Mato Grosso do Sul, 23 de julho de 2026
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Valley contesta ação policial e nega servir bebidas adulteradas após operação em Campo Grande

Casa noturna rebate versão da Polícia Civil e afirma que produtos vencidos estavam separados para descarte, enquanto investigação aponta uso de insumos sem procedência em drinques
Fiscalização na balada na última na noite de sábado - Imagens - Gabi Cenciarelli
Fiscalização na balada na última na noite de sábado - Imagens - Gabi Cenciarelli

A operação desencadeada no fim de semana contra a comercialização de bebidas sem procedência em Campo Grande alcançou um novo capítulo nesta segunda-feira, 6 de outubro, quando a Valley Pub, um dos alvos da ação, divulgou nota de defesa negando que bebidas adulteradas ou falsificadas tenham sido encontradas em seu estoque. O posicionamento da casa noturna, no entanto, difere substancialmente das informações divulgadas pela Polícia Civil, que sustentam que insumos vencidos e produtos sem origem clara vinham sendo utilizados em coquetéis, colocando consumidores em risco.

Segundo a nota oficial da Valley, foram inspecionados exatos 25.721 itens durante a operação denominada Ação Metanol 2. Do total, afirmam os administradores, apenas três caixas de energético “zero” estavam vencidas e já haviam sido separadas para descarte, além de oito garrafas de vinho pertencentes a clientes (utilizadas como “rolha”) e sete garrafas de tequila com nota fiscal arquivada, mas que não estariam disponíveis para venda. A casa sustenta ainda que o gerente flagrado em vídeo não foi levado à delegacia e que “não foi constatado nenhum crime conforme relatório expedido pela GCM, Decon, Procon e Vigilância Sanitária”.

Em contrapartida, a Polícia Civil garante que duas pessoas foram conduzidas, a gerente-geral e um fiscal de bar, para prestar esclarecimentos. Ainda que não tenham sido autuados em flagrante, o delegado responsável afirma que poderão responder criminalmente ao término do inquérito. A corporação também detalha apreensões que contradizem a versão da casa: 52 garrafas de bebidas importadas não regularizadas, cerca de 270 produtos vencidos (predominantemente energéticos e sucos) e essências para narguilé sem rótulo ou certificação para consumo. Segundo a polícia, os produtos não estariam separados para descarte, mas em uso ativo no preparo de drinques.

A tensão entre as versões foi intensificada por relatos de que o gerente do Pub gravou e divulgou um vídeo antes de ser conduzido à delegacia, ensinando ao público como detectar bebidas falsificadas. O episódio levantou questionamentos sobre o timing e o tom da defesa pública adotada pelo estabelecimento. Autoridades de saúde e fiscalização são alvo de pedidos de transparência e rigor, diante do cenário nacional de surtos por contaminação por metanol.

A operação que atingiu a Valley foi conduzida pela DECON (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), em articulação com Procon-MS, Vigilância Sanitária Municipal e Estadual, Guarda Civil Metropolitana e demais órgãos de controle. O objetivo é coibir o comércio de bebidas clandestinas ou adulteradas que, em casos anteriores, têm sido associados a intoxicações graves. Em Mato Grosso do Sul, cinco casos suspeitos já vinham sendo investigados, com pelo menos uma morte complexa em Campo Grande.

Apesar da defesa pública e de pareceres favoráveis apresentados pela casa, a controvérsia permanece. A divergência entre o relato oficial da casa noturna e o das autoridades policiais reforça a urgência de uma investigação minuciosa, bem como de análise técnica impessoal sobre os produtos recolhidos. A população, enquanto isso, aguarda esclarecimentos concretos sobre quais bebidas circulavam, o grau de risco efetivo e quem poderá ser responsabilizado, se comprovada a irregularidade.

Divergência de versões coloca em xeque credibilidade das fiscalizações em meio à crise nacional por metanol

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