A soltura da médica veterinária e influenciadora digital Raylane Diba Ferrari, de 30 anos, movimentou o cenário policial e jurídico em Campo Grande após a repercussão do caso envolvendo a comercialização de produtos veterinários adaptados e vendidos como cosméticos para uso humano. A decisão foi tomada durante audiência de custódia, realizada nesta terça-feira, quando a acusada obteve liberdade provisória mediante pagamento de fiança.
A quantia estipulada foi de R$ 4.863,00, valor quitado imediatamente pela defesa por meio de transferência eletrônica, o que permitiu a expedição do alvará de soltura ainda no mesmo dia. Apesar da liberação, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares que restringem a atuação da investigada e impõem controle sobre seus próximos passos.
Entre as determinações está a suspensão imediata de qualquer atividade profissional ligada à medicina veterinária ou a qualquer tipo de exploração econômica relacionada à área. A decisão também prevê comunicação formal ao conselho de classe responsável, que deverá acompanhar o caso e adotar as medidas administrativas cabíveis.
Além disso, a investigada deverá cumprir prisão domiciliar, permanecendo em sua residência sob monitoramento das autoridades, e terá a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça para informar e justificar suas atividades. As restrições fazem parte das medidas adotadas para garantir o andamento das investigações sem interferências.
Durante a audiência, o Ministério Público se posicionou favorável à concessão da liberdade provisória, desde que acompanhada de medidas cautelares. A defesa, por sua vez, argumentou que a investigada apresenta quadro de saúde que poderia ser agravado no ambiente prisional, destacando episódios de ansiedade e desconforto psicológico, o que foi considerado na decisão judicial.
A prisão da influenciadora ocorreu no dia anterior, após ação conduzida por equipes especializadas que investigavam a comercialização de produtos considerados impróprios para uso humano. As apurações indicaram que o estabelecimento administrado por ela funcionava além das atividades regulares de pet shop, servindo também como local de manipulação e preparo de substâncias.
No local, foram encontrados dezenas de frascos já prontos para venda, contendo fórmulas elaboradas a partir de produtos originalmente destinados ao uso veterinário. Esses itens eram divulgados nas redes sociais como soluções para crescimento capilar e tratamento estético, atraindo consumidores de diferentes regiões.
A investigação aponta que as substâncias eram modificadas e combinadas sem qualquer autorização sanitária, o que levanta preocupações sobre os riscos à saúde dos consumidores. A venda desses produtos em larga escala, aliada à divulgação digital, ampliou o alcance da prática e intensificou a gravidade do caso.
Durante a operação, também foram apreendidos materiais que devem passar por perícia técnica, incluindo produtos, equipamentos e aparelhos eletrônicos que podem conter registros das vendas e da comunicação com clientes. O conteúdo desses dispositivos será fundamental para o avanço das investigações.
A acusada optou por permanecer em silêncio durante os primeiros depoimentos, estratégia comum em fases iniciais de investigação. O caso segue em andamento e deve envolver análises mais detalhadas sobre a origem das substâncias utilizadas, o volume de comercialização e possíveis vítimas que tenham adquirido os produtos.
O episódio chama atenção para os riscos associados à compra de produtos sem procedência adequada, especialmente aqueles divulgados em ambientes digitais sem controle sanitário. Também reforça a atuação dos órgãos de fiscalização no combate a práticas que colocam em risco a saúde pública.
A continuidade das investigações deverá esclarecer a extensão das irregularidades e definir as responsabilidades legais, enquanto as medidas impostas pela Justiça buscam garantir que a apuração ocorra sem novos prejuízos à população.
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