Mato Grosso do Sul, 23 de julho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Genro acusado de matar sogro se entrega à polícia e caso expõe ciclo de violência familiar em Sidrolândia

Crime ocorreu após tentativa de defesa da filha durante agressões e terminou com perseguição armada pelas ruas do município

A apresentação espontânea de Luiz Mauro Gaudino Barreto, de 47 anos, à Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia lançou novos elementos sobre um homicídio que abalou a cidade e reacendeu o debate sobre a violência doméstica e seus desdobramentos extremos. Acusado de matar o sogro, Dércio Sanabria, de 67 anos, o genro chegou à unidade policial acompanhado de advogado, após permanecer foragido com mandado de prisão em aberto.

Horas antes de se entregar, Luiz Mauro enviou mensagens a um conhecido nas quais demonstrava abatimento e desespero, afirmando que havia acabado com a própria vida. O interlocutor aconselhou que ele procurasse imediatamente a polícia, o que resultou na apresentação formal e no cumprimento da ordem judicial que determinava sua prisão.

O crime ocorreu em Sidrolândia, município localizado a 71 quilômetros de Campo Grande, e foi registrado como homicídio. A apuração policial indica que o episódio teve início ainda durante a tarde de domingo, em um bar no Bairro São Bento. No local, Luiz Mauro teria agredido a companheira, filha de Dércio, com quem mantinha um relacionamento marcado por conflitos recorrentes.

Ao presenciar a situação, o idoso interveio em defesa da filha, contando com o apoio de outro filho. O confronto evoluiu para luta corporal, gerando tumulto e tensão entre os envolvidos. Após o episódio, todos deixaram o estabelecimento, aparentemente com os ânimos alterados, mas sem que houvesse intervenção policial naquele momento.

Pouco tempo depois, Dércio e o filho decidiram ir até a residência da jovem, no Bairro Sitiolândia, com o objetivo de verificar seu estado e garantir sua segurança. Ao se aproximarem do imóvel, foram surpreendidos por Luiz Mauro, que estava em frente à casa portando uma arma de fogo, elevando drasticamente o nível de risco da situação.

Conforme o relato registrado, o genro efetuou um disparo inicial contra o veículo da família, um VW Gol preto, e passou a perseguir o automóvel pelas ruas do bairro, utilizando uma motocicleta Honda Bros de cor escura. Durante a perseguição, ao se aproximar novamente do carro, realizou outro disparo, que atingiu Dércio no tórax.

Mesmo ferido, o idoso foi socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento do município. Apesar dos esforços médicos, ele não resistiu aos ferimentos e morreu pouco tempo depois, confirmando o desfecho trágico de uma sequência de conflitos familiares que culminaram em violência letal.

Após o crime, equipes policiais iniciaram diligências para localizar o suspeito. A residência de Luiz Mauro, situada na Rua Presidente Vargas, no Bairro Cascatinha, foi vistoriada, mas ele não foi encontrado. Um filho adolescente informou aos policiais que o pai não estava no local. O veículo da vítima, com marcas visíveis de disparos, foi localizado na UPA e encaminhado à Delegacia para os procedimentos legais.

O caso ganhou ainda mais repercussão após um dos filhos do autor utilizar as redes sociais para defendê-lo. Segundo essa versão, Dércio e outro familiar teriam agredido Luiz Mauro primeiro. A publicação incluiu uma imagem em que o acusado aparece com ferimentos no rosto, o que passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela investigação.

A Polícia Civil segue apurando o caso com cautela, diante das versões contraditórias apresentadas pelos envolvidos e da gravidade dos fatos. O objetivo é esclarecer a dinâmica completa do crime, as circunstâncias que levaram ao uso da arma de fogo e eventuais responsabilidades adicionais.

O homicídio evidencia um cenário recorrente de conflitos familiares que, sem intervenção adequada, evoluem para tragédias irreversíveis. A prisão do acusado representa um passo importante no andamento do processo, mas não encerra a dor causada por um episódio que marcou profundamente a comunidade de Sidrolândia e levantou alertas sobre a urgência de enfrentar a violência dentro do ambiente familiar.

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