeiro criado para esconder a origem do dinheiro obtido com o tráfico.
Os criminosos utilizavam empresas de fachada e empresas criadas para emitir notas fiscais sem a realização de serviços ou negócios compatíveis com os valores movimentados. Essas estruturas ajudavam a dar aparência legal ao dinheiro obtido com a atividade criminosa.
Outra ferramenta utilizada pelo grupo envolvia operadores conhecidos como criptodoleiros. Essas pessoas atuam na movimentação de valores por meio de sistemas financeiros paralelos e operações envolvendo criptomoedas, dificultando o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
A rede também teria utilizado bens de luxo e imóveis de alto padrão para ocultar patrimônio. O dinheiro obtido com o tráfico poderia ser convertido em propriedades, veículos e outros bens de grande valor.
Para os investigadores, o conjunto dessas práticas formava uma ampla estrutura destinada a esconder o patrimônio acumulado pela organização. O objetivo era dificultar a identificação dos verdadeiros donos dos bens e impedir que os recursos fossem diretamente ligados ao tráfico internacional de drogas.
A movimentação financeira chamou a atenção pelo tamanho e pela variedade dos métodos utilizados. A investigação aponta que o grupo não dependia de uma única forma de lavagem de dinheiro, mas combinava diferentes estratégias para distribuir os valores e dificultar o trabalho das autoridades.
A utilização de empresas, imóveis, bens de luxo e operações financeiras paralelas permitia que o dinheiro circulasse por diferentes caminhos antes de retornar aos integrantes da organização.
A investigação também deverá analisar a participação de cada um dos envolvidos na estrutura criminosa. A Polícia Federal busca identificar quem era responsável pelo fornecimento da cocaína, quem organizava o transporte, quem cuidava da preparação das cargas e quem fazia a ligação com os compradores internacionais.
Outro ponto investigado é a atuação dos responsáveis pela logística nos portos. Como as cargas eram enviadas por meio de contêineres de embarcações comerciais, a organização precisava contar com uma estrutura capaz de preparar os carregamentos e inseri-los na cadeia de exportação.
O funcionamento do esquema exigia divisão de tarefas e a participação de pessoas com conhecimento sobre transporte internacional, empresas, documentação e movimentação de cargas.
A investigação também deverá esclarecer como os integrantes da rede se comunicavam e como eram realizadas as negociações com os grupos criminosos que recebiam a droga no exterior.
A atuação em diferentes países demonstra a dimensão internacional da organização. A cocaína tinha origem ou passava por países da América do Sul antes de ser direcionada aos portos brasileiros e enviada para a Europa e outros destinos.
A presença de conexões na Bolívia e no Paraguai reforça a importância das rotas internacionais utilizadas pelo tráfico de drogas na região. A partir do Brasil, os carregamentos eram enviados por via marítima para diferentes países.
Na Europa, os destinos identificados incluíam Alemanha, Espanha, Bélgica, Eslovênia e França. A presença de conexões também na Tailândia mostra que a rede possuía alcance muito além do continente americano.
A investigação aponta que a organização utilizava o comércio internacional como uma forma de esconder suas operações. Produtos comuns, empresas e contêineres eram incorporados a uma estrutura que tinha como principal objetivo levar grandes quantidades de cocaína para o exterior.
A Operação Commodity também mostra como as organizações criminosas procuram diversificar suas estratégias para tentar escapar das ações de fiscalização. A utilização de diferentes produtos, métodos químicos e rotas internacionais dificultava a identificação da droga.
Ao mesmo tempo, o rastreamento financeiro se tornou uma das principais frentes para atingir a estrutura criminosa. O bloqueio de bens e o sequestro de ativos podem impedir que os investigados continuem utilizando recursos obtidos com o tráfico.
A Polícia Federal deverá seguir analisando documentos, equipamentos e materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados. O conteúdo encontrado poderá ajudar a identificar novos integrantes, empresas e possíveis rotas utilizadas pela organização.
A investigação também poderá revelar outras remessas de drogas realizadas pelo grupo e possíveis conexões com redes criminosas que atuam em diferentes países.
Os investigados poderão responder por organização criminosa transnacional, tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais. As responsabilidades de cada pessoa serão analisadas individualmente ao longo do avanço do inquérito.
A operação contou com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de São Paulo e de Minas Gerais.
Com a ação, a Polícia Federal atingiu uma estrutura que, segundo as investigações, combinava tráfico internacional, logística portuária, comércio exterior e ocultação de patrimônio.
O caso mostra a dimensão das redes criminosas que utilizam operações aparentemente legais para transportar drogas em larga escala. Cargas comerciais, empresas e estruturas financeiras eram utilizadas para tentar esconder uma atividade que movimentava toneladas de cocaína e grandes volumes de dinheiro.
A partir das prisões, apreensões e bloqueios patrimoniais, os investigadores deverão aprofundar a identificação dos responsáveis por cada etapa do esquema. A expectativa é que a análise do material recolhido permita esclarecer novas rotas, novas remessas e outros possíveis envolvidos na rede internacional.
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