A cidade de Cassilândia foi sacudida por um crime violento que vitimou o padeiro Eivayner Paula da Silva, de vinte e nove anos, em uma churrascaria local. O suspeito do homicídio, um homem de trinta anos que se entregou às autoridades após fugir da cena do crime, apresentou uma versão detalhada sobre os fatos que levaram ao trágico desfecho. Em seu depoimento, ele afirmou que não saiu de casa com o objetivo de ferir ninguém e que o uso do canivete foi uma reação desesperada durante o que chamou de uma crise psicológica, alegando que se antecipou a uma possível agressão da vítima para garantir sua própria defesa.
Tudo começou horas antes em uma casa noturna da região. Segundo o relato do acusado, ele estava no local jogando sinuca quando o padeiro teria se aproximado para participar da partida e passado a incomodar as mulheres que ali trabalhavam. Houve uma discussão inicial quando o suspeito decidiu intervir em favor de uma funcionária que teria tido o braço segurado de forma agressiva pela vítima. O clima pesou ainda mais no momento de pagar a conta, quando uma divergência sobre valores cobrados a mais na comanda gerou um novo atrito, desta vez envolvendo também o dono do estabelecimento. O acusado afirma que foi chamado de playboy e alvo de intimidações antes de finalmente deixar o local acompanhado pelo padeiro.
A narrativa do suspeito indica que ele foi coagido a levar Eivayner até uma churrascaria para pagar uma rodada de bebidas. Durante o trajeto e já no novo estabelecimento, as ameaças teriam continuado. O homem relatou aos investigadores que percebeu que a vítima também portava um canivete, o que aumentou seu estado de alerta e pânico. Diagnosticado desde a infância com transtornos como depressão, síndrome do pânico e bipolaridade, o autor do crime justificou que o medo extremo disparou um estado de descontrole emocional. Ele confessou ter desferido os golpes de canivete no calor da discussão, alegando que seu estado mental saiu do normal naquele exato momento.
Testemunhas que estavam nos locais confirmaram parte da movimentação. Uma funcionária da boate corroborou a informação de que foi segurada pelo braço com truculência pelo padeiro, o que gerou a primeira briga entre os dois homens. Outras pessoas relataram que viram o trio conversando e que, apesar das discussões na hora de fechar a conta, o suspeito acabou pagando os gastos e ainda comprou mais cervejas antes de sair no carro com a vítima. A polícia agora analisa imagens de câmeras de segurança para verificar se houve de fato empurrões ou agressões físicas prévias que possam confirmar a tese de legítima defesa ou se o ataque foi desproporcional.
O acusado, que já possui passagens anteriores por ameaça e difamação, permanece detido enquanto a Justiça analisa o pedido de prisão preventiva feito pelos delegados responsáveis. O homem demonstrou arrependimento durante o interrogatório, reforçando que nunca teve a intenção de tirar a vida de uma pessoa e que acreditava que o socorro chegaria a tempo para salvar o padeiro, já que havia movimento no local. O caso segue sob investigação rigorosa para apurar se o uso do entorpecente por parte da vítima, citado pelo autor, e o histórico médico do suspeito influenciaram diretamente na sucessão de erros que terminou em morte no interior de Mato Grosso do Sul.
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