Uma grave denúncia de violência sexual registrada em uma academia de Amambai mobilizou as forças de segurança e causou forte repercussão no município localizado na região sul de Mato Grosso do Sul. A vítima, uma jovem de 19 anos, procurou ajuda após relatar que foi submetida a uma situação de abuso durante uma suposta avaliação física realizada por um personal trainer dentro do próprio estabelecimento.
O caso aconteceu na noite de terça-feira (7) e começou a ser apurado depois que a jovem chegou em casa visivelmente abalada, chorando e em estado de desespero. Ao perceber o estado emocional da filha, a mãe acionou imediatamente a Polícia Militar, que esteve na residência para ouvir o relato inicial da vítima e registrar a ocorrência.
Segundo a denúncia, a jovem frequentava a academia havia aproximadamente um mês, treinando diariamente no período noturno. Durante esse tempo, passou a receber orientações do personal trainer, que, conforme o relato, teria começado a estabelecer uma aproximação cada vez maior, insistindo para que ela permanecesse na academia após o encerramento dos treinos, sob a justificativa de que poderia receber um acompanhamento mais completo e obter melhores resultados físicos.
Ainda conforme a versão apresentada pela vítima, o comportamento do profissional teria mudado gradativamente. Ela afirmou que passou a ser alvo de comentários insistentes e situações consideradas constrangedoras. Em uma oportunidade anterior, disse que o personal chegou a pressioná-la para gravar um áudio com conteúdo de conotação maliciosa destinado a amigos dele, convidando-os para treinar na academia. A jovem contou que recusou diversas vezes, mas acabou cedendo diante da insistência e da pressão exercida pelo treinador.
Na noite em que tudo aconteceu, o personal informou que seria necessário realizar uma avaliação física mais detalhada para acompanhar sua evolução. A estudante afirmou que não demonstrou interesse em fazer o procedimento naquele momento e chegou a recusar a proposta. Mesmo assim, segundo seu relato, o profissional insistiu repetidamente até convencê-la a entrar em uma sala reservada existente nas dependências da academia.
Já dentro do ambiente, a situação teria mudado completamente. Conforme registrado na ocorrência, o treinador iniciou uma série de perguntas de caráter pessoal e íntimo antes de solicitar que a jovem retirasse parte das roupas para a realização das medições corporais. Ela afirmou que novamente recusou o pedido, mas que o profissional continuou insistindo.
A vítima declarou que, diante da negativa, o suspeito passou a agir de forma mais agressiva, aproximando-se dela e realizando toques em partes do seu corpo sem qualquer autorização. Assustada, tentou deixar a sala, porém afirmou que foi impedida de sair.
Ainda segundo a denúncia, o homem teria fechado a porta, elevado o tom de voz, batido com força sobre uma mesa existente no local e dito que ela somente deixaria a sala quando ele permitisse. A jovem relatou ter vivido momentos de intenso medo, afirmando que se sentiu completamente vulnerável diante da situação.
Ela também declarou que o personal tentou obrigá-la a praticar um ato sexual, mas que conseguiu resistir às investidas e impedir que a violência fosse consumada. Após perceber a resistência da vítima, o suspeito teria mudado de comportamento e informado que abriria a porta, desde que ela deixasse o local normalmente, sem demonstrar qualquer reação que despertasse suspeitas.
Conforme o depoimento, o treinador ainda teria orientado que ela cumprimentasse normalmente as pessoas que permaneciam na academia e que não revelasse a ninguém o que havia acontecido dentro da sala reservada.
Ao deixar o ambiente, a jovem afirmou que encontrou outro homem ligado ao personal trainer, que teria feito um comentário insinuando que também gostaria de passar por uma “avaliação” com ela. Sem responder, a vítima deixou imediatamente o estabelecimento e retornou para casa.
Já na residência, emocionalmente abalada, contou toda a situação para a mãe, que decidiu procurar ajuda das autoridades policiais.
A Polícia Militar compareceu ao local, ouviu os relatos iniciais e orientou a vítima sobre os procedimentos legais, recomendando que procurasse a Polícia Civil para formalizar a denúncia e apresentar representação criminal contra o suspeito.
Como o atendimento ocorreu após os fatos e não houve flagrante, ninguém foi conduzido naquele momento. O boletim de ocorrência foi encaminhado para a Polícia Civil, que ficará responsável pela investigação, coleta de provas, oitiva das testemunhas e demais diligências necessárias para esclarecer completamente o caso.
A investigação deverá buscar imagens de câmeras de segurança, ouvir funcionários e frequentadores da academia, além de reunir todos os elementos que possam confirmar ou afastar as acusações apresentadas pela vítima.
O caso passa agora a ser tratado pelas autoridades responsáveis, que irão analisar todas as circunstâncias relatadas durante a denúncia para definir os próximos passos da investigação.
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