Mato Grosso do Sul, 24 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Policial do Garras preso por propina leva a polícia civil a rever protocolos internos e expõe esquema de roubos de contrabando em MS

Afastamento compulsório, confissão em depoimento e novos relatos sobre atuação criminosa revelam fragilidade no controle de ações clandestinas e colocam autoridades em alerta
Augusto foi preso em flagrante e confessou desviar cargas apreendidas para vender (Foto: Reprodução | Facebook)
Augusto foi preso em flagrante e confessou desviar cargas apreendidas para vender (Foto: Reprodução | Facebook)

O afastamento compulsório do investigador Augusto Torres Galvão Florindo, detido pela Polícia Federal enquanto recebia propina, abriu um novo capítulo sobre irregularidades envolvendo agentes de segurança pública em Mato Grosso do Sul. A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado, determinou a retirada imediata do policial das funções no Garras, com recolhimento de arma, carteira funcional, senhas institucionais e suspensão de direitos administrativos. A medida tem validade enquanto durar a prisão preventiva, decretada após audiência de custódia.

A prisão ocorreu no dia 28 de novembro e chamou atenção pela gravidade das circunstâncias. Durante o interrogatório oficial, Augusto confessou que recebia pagamentos ilícitos e mencionou que casos de roubo de mercadorias contrabandeadas e descaminhadas se tornaram frequentes no Estado, especialmente em rotas utilizadas por pequenos comerciantes que viajam até a fronteira para abastecer estoques. Em sua fala, ele citou o contrabandista Marcelo Raimundo, relatando que o homem já havia sido atacado por criminosos e que a região enfrenta uma escalada de abordagens armadas.

O episódio envolvendo o investigador gerou forte mobilização interna. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento disciplinar para avaliar as implicações administrativas, enquanto equipes de inteligência passaram a levantar informações sobre possíveis conexões entre grupos criminosos e agentes públicos. A portaria assinada pelo Delegado Corregedor-Geral destacou que a conduta do servidor é incompatível com suas funções e que a preservação da confiança institucional exige rigor imediato.

Paralelamente ao afastamento, outras circunstâncias ampliam a complexidade do caso. Augusto é casado com a promotora de Justiça Luciana Schenk, que por anos coordenou o Gacep, setor responsável por fiscalizar e avaliar ações de policiais. Embora atualmente atuando em outra área, seu nome voltou ao noticiário devido à proximidade com o núcleo de controle institucional, gerando questionamentos sobre impactos e desafios éticos na supervisão de forças de segurança.

Luciana Schenk e Augusto Torres Galvão. (Foto: MPMS)

Outro elemento que se soma à investigação é o roubo das chamadas muambeiras, registrado no início de novembro em Campo Grande. As vítimas retornavam da fronteira quando foram abordadas por homens armados que se identificaram como policiais. As mulheres tiveram celulares, o veículo e as mercadorias levadas. Até agora, o carro de uma delas não foi localizado. Em depoimento espontâneo, Augusto afirmou ter acreditado que a abordagem feita por ele dias atrás se tratava de um roubo semelhante, reforçando suspeitas sobre a existência de quadrilhas com conhecimento das rotas e dos horários utilizados por comerciantes informais.

Nos bastidores da segurança pública, o caso acentuou discussões sobre infiltração criminosa em setores operacionais e sobre a necessidade de revisão dos protocolos de fiscalização. Integrantes da administração estadual afirmam que novas diretrizes serão adotadas para monitoramento de agentes, incluindo auditorias mais frequentes em operações sensíveis e cruzamento de informações de inteligência.

Equipes especializadas também avaliam se mercadorias subtraídas em roubos recentes podem ter relação com receptadores que mantêm vínculos com regiões de fronteira. Informações preliminares apontam que parte dessas cargas pode estar circulando em depósitos clandestinos usados para redistribuição em centros urbanos.

Enquanto isso, a situação administrativa do investigador permanece indefinida. A prisão preventiva continuará valendo até novas deliberações judiciais, e a análise disciplinar deve se estender pelas próximas semanas. Autoridades afirmam que o objetivo é garantir transparência e responsabilização integral, tanto no âmbito criminal quanto no interno.

A investigação sobre o roubo das muambeiras segue em andamento, e novas diligências estão previstas para os próximos dias. A polícia mantém equipes em campo para levantamento de pistas, rastreamento de celulares e coleta de depoimentos adicionais. Servidores ligados à área operacional afirmam que o caso pode revelar a existência de uma estrutura criminosa mais ampla, com atuação coordenada em diferentes municípios do Estado.

À medida que o processo avança, a expectativa é de que outras informações venham à tona, permitindo uma compreensão mais detalhada das conexões entre os crimes recentes, as rotas de contrabando e a participação de indivíduos vinculados a instituições públicas. Para autoridades e especialistas, o desafio será restaurar a confiança na segurança pública, aperfeiçoar os mecanismos de controle e garantir que episódios semelhantes não comprometam o serviço prestado à população.

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