Mato Grosso do Sul, 23 de julho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Farmácia é interditada por vender remédios controlados a até 169% mais caros sem receita médica

Operação apreende R$ 100 mil em produtos irregulares, incluindo tarjas pretas, anabolizantes e medicamentos vencidos
Segundo o relato, o medicamento era facilmente adquirido no local, sem qualquer solicitação de prescrição ou orientação profissional
Segundo o relato, o medicamento era facilmente adquirido no local, sem qualquer solicitação de prescrição ou orientação profissional

A venda clandestina de medicamentos controlados e o aumento abusivo de preços foram alvos de uma operação de fiscalização que interditou uma farmácia localizada na Avenida dos Cafezais, no bairro Jardim Centro Oeste, em Campo Grande. O estabelecimento foi flagrado comercializando remédios de tarja preta sem a exigência de receita médica, chegando a cobrar até 169% a mais pelo mesmo produto quando vendido de forma irregular.

Durante a ação, desencadeada na manhã desta terça-feira (28), as equipes encontraram cerca de R$ 100 mil em medicamentos e produtos irregulares. Foram apreendidas aproximadamente 500 caixas de remédios controlados, entre anabolizantes, antidepressivos, ansiolíticos e antibióticos. Além dos medicamentos, os fiscais identificaram alimentos vencidos e produtos armazenados de forma inadequada, em ambientes sem ventilação e sem controle de temperatura.

A investigação teve início após uma denúncia anônima feita por um familiar preocupado com o uso abusivo de clonazepam por um parente. Segundo o relato, o medicamento era facilmente adquirido no local, sem qualquer solicitação de prescrição ou orientação profissional. O denunciante afirmou que, ao longo de meses, o parente aumentou as doses por conta própria, chegando a consumir um frasco inteiro de uma só vez e, posteriormente, a adquirir dez frascos em poucos dias. O episódio resultou em um quadro grave de intoxicação, com necessidade de atendimento médico emergencial e acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

A partir da denúncia, uma operação foi deflagrada para apurar o comércio ilegal. No interior da farmácia, os agentes encontraram estoques de medicamentos de uso restrito sendo comercializados livremente. Os produtos estavam dispostos em prateleiras e caixas improvisadas, sem qualquer controle de temperatura ou validade, o que configura grave risco à saúde pública. O local foi interditado e permanecerá fechado até a conclusão das investigações.

As autoridades ressaltam que medicamentos de tarja preta exigem rígido controle, devido ao potencial de causar dependência física e psicológica. Entre os produtos encontrados estavam analgésicos opioides, calmantes, antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos todos com exigências específicas de prescrição.

Os opioides, utilizados no tratamento de dores intensas, só podem ser vendidos mediante receita amarela, que deve ser retida pela farmácia. Já os calmantes e ansiolíticos, indicados para transtornos de ansiedade e insônia, requerem receita azul, igualmente controlada. Estabilizadores de humor e anticonvulsivantes, a depender da substância, podem necessitar de receita branca ou azul. Antipsicóticos e antidepressivos seguem protocolos semelhantes, devido ao alto risco de efeitos colaterais graves quando utilizados sem acompanhamento médico.

Outro destaque da apreensão foram os antibióticos, que também estavam sendo vendidos irregularmente. Por lei, esse tipo de medicamento só pode ser comercializado mediante receita branca em duas vias, uma delas obrigatoriamente retida no estabelecimento, medida criada para conter o uso excessivo e evitar o avanço da resistência bacteriana.

As investigações apontam que a farmácia mantinha um esquema contínuo de vendas irregulares desde outubro de 2024, lucrando com a vulnerabilidade de pacientes e o fácil acesso a substâncias de uso restrito. Os responsáveis poderão responder por crimes contra a saúde pública, falsificação, adulteração e comercialização indevida de medicamentos, além de infrações sanitárias graves.

A operação representa mais um esforço das autoridades para conter o avanço do comércio clandestino de remédios controlados e reforçar a importância do acompanhamento médico no uso de psicotrópicos. A prática ilegal, além de colocar em risco a vida dos consumidores, compromete o controle sanitário e o sistema de fiscalização farmacêutica.

#MedicamentosControlados #FiscalizaçãoFarmacêutica #SaúdePública #CampoGrande #TarjaPreta #Clonazepam #Anabolizantes #Antidepressivos #PolíciaCivil #VigilânciaSanitária #FarmáciaInterditada #OperaçãoSanitária

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.