O grave acidente que tirou a vida da estudante de enfermagem Letícia Camargo, de 25 anos, na manhã desta quarta-feira, em Coxim, expôs uma sucessão de irregularidades que culminaram em uma tragédia evitável. O motorista do ônibus escolar, Cleyton Matos Campos, servidor público municipal, foi preso em flagrante por homicídio doloso após atropelar a jovem em uma das avenidas mais movimentadas da cidade.
O acidente ocorreu por volta das 7h na Avenida Mato Grosso do Sul, quando Cleyton, dirigindo em alta velocidade e na contramão, perdeu o controle do veículo e atingiu Letícia, que caminhava pela calçada a caminho da universidade. O impacto foi violento. O ônibus subiu o meio-fio, colidiu com uma árvore e acabou passando por cima da vítima.
Testemunhas relataram que o motorista aparentava estar muito cansado e chegou a reclamar do trânsito minutos antes da colisão. Uma passageira que seguia no ônibus contou que ele quase dormia ao volante e pediu balas para tentar se manter acordado. Pouco depois, segundo o relato, o motorista gritou desesperado, dizendo que havia matado alguém.
Letícia ainda chegou a ser socorrida com vida por uma equipe do Corpo de Bombeiros e levada ao Hospital Regional de Coxim, mas não resistiu aos ferimentos graves. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal do município.
A jovem era natural de Pedro Gomes e cursava enfermagem na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no câmpus de Coxim. Segundo colegas, ela havia concluído recentemente a fase de estágios e estava prestes a colar grau. Sua morte causou profunda comoção entre professores e alunos, que a descrevem como uma estudante dedicada, alegre e apaixonada pela profissão.
Cleyton Matos Campos, que conduzia o ônibus escolar da Secretaria Municipal de Educação, estava com a Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de um ano e se recusou a realizar o teste do bafômetro. Ele também possui passagens anteriores por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. O servidor foi detido e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Coxim, onde foi autuado por homicídio doloso, crime caracterizado pela intenção de matar, inclusive por meio de conduta irresponsável e consciente do risco.
A Polícia Científica realizou perícia detalhada no local do acidente, recolhendo vestígios e analisando o trajeto percorrido pelo ônibus. O laudo deverá apontar a velocidade do veículo no momento da colisão e verificar se houve falha mecânica ou negligência do motorista. A investigação também busca esclarecer se o condutor estava sob efeito de substâncias que possam ter comprometido sua capacidade de direção.
Em nota oficial, a Prefeitura de Coxim confirmou que Cleyton é servidor efetivo e não terceirizado. O município afirmou que acompanha o caso por meio da Secretaria de Educação e da Procuradoria-Geral, prestando apoio à família da vítima e colaborando com as autoridades na apuração dos fatos. O comunicado expressou solidariedade à família de Letícia e reforçou o compromisso da administração com a transparência e a responsabilização de todos os envolvidos.
A morte de Letícia, às vésperas da formatura, chocou a comunidade acadêmica e a população de Coxim, levantando questionamentos sobre a fiscalização e as condições de trabalho de motoristas responsáveis pelo transporte escolar. O caso, agora em investigação, reacende a necessidade de reforçar medidas de controle e segurança no serviço público, especialmente em funções que envolvem vidas humanas.
O corpo da jovem será velado em Pedro Gomes, sua cidade natal, onde familiares, amigos e colegas se despedem de uma vida interrompida de forma trágica. Já Cleyton Matos Campos permanece preso e deve responder judicialmente pelas consequências de sua conduta, que transformou uma manhã comum em um dia de luto e indignação em todo o estado.
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