Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Polícia Federal indicia desembargadores e conselheiro por corrupção em esquema de venda de sentenças em Mato Grosso do Sul

Inquérito com mais de 700 páginas detalha atuação de magistrados, advogados e empresários em disputas milionárias por fazendas no estado
PF enquadra desembargadores por corrupção e lavagem de dinheiro
PF enquadra desembargadores por corrupção e lavagem de dinheiro

A conclusão de uma investigação de grande alcance expôs um dos mais graves escândalos já registrados no sistema de Justiça de Mato Grosso do Sul. Após um ano e meio de apurações, a Polícia Federal finalizou um inquérito robusto que aponta a existência de um esquema estruturado de corrupção envolvendo desembargadores, conselheiro de tribunal, advogados e empresários, todos suspeitos de participação em negociações ilegais para manipulação de decisões judiciais.

O relatório final detalha o indiciamento de sete desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. São eles: Sérgio Fernandes Martins, Alexandre Aguiar Bastos, Marcos José de Brito Rodrigues, Divoncir Schreiner Maran, Júlio Roberto Siqueira Cardoso, Sideni Soncini Pimentel e Vladimir Abreu. Também foi indiciado o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Osmar Domingues Jeronymo, apontado como um dos principais articuladores do esquema.

As investigações indicam que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de funções e utilização de mecanismos sofisticados para garantir vantagens indevidas em processos judiciais, principalmente em disputas envolvendo terras de alto valor econômico. A atuação incluía a intermediação de advogados e até familiares de magistrados, como Rodrigo Gonçalves Pimentel e Renata Gonçalves Pimentel, filhos de um dos desembargadores investigados.

De acordo com o inquérito, o esquema envolvia pagamento de propina em dinheiro vivo, elaboração de contratos simulados e até práticas de extorsão para forçar acordos judiciais. Entre os episódios detalhados, está a disputa por propriedades rurais milionárias, como a Fazenda Paulicéia, em Maracaju, avaliada em cerca de R$ 85 milhões, e a Fazenda Vai Quem Quer, em Corumbá, estimada em aproximadamente R$ 24 milhões.

No caso da Fazenda Paulicéia, a investigação aponta que houve falsificação de documentos públicos para transferir a propriedade de forma irregular. Escrituras e contratos teriam sido manipulados em diferentes momentos, com o objetivo de beneficiar grupos específicos ligados ao esquema. O conselheiro Osmar Jeronymo é citado como um dos envolvidos diretos nessas ações, além de ser acusado de participação em episódios de extorsão contra produtores rurais.

Outro ponto relevante do inquérito envolve o desembargador aposentado Júlio Roberto Siqueira Cardoso. Durante a operação, foram encontrados cerca de R$ 3 milhões em dinheiro em espécie em sua posse, além de indícios de aquisições de alto valor realizadas ao longo dos anos, incompatíveis com sua renda formal. Esses elementos reforçam as suspeitas de lavagem de dinheiro.

A investigação também cita o envolvimento de outros profissionais e empresários, ampliando o alcance do esquema. Entre os indiciados estão os advogados Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, Fábio Castro Leandro, Julio Sergio Greguer Fernandes, Bruno Terence Romero, Fábio Pinto de Figueiredo e Gabriel Affonso de Barros Marinho. Também figuram na lista empresários e outros envolvidos, como Danillo Moya Jeronymo, Diego Moya Jeronymo, Everton Barcellos de Souza, Cláudio Bergmann, Darci Guilherme Bazanella Filho, Tatiele Toro Correia, Nathália Poloni Ney, Paulo Ricardo Fenner, Lydio de Souza Rodrigues, Percival Henrique de Souza Fernandes, Maycon Nogueira, Leandro Batista dos Santos e Volmar Dalpasquale.

O esquema começou a ser desvendado durante a Operação Ultima Ratio, deflagrada em outubro de 2024, quando foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão em diferentes capitais brasileiras. A ação revelou indícios de um verdadeiro mercado paralelo de decisões judiciais, com influência direta em processos sensíveis e de alto valor financeiro.

Como consequência, diversos magistrados foram afastados de suas funções e submetidos a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Parte deles segue afastada por determinação de órgãos de controle, enquanto outros tiveram mudanças em sua situação funcional, como aposentadoria ou reintegração por decisões judiciais posteriores.

O inquérito agora será analisado pelo Ministério Público Federal, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia contra os investigados. Caso as acusações sejam formalizadas, os envolvidos poderão responder a processos criminais que podem resultar em penas severas.

A dimensão do caso evidencia a complexidade das investigações e o impacto institucional provocado pelas denúncias. O andamento do processo deve trazer novos desdobramentos, à medida que as autoridades aprofundam a análise das provas e avançam nas etapas judiciais.

#PolíciaFederal #Corrupção #Justiça #MatoGrossoDoSul #Investigação #CrimeOrganizado #Direito #Brasil #OperaçãoUltimaRatio #Transparência #LeiEOrdem #Notícia

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.