Mato Grosso do Sul, 8 de julho de 2026
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Condenado por participação na morte de investigador é morto durante confronto com policiais em Ponta Porã

Homem que cumpria pena em regime semiaberto foi localizado durante operação da Derf na região de fronteira. Segundo a Polícia Civil, ele reagiu à abordagem armado, foi baleado e não resistiu aos ferimentos. Caso será apurado pelas autoridades competentes.
Arma de fogo e entorpecentes foram apreendidos e encaminhados para perícia - Foto: Polícia Civil
Arma de fogo e entorpecentes foram apreendidos e encaminhados para perícia - Foto: Polícia Civil

Uma operação realizada pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos (Derf) terminou com a morte de Robson Dantas Moreira, de 35 anos, condenado por envolvimento na execução do investigador da Polícia Civil Wescley Vasconcelos Dias, crime ocorrido em 2018, em Ponta Porã. Conforme informou a Polícia Civil, o homem morreu após reagir armado durante uma tentativa de abordagem realizada na manhã desta quarta-feira, durante uma ação de combate à criminalidade na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.

Segundo as informações da ocorrência, Robson cumpria pena em regime semiaberto e utilizava tornozeleira eletrônica. Equipes da Derf haviam recebido informações indicando que ele estaria escondido em uma residência localizada na Vila Ministro Salgado Filho, onde supostamente mantinha arma de fogo e entorpecentes.

Diante das informações, os investigadores realizaram diligências e seguiram até o endereço para verificar a denúncia. Ainda de acordo com a Polícia Civil, durante a tentativa de abordagem o suspeito teria reagido utilizando um revólver calibre .38 contra os agentes, situação que levou os policiais a efetuarem disparos para conter a agressão.

Após o confronto, Robson foi socorrido pelos próprios policiais e encaminhado ao Hospital Regional de Ponta Porã. Apesar do atendimento prestado, ele chegou à unidade hospitalar sem sinais vitais e teve a morte constatada.

No imóvel onde ocorreu a ação, os policiais apreenderam um revólver calibre .38 e porções de entorpecentes que, conforme a investigação, estavam em posse do suspeito. Todo o material foi recolhido para perícia e passará por exames técnicos que irão integrar o inquérito policial.

Como determina o procedimento legal em ocorrências dessa natureza, equipes da perícia criminal e o delegado plantonista foram acionados para realizar os levantamentos técnicos no local. As circunstâncias da intervenção policial serão analisadas dentro do procedimento instaurado para esclarecer toda a dinâmica da ocorrência.

A operação faz parte de uma ofensiva intensificada pela Polícia Civil na região de fronteira. Desde o início da semana, investigadores da Derf, deslocados de Campo Grande para Ponta Porã, realizam ações voltadas ao combate de organizações criminosas, tráfico de drogas, roubos e circulação ilegal de armas, considerados alguns dos principais desafios da segurança pública naquela região.

A morte de Robson encerra a trajetória de um dos condenados pelo assassinato do investigador Wescley Vasconcelos Dias, executado em 6 de março de 2018 em um dos crimes de maior repercussão registrados na fronteira sul-mato-grossense.

Na época, Wescley foi surpreendido por criminosos e atingido por diversos disparos de fuzil calibre 7,62. A investigação apontou que o atentado foi cuidadosamente planejado e teria sido motivado pela atuação do policial no combate ao crime organizado que operava na faixa de fronteira.

Durante as investigações, a Polícia Civil concluiu que a execução teria sido ordenada pelo narcotraficante Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como “Minotauro”, apontado naquele período como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de fronteira entre Brasil e Paraguai.

Conforme a apuração policial, Wescley havia descoberto a verdadeira identidade do traficante, que utilizava documentos falsos para ocultar sua localização. O investigador também desenvolvia diligências para localizar integrantes da organização criminosa e monitorava pessoas ligadas ao grupo, circunstâncias que teriam motivado o planejamento do atentado.

As investigações ainda apontaram que Robson Dantas Moreira participou da ação criminosa dando apoio logístico aos executores. Segundo o inquérito, ele ocupava uma caminhonete Chevrolet Captiva utilizada durante o assassinato. Outros familiares também foram identificados como participantes do plano criminoso e acabaram presos ao longo das investigações.

Pelo envolvimento no homicídio, Robson foi condenado a 14 anos de prisão. Mesmo após recorrer da sentença, permanecia cumprindo pena em regime semiaberto, monitorado eletronicamente.

Já Sérgio de Arruda Quintiliano Neto foi preso em fevereiro de 2019, na cidade de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Atualmente ele permanece recolhido no sistema penitenciário federal e acumula condenações que ultrapassam 61 anos de prisão por diversos crimes relacionados ao crime organizado.

Com a morte de Robson Dantas Moreira, o caso volta a chamar atenção para o histórico de violência na região de fronteira e para as ações permanentes das forças de segurança no combate às organizações criminosas que atuam em Mato Grosso do Sul. A Polícia Civil informou que a ocorrência seguirá sendo apurada e que todas as medidas legais e periciais serão adotadas para esclarecer integralmente os fatos registrados durante a operação.

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