Mato Grosso do Sul, 23 de julho de 2026
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Fábrica clandestina em Terenos reciclava garrafas para produção de vodka e vinho falsificado

Operação policial revela esquema de envase irregular com risco à saúde pública e apreensão de químicos e rótulos falsificados
Garrafas recicladas e rótulos falsos de gin apreendidos durante a operação (Foto: Divulgação)
Garrafas recicladas e rótulos falsos de gin apreendidos durante a operação (Foto: Divulgação)

Uma operação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon) desvendou uma fábrica clandestina de bebidas alcoólicas em Terenos, a 28 quilômetros de Campo Grande, especializada em vodka, gin e vinho falsificados. A produção utilizava garrafas recicladas de diversas marcas e tamanhos, lavadas de maneira precária, para envasar líquidos destinados à venda irregular. Márcio Veron, apontado como proprietário do estabelecimento, foi preso em flagrante durante a ação.

O local investigado, identificado como Indústria e Comércio de Bebidas Terenos EIRELI, funcionava em zona rural do município, na Estrada Colônia Nova, sem qualquer registro ou autorização desde 2023. Apesar de ter sido interditada pelo Mapa, a fábrica operava em pleno funcionamento, com setores destinados à lavagem, envase e armazenamento das bebidas. A inspeção revelou um improviso sistemático: garrafas de diferentes marcas eram agrupadas em um mesmo fardo, prática inexistente em linhas de produção legalizadas e regulamentadas.

Durante a ação, foram apreendidas oito garrafas prontas para consumo sobre a esteira de embalagem, além de rótulos falsificados das marcas Shirlof (vodka), Coquetel Alcoólico Shirlof Blueberry e Gin Shirlof. Também foram recolhidos sacos de tampas plásticas imitando as originais, produtos químicos para alterar sabor e aparência das bebidas, ácido cítrico e outros aditivos. A higienização das garrafas era feita apenas com detergente comum, sem qualquer controle sanitário, expondo consumidores a riscos graves.

O Mapa reforçou que qualquer produção na fábrica desde a interdição em março de 2023 é considerada ilegal, e o registro do estabelecimento foi cancelado em 2024. Um vídeo obtido pelos fiscais mostra o processo de produção passo a passo: lavagem de garrafas de marcas diversas, envase em grandes lotes e montagem rápida dos fardos, evidenciando a ausência de padrões técnicos e sanitários.

O advogado de Márcio Veron afirmou que a fábrica não produzia bebidas desde 2020, funcionando apenas como depósito de embalagens. Apesar da defesa, o empresário foi autuado em flagrante pelos crimes previstos na Lei 8.137/90, artigos que tratam de delitos contra as relações de consumo, cuja pena varia de dois a cinco anos de detenção. Durante o interrogatório, Veron optou por permanecer em silêncio até a conclusão da perícia.

A investigação alerta para os perigos à saúde pública. Bebidas produzidas fora das normas podem conter substâncias tóxicas, como metanol, que podem causar cegueira, falência de órgãos e morte. O delegado responsável destacou que o próximo passo da operação é rastrear toda a cadeia de produção, desde a origem do álcool até os pontos de distribuição, a fim de identificar e interromper a comercialização das bebidas falsificadas.

O caso evidencia não apenas o risco sanitário, mas também a complexidade das operações de fiscalização, mostrando como esquemas clandestinos se aproveitam da reciclagem irregular de embalagens para ocultar produtos ilegais. A ação reforça a necessidade de monitoramento contínuo das indústrias de bebidas e da cooperação entre órgãos federais e estaduais para proteger o consumidor.

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