As investigações da Operação Gutemberg ganharam um novo desdobramento após policiais localizarem cinco munições de calibre .38 escondidas em uma gaveta do banheiro do apartamento da dentista e empresária Rossana Paroschi Jafar, presa preventivamente durante a ofensiva deflagrada contra um suposto esquema de corrupção que, segundo a investigação, teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul.
Além das acusações relacionadas aos crimes de corrupção ativa e corrupção passiva, a empresária também foi autuada por posse irregular de arma de fogo em razão da apreensão das munições encontradas durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão. Conforme os registros da ocorrência, foi arbitrada fiança no valor de R$ 4.863,00 pelo crime de posse irregular, porém o valor ainda não havia sido recolhido até o momento da apresentação dos investigados à audiência de custódia.
A operação foi desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga um suposto esquema de favorecimento ilícito envolvendo a Central de Regulação do Estado. Segundo a apuração, o grupo utilizaria a liberação de exames, consultas especializadas, procedimentos médicos e internações hospitalares como instrumento de pressão sobre gestores municipais para aquisição de livros e outros materiais comercializados por empresas ligadas aos investigados.
De acordo com a investigação, o mecanismo teria criado uma estrutura que condicionava benefícios administrativos ao fechamento de negócios comerciais, comprometendo a regularidade dos serviços públicos e causando prejuízos milionários aos cofres públicos. O suposto esquema teria alcançado diversos municípios sul-mato-grossenses ao longo do período investigado.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, Rossana Paroschi Jafar foi presa preventivamente juntamente com seus filhos, a médica Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar, servidor comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul). Os três permanecem entre os investigados apontados na operação e tiveram os casos encaminhados ao Poder Judiciário para análise das medidas cautelares.
As investigações também identificam Rossana Paroschi Jafar como sócia de empresas do ramo gráfico, entre elas a Gráfica Jafar Ltda., a Fox Gráfica Ltda. e a Gráfica e Editora Alvorada Ltda., estabelecimentos que passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores durante a apuração sobre a suposta estrutura criminosa.
Além da empresária e de seus familiares, figuram entre os alvos da operação o ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o coordenador de Regulação de Mato Grosso do Sul, Ed Carlo Britto Burgatt, a empresária Jéssyca Burgatt, Francisco Anizio dos Santos, Matheus Oliveira Peixoto, Joatan Gomes Peixoto, os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, além de Gabriel Taquino de Paula.
A força-tarefa mobilizou dezenas de policiais para o cumprimento simultâneo de 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além das cidades de São Paulo, no estado de São Paulo, e Abadiânia, em Goiás.
Durante as buscas, equipes recolheram documentos, equipamentos eletrônicos, aparelhos celulares e outros materiais que poderão auxiliar na reconstrução da movimentação financeira e das relações entre os investigados. Todo o conteúdo apreendido será submetido à análise pericial para verificar sua relevância dentro da investigação.
A apuração segue em andamento e busca esclarecer a participação individual de cada investigado, bem como identificar a eventual existência de novos envolvidos, empresas beneficiadas e possíveis ramificações do suposto esquema. Os elementos reunidos durante a operação passarão agora por exame técnico e integrarão o conjunto de provas que será analisado pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário ao longo da instrução do caso.
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