Uma explosão provocada por uma bomba caseira mobilizou forças de segurança e equipes especializadas na região da Vila Nascente, em Campo Grande, após a residência do comerciante de armas Rodrigo Donovan de Andrade, de 41 anos, ser atingida durante a noite. O caso provocou danos estruturais no imóvel, assustou moradores da região e abriu uma nova investigação envolvendo possível retaliação ligada ao comércio ilegal de armamentos.
Conhecido por antecedentes criminais e já citado em investigações da Polícia Federal relacionadas ao tráfico e armazenamento ilegal de armas de grosso calibre, Rodrigo Donovan relatou que estava dentro da residência quando ouviu um forte estampido vindo da frente do imóvel. Inicialmente, acreditou se tratar de fogos de artifício e não saiu para verificar a situação naquele momento.
Somente horas depois, ao amanhecer, ele percebeu os danos causados pela explosão. O portão da casa ficou parcialmente destruído, a porta principal sofreu avarias, parte da varanda foi comprometida e um veículo estacionado no quintal teve o teto danificado pelo impacto da explosão.
Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais foram acionadas e constataram que o imóvel havia sido alvo de um artefato explosivo improvisado. No local, os policiais encontraram fragmentos metálicos, pinos e partes do dispositivo utilizado no ataque.
A Perícia Científica também esteve na residência para recolher materiais que possam ajudar na identificação dos autores e na análise da composição da bomba caseira. A área foi isolada durante os trabalhos periciais e moradores próximos acompanharam a movimentação policial com preocupação.
Segundo informações repassadas à polícia, testemunhas relataram ter visto um homem em uma motocicleta preta circulando pela rua no horário aproximado da explosão. A suspeita inicial é de que o atentado esteja relacionado a desentendimentos comerciais envolvendo negociações de armamentos e cobranças antigas.
Durante depoimento às autoridades, Rodrigo Donovan afirmou que atua no comércio de armas e revelou que passou a sofrer ameaças após um desacordo envolvendo a entrega de armamentos negociados anos atrás. Segundo ele, um homem que atuava como intermediador comercial acabou preso durante operação da Polícia Federal, o que interrompeu uma negociação e deixou pendente a entrega de duas armas.
Após a prisão do suposto comprador, Rodrigo afirmou que começou a receber mensagens de cobrança e ameaças enviadas por números telefônicos do Rio de Janeiro. De acordo com o relato, as cobranças cessaram durante um período, mas voltaram recentemente, com novas mensagens exigindo a entrega do material bélico negociado anteriormente.
A linha de investigação considera que o ataque possa ter sido uma forma de intimidação ou cobrança relacionada a esse antigo conflito comercial.
As equipes do Bope conseguiram identificar características específicas nos fragmentos da bomba caseira e agora trabalham para localizar os suspeitos envolvidos na fabricação e execução do atentado.
O caso também trouxe novamente à tona o histórico criminal de Rodrigo Donovan. Em investigações anteriores conduzidas pela Polícia Federal, ele foi apontado como suposto integrante de esquemas ligados ao comércio clandestino de armas e fuzis.
Em uma das operações, um homem identificado como Narciso Chamorro foi preso transportando armamentos pesados, incluindo fuzis calibre 7.62, pistolas adaptadas com kit rajada, munições, coletes balísticos falsificados e acessórios táticos. Em depoimento, Narciso afirmou que guardava o arsenal a pedido de Rodrigo Donovan.
As investigações federais ainda relacionaram Rodrigo a supostas ações criminosas ocorridas nos estados de Sergipe, Alagoas e Bahia, além de ligações com assaltos a bancos registrados anteriormente em Mato Grosso.
O histórico policial também inclui registros de associação criminosa, comércio ilegal de armas, posse irregular de armamento e outros crimes investigados ao longo dos últimos anos.
Em outra operação realizada em Campo Grande, Rodrigo chegou a ser preso por manter comércio ilegal de armamentos em uma empresa que realizava manutenção de armas sem autorização legal. Na ocasião, ele alegou atuar junto do pai em serviços ligados ao setor bélico, apesar da ausência de credenciamento oficial.
Agora, com o novo episódio envolvendo explosivos, as forças de segurança intensificaram as investigações para identificar possíveis envolvidos e descobrir se o atentado está ligado a disputas criminosas relacionadas ao tráfico de armas.
O caso foi registrado como dano qualificado mediante uso de explosivo e explosão. Até o momento, nenhum suspeito foi preso oficialmente.
As investigações seguem em andamento e novas diligências deverão ser realizadas nos próximos dias para identificar os autores do ataque e esclarecer a motivação da explosão que atingiu a residência na Capital sul-mato-grossense.
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