A Justiça Federal deu andamento em um casos envolvendo corrupção policial e desvio de mercadorias contrabandeadas em Mato Grosso Do Sul. Estão na lista de réus o policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, integrante do Garras, o ex-guarda municipal Marcelo Raimundo Da Silva e a esposa dele, Ana Claudia Olazar, presos no fim de novembro do ano passado durante uma operação da Polícia Federal que revelou um esquema estruturado de descaminho, propina e lavagem de dinheiro.
A decisão judicial definiu que as oitivas de testemunhas de acusação e defesa terão início no dia 5 de fevereiro, a partir das 13h30, momento em que também começam os interrogatórios dos acusados. Caso não seja possível concluir todos os depoimentos na mesma data, a audiência terá continuidade nos dias 12 e 19 de fevereiro, encerrando a fase de instrução do processo criminal.
O caso segue sob atenção especial da Justiça Federal após a manutenção da prisão preventiva do policial civil Augusto Torres Galvão Florindo. A defesa tentou reverter a medida por meio de habeas corpus, negado tanto durante o recesso forense quanto após a retomada das atividades do Judiciário, reforçando a gravidade dos fatos apurados e o risco de interferência nas investigações.
As prisões ocorreram após uma denúncia anônima recebida pela Polícia Federal de Três Lagoas, informando que uma mulher realizaria um saque bancário em Campo Grande para pagamento de valores ligados a práticas ilícitas de descaminho. A informação levou os agentes a monitorarem a movimentação financeira e a se deslocarem até a Capital.
Durante a ação, os policiais federais flagraram Marcelo Raimundo Da Silva e uma mulher saindo de uma agência bancária com uma sacola contendo dinheiro em espécie. O casal foi seguido até o estacionamento de um supermercado, onde Marcelo estacionou ao lado de outro veículo ocupado por Augusto Torres Galvão Florindo, momento em que ocorreu a abordagem e a constatação do repasse dos valores.
Em depoimento, Marcelo confirmou que havia sido orientado a entregar a quantia ao policial civil e afirmou que o pagamento estaria relacionado à comercialização de cigarros eletrônicos. Já Augusto não apresentou justificativa formal para o recebimento do dinheiro, mas admitiu que os valores tinham origem na venda de mercadorias contrabandeadas, especialmente produtos apreendidos em operações policiais e posteriormente desviados.
Na delegacia, Marcelo revelou ainda que já participa de esquemas de contrabando e descaminho há anos, com histórico de prisões pelo mesmo tipo de crime, inclusive cumprindo medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica. As declarações reforçaram a suspeita de que o esquema era recorrente e bem articulado.
O policial do Garras também afirmou, em depoimento, que outros agentes da segurança pública estariam envolvidos na prática criminosa, embora não tenha revelado nomes. As declarações ampliaram o alcance das investigações e reforçaram a preocupação das autoridades com a infiltração do crime organizado em setores responsáveis pelo combate à ilegalidade.
As apurações ainda trouxeram à tona um cenário de roubos de mercadorias contrabandeadas em território sul-mato-grossense. Segundo o próprio policial, há registros frequentes de cargas ilegais sendo subtraídas, muitas vezes por homens armados que se passam por agentes públicos. O relato coincide com episódios recentes envolvendo contrabandistas que foram vítimas de assaltos ao chegar em Campo Grande.
Diante dos fatos, os acusados poderão responder por crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo segue em tramitação na Justiça Federal, enquanto as autoridades aprofundam as investigações para identificar possíveis novos envolvidos e dimensionar a extensão do esquema criminoso que operava à margem da lei.
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